outras coisas
28/02/2008
Como dar um comprimido a um gato
1. Pegue o gato e aninhe-o no braço esquerdo, como se estivesse segurando um bebê; segure o comprimido entre o polegar e o indicador da mão direita. Com o polegar e o indicador da mão esquerda, posicionados nos cantos da boca do gato, faça uma leve pressão para induzi-lo a abrir a boca. Ponha o comprimido na boca aberta e permita ao gato fechá-la, para que possa engulir.
2. Pegue o comprimido do chão e o gato de trás do sofá. Aninhe-o novamente no braço esquerdo e repita o processo.
3. Vá ao quarto tirar o gato debaixo da cama e jogue fora o comprimido lambuzado.
4. Tire um comprimido novo da caixa, encaixe o gato no braço esquerdo e segure suas patas traseiras com a mão esquerda. Force-o a abrir a boca e empurre o comprimido até a garganta com o indicador da mão direita. Feche a boca do gato imediatamente, e conte até dez antes de soltá-lo.
5. Tire o comprimido de dentro do aquário antes que envenene os peixes, e o gato de cima do guarda-roupa. Chame um amigo.
6. Ajoelhe-se no chão com o gato preso firmemente entre os joelhos, segurando suas quatro patas. Ignore os uivos histéricos do animal. Peça ao amigo que segure com força a cabeça dele, enquanto você abre a boca. Abaixe a lingua do gato com uma espátula de madeira e deixe o comprimido escorregar espátula abaixo até a goela. Esfregue o pescoço do gato.
7. Resgate o gato do trilho da cortina, abra a caixa e pegue um novo comprimido. Lembre-se se comprar nova espátula de madeira e de mandar consertar a cortina. Cuidadosamente enrole o gato numa toalha, de modo que apenas a cabeça fique de fora. Peça ao amigo para mantê-lo assim. Prenda o comprimido na ponta de um canudo, ponha o canudo na boca do gato e sopre com força.
8. Veja na bula do remédio se ele é nocivo para seres humanos. Beba água com açúcar para acalmar e para tirar aquele gosto horrível da boca. Ponha um bandaid no braço do amigo e lave o sangue do tapete com água morna e sabão.
9. Busque o gato no vizinho. Tire um novo comprimido da caixa. Ponha o gato dentro do armário da cozinha e feche a porta, mantendo apenas a sua cabeça do lado de fora. Abra-lhe a boca com uma colher de sobremesa e, com um elástico, acerte o comprimido direto na garganta.
10. Vá até a garagem e pegue uma chave de fenda para recolocar a porta do armário no lugar. Ponha uma compressa fria nos arranhões, e cheque se está com a vacina anti-tetânica em dia. Jogue a camiseta fora, e vista algo mais resistente.
11. Chame o Corpo de Bombeiros para tirar o gato do alto da árvore do outro lado da rua. Peça desculpas ao vizinho que bateu com o carro na cerca ao tentar desviar do gato. Tire o último comprimido da caixa.
12. Amarre as patas dianteiras e traseiras do gato com uma corda de varal, e prenda-o firmemente no pé da mesa de jantar. Calce luvas de jardinagem. Abra a boca do gato com uma pequena chave inglesa. Jogue o comprimido na garganta, seguido de um pedaço de filé mingnon; derrame água por cima para ajudá-lo a engolir.
13. Peça ao amigo para levá-lo ao pronto-socorro mais próximo. Não se preocupe, o médico vai dar anestesia local antes de suturar seus dedos e braços, e remover os estilhaços de comprimido que ficaram encravados no olho direito. Na volta, lembre-se de passar na loja de móveis e encomendar uma nova mesa de jantar.
14. Procure um veterinário que faça atendimento domiciliar.
05/05/2007
Eu sou o criminoso do caso PC Farias
Lucas FigueiredoO governo Fernando Collor passou à História como sinônimo de corrupção. Da eleição (1989) ao impeachment (1992), a gangue que ocupou o Poder Executivo naquele período arrecadou US$ 1 bilhão com achaques, mutretas e golpes, segundo cálculos da Polícia Federal. A máquina de roubar ficou conhecida como Esquema PC, uma referência ao nome do tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Paulo César Farias.
Como é sabido, com exceção de PC Farias, até hoje nenhum dos integrantes daquele grupo (empresários, políticos e autoridades) foi condenado em última instância pelos crimes cometidos. Collor, por exemplo, foi absolvido de todas as acusações, incluindo corrupção. (Ele cogita se candidatar a deputado federal por Alagoas nas próximas eleições.) O próprio Paulo César acabou sendo condenado por dois crimes, digamos, menores: falsidade ideológica (ele abriu contas bancárias com nomes falsos) e evasão de divisas. Só foi parar na cadeia, onde passou dois anos, porque fez a besteira de fugir do país.
O correto, portanto, seria refazer a frase da abertura deste artigo: o governo Collor passou à História como sinônimo de corrupção e também de impunidade.
E a impunidade atravessou os tempos. No dia 23 de junho de 1996, PC foi assassinado na sua casa de praia, em Maceió. O corpo do tesoureiro foi encontrado na cama, ao lado do corpo de sua namorada, Suzana Marcolino, ambos com um tiro de revólver calibre 38. Num primeiro momento, a Polícia Civil de Alagoas divulgou que Suzana teria matado PC e se suicidado. A investigação, no entanto, foi marcada pelas falhas, para dizer o mínimo.
Anos depois, pressionado pelo trabalho de investigação da imprensa, a polícia alagoana mudou sua versão do crime para duplo assassinato. Mesmo assim não foi capaz de dizer quem deu os tiros em PC e Suzana e quem mandou matá-los. Mais uma vez, os criminosos se safaram. E, ao que tudo indica, com muito dinheiro, já que a sobra do butim do Esquema PC nunca foi encontrado.
Esta é a história conhecida. Estou aqui para contar outra: eu sou o criminoso do caso PC Farias.
Comecei a escrever sobre os desmandos do governo Collor quando ainda estava na universidade. Recém-formado, fiz reportagens sobre o declínio do governo e sobre o impeachment. Em Brasília, como repórter, vi em 1994 a absolvição de Collor no Supremo Tribunal Federal. Dois anos depois, cobri em Maceió a morte de Paulo César e Suzana. O caso grudou em mim – e eu grudei no caso.
Nos quatro anos seguintes, dediquei-me a investigar as duas questões centrais do enigma PC/Collor. Ou seja, quem matou Paulo César Farias e onde foi parar o dinheiro do Esquema PC. Voltei a Maceió algumas vezes, e as pistas levantadas acabaram me levando à Itália, à Suíça, à Argentina, aos Estados Unidos e ao Uruguai. Não fui capaz de responder integralmente os enigmas, mas considero que fiz avanços. Em 1997, por exemplo, expus as ligações do Esquema PC com o crime organizado internacional. No mesmo ano, revelei que o Ministério Público de Alagoas tinha uma gaveta cheia (e fechada) com exames feitos por peritos e legistas independentes que indicavam que PC e Suzana tinham sido mortos por uma terceira pessoa. Outros informações vieram com o tempo, como os dados das contas de PC Farias no exterior, algumas delas ativas mesmo depois de sua morte.
No meio do caminho, como era esperado, esbarrei numa pressão brutal de quem preferia o mistério à luz. Fui ameaçado de morte em Alagoas e, em Houston (Texas), para onde fui atraído por um falso informante, escapei de uma arapuca.
No ano 2000, o resultado da minha investigação virou um livro: “Morcegos Negros: PC Farias, Collor, máfias e a história que o Brasil não conheceu”, publicado pela Record. Mesmo tendo passado oito anos do impeachment de Collor e quatro da morte de PC, o livro foi muito bem aceito, vendendo 30 mil exemplares, o que lhe rendeu 14 semanas na lista dos mais vendidos de revista Veja (categoria não-ficção). E foi assim que me tornei um criminoso.
Ainda no ano 2000, o juiz de Alagoas Alberto Jorge Correia de Lima (responsável pelo caso da morte de PC e Suzana) leu “Morcegos Negros” e não gostou. Ele entrou com um processo por danos morais, em Alagoas, contra mim e contra a editora Record. Na ação, o juiz questionava uma única frase do livro. A frase é a seguinte: “O juiz Alberto Jorge, que só reclamava, resolveu tomar uma atitude e solicitou à Secretaria de Segurança que indicasse um novo delegado para o caso”. Segundo o entendimento do juiz, ao dizer que ele “só reclamava” eu teria afirmado que ela nada fazia. Sendo assim, por vias tortas, eu teria afirmado que ele prevaricara.
A reclamação de Alberto Jorge foi aceita por seus colegas da Justiça de Alagoas, tendo início um processo kafkiano contra mim.
No julgamento de primeira instância, o juiz que analisou o caso não ouviu as minhas testemunhas, entre elas o senador Eduardo Suplicy e o ex-juiz Walter Maierovitch. E acabou por condenar a mim e a Record a pagar 350 salários mínimos, mais custas de advogado (aproximadamente R$ 200 mil, em valores corrigidos, um valor altíssimo para ações dessa natureza).
Tentei recorrer, mas na segunda instância Kafka voltou a atacar. O Tribunal de Justiça de Alagoas confirmou a condenação, mas, descumprindo uma norma sagrada da Justiça, não realizou corretamente a publicação do acórdão, deixando de intimar meu advogado local. Ou seja, fui condenado novamente, e dessa vez não fui avisado.
Ao verificar a falha, no dia 03 de agosto de 2004, entrei com uma petição no TJ de Alagoas comunicando o erro. Na petição, pedi a republicação do acórdão (ou seja, da sentença de condenação em segunda instância), a fim de que fosse aberto o prazo para eu recorrer da decisão. A petição foi recebida pelo tribunal, conforme comprovam duas fontes diferentes: o protocolo do TJ de Alagoas em meu poder e o site do tribunal (www.tj.al.gov.br), na seção de consulta a processos.
Além de entrar com a petição, enviei meu advogado, dr. Fernando Quintino, a Maceió. Em audiência com Quintino, o assessor de gabinete do TJ de Alagoas reconheceu o erro e afirmou que a sentença seria então publicada, reabrindo o prazo para que eu recorresse ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Passados quase dois anos, no entanto, o acórdão não foi republicado.
Em abril passado, meu advogado foi pessoalmente verificar o motivo de tanta demora. Foi quando tomei conhecimento de que minha petição simplesmente havia desaparecido do processo. O dr. Quintino folheou todo o processo e também não encontrou nenhum oficio solicitando ao tribunal a republicação do acórdão. Estava assim concluído Der Process: eu e Record éramos culpados.
Sim, eu me sinto perplexo, indignado e impotente diante do ocorrido. Mas ainda assim vejo um fio de coerência em toda essa história: se a gangue que se formou sob a sombra do governo Fernando Collor é inocente, eu só poderia estar mesmo do outro lado.
(Lucas Figueiredo é jornalista e escritor. É autor dos livros-reportagem Morcegos Negros (2000), Ministério do Silêncio (2005) e O Operador, publicados pela Record.)
O que é "contexto desfavorável"?
Paulo CoelhoTenho uma grande admiração por Roberto Carlos -recentemente, um dos mais importantes programas da BBC Radio me perguntou a lista de cinco discos que eu levaria para uma ilha deserta, e incluí um dos seus. E, apesar dos problemas normais decorrentes de uma relação profissional, tenho um grande respeito pela editora Planeta, que publica minhas obras no Brasil e em vários países de língua espanhola.
Dito isso, é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados.
Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado.
Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais.
Recentemente, um jornalista da mais importante revista brasileira disse que "Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor: seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso". Não sei o que estava propondo com essa frase, e não me interessa. Poderia alegar que minha honra está sendo atacada, que me acusa de ser um perigo para meu país, que deseja que eu seja preso. Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de "Roberto Carlos em Detalhes".
Até hoje, desde que publiquei "O Diário de um Mago", há 20 anos, vi milhares de críticas negativas, mas apenas duas ou três calúnias a meu respeito, graças a Deus. Não me dei ao trabalho de contra-atacar porque não achei que valia a pena, embora me reserve esse direito se algo muito sério acontecer. Recentemente, em um jornal espanhol de primeiríssima linha, simplesmente inventaram uma resposta a uma pergunta a que havia me recusado responder. Claro, enviei uma carta ao diretor, e o jornalista teve que arcar com as conseqüências.
Estou pronto para defender minha honra, mas não vou perder um minuto do meu dia telefonando para um advogado e procurando saber o que faço para defender minha vida privada, já que ela não mais me pertence.
Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura.
Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs.
Também continuarei sendo editado pela Planeta, pois temos contratos assinados. Mas insisto: gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável".
Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar.
E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, "se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor" (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento.
Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.
(Folha de São Paulo, 2.05.2007)
03/07/2005
Apaixonado por
Cuba -- ao longe
Vivendo no Canadá e escrevendo em inglês, o cubano José Latour traz da terra distante o cenário e a inspiração para seus romancesUma das estrelas da III Festa Literária de Paraty é José Latour, autor de um dos melhores policiais lançados no Brasil este ano, "Mundos sujos". Ele se apresenta sábado, conversando sobre literatura policial com Luiz Alfredo Garcia-Roza e Marcello Fois. Nascido em Havana há 65 anos, vivendo há três em Toronto com a mulher, os filhos e a nora, Latour deve o sucesso deste seu primeiro romance escrito em inglês a um mix particularmente interessante de ingredientes, em que a uma trama original e movimentada junta-se a observação sensível de dois universos opostos. De um lado, a Havana miserável dos cubanos comuns, sem amigos poderosos, sem comida, sem fé no futuro; de outro, a Miami sem lei e sem privações, em que o consumismo alucinado tenta se impor como uma espécie de felicidade.
O autor, que já lançou mais um livro em inglês, Havana Best Friends, promete, até o fim do ano, a continuação de "Mundos sujos" -- alegria garantida para quem acompanhou as aventuras do professor Elliot Steil. No forno, tem ainda um ensaio sobre os problemas que seu país enfrentará depois do comunismo, e um romance histórico ambientado na Havana do Século XIX.
José Latour, que não consegue se afastar emocionalmente da Cuba natal, escolheu o Canadá para viver por lhe parecer o melhor dos países que conhece -- uma democracia solidamente estabelecida, onde os direitos humanos são respeitados:
-- Não há nações perfeitas -- disse, por email, para esta entrevista. -- Em toda parte há crime, corrupção e outras doenças sociais. A grande questão é descobrir com quanta imperfeição se pode viver.
Para parte da intelectualidade brasileira, Cuba continua sendo um modelo de independência, um pequeno Davi lutando contra o Golias americano. É possível uma ditadura do bem?JOSÉ LATOUR: Inúmeros intelectuais mundo afora têm essa visão de Davi e Golias da ilha. O que eles não sabem é que o minúsculo Davi da cena mundial transforma-se num Golias impiedoso nos bastidores, uma criatura que mandou fuzilar milhares de adversários e sentenciou centenas de dissidentes pacíficos a longas penas em prisões infectas, o mais longe possível de onde vivem seus parentes e amigos, pelo "crime" de pedir eleições livres, um sistema político multipartidário, uma imprensa sem censura.
O que me deixa perplexo é que todos esses intelectuais exigem para si mesmos os direitos e liberdades que a ditadura cubana nega ao povo. Eles criticam abertamente seus governos, denunciam abusos de poder e corrupção, participam de movimentos e passeatas contra o governo. Ninguém em Cuba pode fazer nada disso.
Acredito que todos têm direito à sua opinião, mas os princípios são, ou deveriam ser, inflexíveis; de outra forma, passa-se a usar dois pesos e duas medidas. Se você acha que a liberdade de expressão é um direito humano básico e a exige para si mesmo, não deveria apoiar um regime que, em outro país, aprisiona pessoas só porque gostariam de fazer o que você faz.
Uma das grandes ironias da política cubana é que o primeiro homem que pegou em armas para lutar contra a ditadura tornou-se, ele próprio, um ditador em grande estilo. E não, não há ditadura "boa" ou "do bem".
Fala-se muito na excelência dos sistemas de educação e saúde cubanos, mas mesmo eles não se salvam incondicionalmente no seu romance "Mundos sujos". Como é a realidade em Cuba para os cubanos comuns, aqueles que não têm padrinhos políticos?LATOUR: Alguns adversários do comunismo cubano recusam-se a admitir conquistas, e isso acaba funcionando contra eles. Nenhum governo consegue ser totalmente mau e injusto, ou integralmente bom e correto. O que Cuba conseguiu nos campos da educação e da saúde pública nos últimos 40 anos é o sonho de todo o Terceiro Mundo. Sim, a educação é de uma servidão ideológica chocante, mas nenhuma criança cubana fica sem escola ou professor. Sim, faltam remédios e os hospitais têm carência de tudo, de equipamentos de Raio-X a reagentes químicos para análises clínicas, mas o mais remoto vilarejo cubano conta com um médico que pode chamar uma ambulância e remover seus pacientes para o hospital mais próximo. Oferecer educação e atendimento médico gratuitos a todos os cidadãos é excelente. Privá-los do exercício de seus direitos civis, porém, é altamente perverso, pois os transforma em escravos. Saudáveis e educados, sim, mas escravos.
A percepção que se tem, por livros como "Mundos sujos" ou filmes como "Guantanamera", é que pequenos delitos e roubos na agências governamentais institucionalizam-se num país onde, freqüentemente, não se ganha o suficiente para sobreviver. Esta é a mesma percepção que me dão, aliás, filmes e livros que têm por cenário a antiga União Soviética. É um tipo diferente de roubo daquele que se vê no Brasil, onde a corrupção é generalizada, mas onde roubar da repartição não chega a ser propriamente uma necessidade vital, de modo que você ainda pode se dar ao luxo de ser uma pessoa honesta, se assim o desejar. LATOUR: Assim como em tantas economias de mercado há homens de negócios que lutam por lucrar cada vez mais, de todas as maneiras possíveis, éticas ou não, na ilha -- dada a indiscutível falência econômica do sistema -- a maioria dos funcionários públicos tenta trabalhar o mínimo e roubar o máximo possível. Este problema atinge hoje tais proporções que a população não percebe mais o roubo de bens do Estado como um crime passível de punição. Médicos, dentistas e enfermeiros roubam remédios, comida e roupa de cama. Operários roubam cimento, madeira e areia. Professores e burocratas roubam papel, canetas e peças de computador. Ladrões de gado abatem entre 20 mil e 30 mil cabeças por ano.
Se todo mundo que rouba ou já roubou alguma coisa fosse para a prisão, provavelmente metade da população estaria encarcerada.
Fiquei muito impressionada com a falta de solidariedade e apoio aos dissidentes cubanos presos por Fidel Castro recentemente. Há alguma explicação racional para isso?LATOUR: Na minha opinião houve solidariedade e apoio, sim, ainda que não tanto quanto eu teria gostado de ver. Talvez uma das razões para a pouca repercussão deste apoio esteja, justamente, naquela visão de Davi e Golias que discutimos antes, e no papel dos intelectuais de esquerda como formadores de opinião. A outra razão, com certeza, é que a única coisa que realmente funciona bem em Cuba é a propaganda. Assim que os dissidentes foram presos, a máquina entrou em funcionamento, espalhando que eles eram agentes do governo americano. O problema é que algumas pessoas são tão ingênuas que conseguem acreditar numa besteira dessas.
A sociedade cubana que o senhor retrata é um lugar de alta periculosidade para os que insistem em pensar por si mesmos. Mas o outro lado do espelho, ou seja, os cubanos de Miami, também não são pintados com boas tintas em "Mundos sujos". Nenhuma das opções o agrada. O que o senhor acha que vai acontecer em Cuba quando Fidel morrer? Há alguma possibilidade de que, no futuro, olhando para trás, as pessoas sintam saudades dos "bons velhos tempos" do castrismo? LATOUR: As pessoas não me desagradam. Nem em Cuba, nem nos Estados Unidos, nem em lugar algum. Acredito piamente que, em todos os países, 90% das pessoas são gente direita e trabalhadora. Mas, entre os 10% restantes, encontramos uns tipos realmente asquerosos: políticos com sede de poder, criminosos, ladrões, falsários, torturadores...
Quando nós humanos olhamos para trás, podemos ver cinco mil, dez mil ou mesmo um milhão de anos do passado. Mas, quando tentamos olhar para a frente, ninguém pode prever sequer o que vai acontecer amanhã de manhã.
Estou publicando um breve um ensaio a respeito das questões com que a sociedade cubana vai ter de lidar depois do comunismo, mas não faço idéia de quando isso acontecerá. Acontecerá, porém, seguramente. O sistema está política e moralmente corroído, não funciona. Não funcionou na União Soviética e em nenhum país europeu. A China e o Vietnã estão fazendo progressos econômicos porque nesta área, especificamente, deixaram de ser países comunistas.
Naturalmente, alguns cubanos vão sentir falta do comunismo. Isso ainda acontece na Rússia, onde milhares de cidadãos continuam adorando Stalin. Mas o primeiro governo não comunista de Cuba vai ter que tomar um cuidado enorme em certas áreas, como emprego, educação, saúde pública, impostos e política monetária, por exemplo, para não alienar mais pessoas do que aquelas que inevitavelmente lamentarão os novos tempos.
Por melhor que se desenvolvam a democracia e a economia de mercado numa Cuba pós-comunista, meu palpite é que uns 15% ou 20% da população, sobretudo entre os mais velhos e os menos educados, mais todos aqueles que sempre se deram bem lambendo as botas do ditador, vão sentir muitas saudades dos "bons velhos tempos".
Como o senhor conseguiu sair de Cuba? O senhor pretende voltar a viver lá? Do que sente mais falta?LATOUR: Tenho a impressão de que certas pessoas ficaram contentes com o fato de eu pedir permissão para viajar com a minha família toda, e instruíram os burocratas nos lugares certos a me deixar sair. De modo que não houve nada aventuroso ou perigoso na minha saída da ilha. Vou decidir se volto ou não quando a ditadura comunista desmoronar. Acho que o que mais falta me faz é a minha cultura, no sentido mais amplo da palavra. Cultura como a mistura de uma infinidade de coisas, não apenas música, literatura ou pintura, mas um camponês cultivando o seu pedacinho de terra, uma mulher bonita a caminho do trabalho, o motorista do ônibus fazendo piadas, o cheiro do pão fresco, e centenas de outras coisas -- sons, vistas, cheiros, gostos. Instruí meu filho e minha filha a espalharem minhas cinzas ao largo de Havana, caso eu morra antes do fim do comunismo.
O senhor continuará a escrever em inglês? É muito difícil escrever numa língua na qual não se cresceu? LATOUR: Sim, continuarei a escrever em inglês, e sim, é muito difícil fazê-lo! Aprendo novidades a cada dia. Tive que comprar, e consulto constantemente, o Chicago Manual of Style, o último Roget's Thesaurus, o Webster. Felizmente a gramática e a sintaxe do inglês não são tão complicadas quanto as do espanhol.
O senhor está trabalhando atualmente em algum livro novo? Ele será também ambientado em Cuba?LATOUR: Agora em novembro sai um novo romance meu nos Estados Unidos, uma continuação de "Mundos sujos". Talvez seja publicado também no Brasil, vamos ver. Em breve publicarei o ensaio sobre Cuba de que falei antes; e estou escrevendo um novo romance, ambientado na Cuba do Século XIX. É o meu primeiro romance histórico, e estou muito entusiasmado com ele. Ah, esquece: eu sempre fico entusiasmado com o novo livro que estou escrevendo.
(O Globo, Segundo Caderno, 3.7.2005)
07/06/2005
Onde está a verdade e onde está a mentira?
Arnaldo Jabor A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados os acusados batem no peito e berram: ?É mentira!?. Parecem existir dois brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e ?puros?. E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) ? isto é, filosófico: o que é a verdade? O que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF descobre ou os desmentidos dos que os cometeram? No Brasil, acaba sendo o discurso do poder vigente. A anomalia do Judiciário protege a ?verdade/mentira? (no Brasil formam uma unidade dialética), com o lema de que ?o réu é inocente até que se prove o contrário?. Tudo bem, só que aqui nada prova nada nunca: nem o cheque assinado na Suíça, nem a conta nas Ilhas Jersey ou a evidência do roubo no TRT paulista (lembram?).
Nossas ?verdades? institucionais foram construídas por 500 anos de mentiras. Portanto, virou uma razão de Estado a proteção à mentira brasileira inventada pela secular escrotidão portuguesa, que criou o DNA dos canalhas que vemos hoje na TV negando tudo. Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas tudo está ficando tão claro, insuportável, que, talvez, tenhamos de correr esse risco de quebra, apesar do perigo de que a direita virá correndo restabelecer a paz ?da verdade das mentiras?. Por isso, o governo acha que é necessário proteger as mentiras para que a falsa verdade do país permaneça.
O presidente entra dizendo que vai usar a verdade para combater a mentira e logo, logo, está usando a mentira para fazer valer sua nova ?verdade?.
Lula diz: ?Eu dou cheque em branco ao Roberto Jefferson?. Sabemos que é mentira, pois Lula pensa: ?A verdade não pode ser dita; preciso da mentira para que o sistema não caia, para que o PT não se esfacele e para que eu me reeleja. Eu minto em nome de uma verdade maior!? FHC usava os ladrões também, mas lhes impunha sutis limites; o PT despreza a democracia ?burguesa? e abriu a porteira com desdém pelos ladrões e ficou prisioneiro deles, sem contar os neoladrões petistas.
Lula mente para si mesmo, achando que só defende a ?causa do povo? ? que, aliás, é um pouco ?verdade?, pois está defendendo sua própria causa, porque, afinal, ele é ?do povo?, ou melhor, ?era?, antes de subir na vida, ostentando sua saga de vendedor de picolé em Santos até beijar deslumbrado a mão da imperatriz do Japão.
Vejamos outro símbolo do momento: as lágrimas de Suplicy no Senado, assinando a CPI. Foram lágrimas de crocodilo ou lágrimas de verdade? Par ou ímpar? Bem... começou como mentira, passando a perna nos companheiros de partido que iam assinar. Foi oportunista ou sincero? Talvez as duas coisas? Agora, faturando o desprestígio do governo, parece verdadeiro e está eufórico, fazendo cooper .
E o Genoino? Quando acusa o FHC pelo caso da pasta rosa, sabe que está mentindo, que aquilo foi uma chantagem, mas acredita na mentira ?de esquerda?.
E as fazendas imaginárias do Jucá, que continuam produzindo? E os 40 mil caminhões do mogno arrancado da Amazônia com papéis falsos? E o caso do IRB, com o ex-presidente Lídio Duarte, herói por três dias, desafiador dos corruptos que voltou atrás no depoimento? Qual o verdadeiro Lídio, o corajoso ou o covarde? E o magnífico, o insuperável Mauricio Marinho, dos Correios, que confessou seus roubos para o vídeo? Que prazer perverso deve ter tido naquele orgasmo de verdades, revelando suas mentiras?
E o José Dirceu? Qual o verdadeiro Dirceu? O velho bolchevista que se disfarçava em nome do socialismo ou o Dirceu ?democrático?? Dirceu é pelo Palocci ou não? Dirceu viveu clandestino dentro da própria vida, com operação plástica em Cuba, durante quatro anos de casamento. Qual era o verdadeiro? O falso marido ou o revolucionário em campanha?
O próprio Dirceu talvez não saiba. Para os comunas clássicos, a vida real não é verdadeira. Sua missão é algures, mais além da vida ?burguesa?. Pensam: ?A vida como a conhecemos é uma mentira; logo, a verdade está onde ela não está, além dessa realidade careta, feita de esposa, filhos, casa. A verdade é algo que não existe ainda e que nós, até mentindo, poderemos um dia atingir?.
E o assassinato de Celso Daniel ? óbvio que ulula (não o Lula), ?ulula? à nossa frente pela trapalhada ridícula que foi, visível a olho nu ? que foi logo abafado para que a verdade do que aconteceu não atrapalhasse a verdade do que ainda não aconteceu e que será, um dia, a ?luminosa? apoteose do PT, salvando a pátria dos idiotas que acreditam na mentira do tempo presente e que não sabem sonhar com a utopia do operário-Cristo subindo ao céus?
E o meu ídolo, meu megastar , o fascinante Roberto Jefferson, o Pavarotti do PTB? Onde está sua verdade? Está no elefante do passado, quando comia na mão do Collor, ou estará no Jefferson de hoje, de barriga operada, magro, cantando ópera para o Lula ? Onde estará esse homem impalpável? Está no ?rolha de poço? ou no Fred Astaire? Aliás, há algo em comum entre a operação plástica de Dirceu e a de Jefferson: ambos se esconderam dos outros e de si mesmos. Os dois queriam ocultar o passado: um revolucionário e o outro, digamos, patético, do ?Povo na TV?. Jefferson fez uma espécie de autocrítica na imprensa: ?Eu era brutal, dava tiro; depois me curei, emagreci e hoje canto óperas!?. Quando virá a autocrítica de Dirceu? Jefferson e Dirceu também são ubíquos: os dois estão em toda parte. Não há um escaninho do Executivo em que Dirceu não se meta e não há uma estatal na qual Jefferson não tenha cumbuca. E os dois lutam contra a CPI; um não quer a CPI para que a verdade ?revolucionária? não sucumba; e o Jefferson, para que não se descubra que continua voraz, ?comendo? de tudo, apesar da cirurgia do estômago. Dirceu engordou ? era um gato nas passeatas de 67 ? e Jefferson emagreceu, mas continuou um gato.
E nós, uns patos.
O Globo, Segundo Caderno, 7.6.2005)
20/11/2004
Hear hear!
To the citizens of the United States of America:
In the light of your failure to elect a proper President of the USA and thus to govern yourselves, we hereby give notice of the revocation of your independence, effective today. Her Sovereign Majesty Queen Elizabeth II will resume monarchical duties over all states, commonwealths and other territories. Except Utah, which she does not fancy. Your new prime minister (The Right Honourable Tony Blair, MP for the 97.85% of you who have until now been unaware that there is a world outside your borders) will appoint a minister for America without the need for further elections. Congress and the Senate will be disbanded. A questionnaire will be circulated next year to determine whether any of you noticed. To aid in the transition to a British Crown Dependency, the following rules are introduced with immediate effect:
1. You should look up "revocation" in the Oxford English Dictionary. Then look up "aluminium". Check the pronunciation guide. You will be amazed at just how wrongly you have been pronouncing it. The letter 'U' will be reinstated in words such as 'favour' and 'neighbour', skipping the letter 'U' is nothing more than laziness on your part. Likewise, you will learn to spell 'doughnut' without skipping half the letters. You will end your love affair with the letter 'Z' (pronounced 'zed' not 'zee') and the suffix "ize" will be replaced by the suffix "ise". You will learn that the suffix 'burgh is pronounced 'burra' e.g. Edinburgh. You are welcome to respell Pittsburgh as 'Pittsberg' if you can't cope with correct pronunciation. Generally, you should raise your vocabulary to acceptable levels. Look up "vocabulary". Using the same twenty seven words interspersed with filler noises such as "like" and "you know" is an unacceptable and inefficient form of communication. Look up "interspersed". There will be no more 'bleeps' in the Jerry Springer show. If you're not old enough to cope with bad language then you shouldn't have chat shows. When you learn to develop your vocabulary then you won't have to use bad language as often.
2. There is no such thing as "US English". We will let Microsoft know on your behalf. The Microsoft spell-checker will be adjusted to take account of the reinstated letter 'u' and the elimination of "-ize".
3. You should learn to distinguish the English and Australian accents.It really isn't that hard. English accents are not limited to Cockney, upper-class twit or Mancunian (Daphne in Frasier). You will also have to learn how to understand regional accents. Scottish dramas such as "Taggart" will no longer be broadcast with subtitles. While we're talking about regions, you must learn that there is no such place as Devonshire in England. The name of the county is "Devon". If you persist in calling it
Devonshire, all American States will become"shires" e.g. Texasshire, Floridashire, Louisianashire.
4. Hollywood will be required occasionally to cast English actors as the good guys. Hollywood will be required to cast English actors to play English characters. British sit-coms such as "Men Behaving Badly" or "Red Dwarf" will not be re-cast and watered down for a wishy-washy American audience who can't cope with the humour of occasional political incorrectness.
5. You should relearn your original national anthem, "God Save The Queen", but only after fully carrying out task 1. We would not want you to get confused and give up half way through.
6. You should stop playing American "football". There is only one kind of football. What you refer to as American "football" is not a very good game. The 2.15% of you who are aware that there is a world outside your borders may have noticed that no one else plays "American" football. You will no longer be allowed to play it, and should instead play proper football. Initially, it would be best if you played with the girls. It is a difficult game. Those of you brave enough will, in time, be allowed to play rugby (which is similar to American "football", but does not involve stopping for a rest every twenty seconds or wearing full Kevlar body armour like nancies). We are hoping to get together at least a US rugby sevens side by 2005. You should stop playing baseball. It is not reasonable to host an event called the 'World Series' for a game which is not played outside of America. Since only 2.15% of you are aware that there is a world beyond your borders, your error is understandable. Instead of baseball, you will be allowed to play a girls' game called "rounders" which is baseball without fancy team strip, oversized gloves, collector cards or hotdogs.
7. You will no longer be allowed to own or carry guns. You will no longer be allowed to own or carry anything more dangerous in public than a vegetable peeler. Because we don't believe you are sensible enough to handle potentially dangerous items, you will require a permit if you wish to carry a vegetable peeler in public.
8. July 4th is no longer a public holiday. November 2nd will be a new national holiday, but only in England. It will be called "Indecisive Day".
9. All American cars are hereby banned. They are cr*p and it is for your own good. When we show you German cars, you will understand what we mean. All road intersections will be replaced with roundabouts. You will start driving on the left with immediate effect. At the same time, you will go metric with immediate effect and without the benefit of conversion tables. Roundabouts and metrication will help you understand the British sense of humour.
10. You will learn to make real chips. Those things you call French fries are not real chips. Fries aren't even French; they are Belgian though 97.85% of you (including the guy who discovered fries while in Europe) are not aware of a country called Belgium. Those things you insist on calling potato chips are properly called "crisps". Real chips are thick cut and fried in animal fat. The traditional accompaniment to chips is beer which should be served warm and flat. Waitresses will be trained to be more aggressive with customers.
11. As a sign of penance 5 grams of sea salt per cup will be added to all tea made within the Commonwealth of Massachusetts, this quantity to be doubled for tea made within the city of Boston itself.
12. The cold tasteless stuff you insist on calling beer, is not actually beer at all, it is lager. From November 1st only proper British Bitter will be referred to as "beer", and European brews of known and accepted provenance will be referred to as "Lager". The substances formerly known as "American Beer" will henceforth be referred to as "Near-Frozen Knat's Urine", with the exception of the product of the American Budweiser company whose product will be referred to as "Weak Near-Frozen Knat's Urine".This will allow true Budweiser (as manufactured for the last 1000 years in Pilsen, Czech Republic) to be sold without risk of confusion.
13. From December 1st the UK will harmonise petrol (or "Gasoline" as you will be permitted to keep calling it until April 1st 2005) prices with the former USA. The UK will harmonise its prices to those of the former USA and the Former USA will, in return, adopt UK petrol prices roughly $6/US gallon - get used to it).
14. You will learn to resolve personal issues without using guns, lawyers or therapists. The fact that you need so many lawyers and therapists shows that you're not adult enough to be independent. Guns should only be handled by adults. If you're not adult enough to sort things out without suing someone or speaking to a therapist then you're not grown up enough to handle a gun.
15. Please tell us who killed JFK. It's been driving us crazy. Tax collectors from Her Majesty's Government will be with you shortly to ensure the acquisition of all revenues due (backdated to 1776).
07/11/2004
Cercada de traquitanas, jornalista antecipa tendências tecnológicas
Há quase 20 anos analisando evolução da informática, Cora é referência para quem quer entender a cibercultura
por
Mari-Jô Zilveti
A vida da jornalista Cora Rónai passou por mudanças radicais depois que ela abandonou sua segunda máquina de escrever elétrica, fiel companheira por dez anos. Não se importava de ter gastado US$ 1 mil, afinal sua IBM havia permitido que ela errasse sem culpa, podendo corrigir seus textos à vontade.
Em 1986, quando estava pronta para desembolsar a mesma quantia por outra máquina elétrica, um amigo a convenceu que por esse valor ela poderia comprar um microcomputador com mais recursos.
Alto lá, por recursos entenda-se digitar, redigitar e jogar xadrez. Cora deu-se por vencida, mas acabou gastando US$ 2,2 mil por um micro que, na época, não tinha espaço para gravar dados. Era necessário salvar os os textos em disquetes de 5 1/4 polegadas, artifício extinto hoje e incapaz de guardar uma fotografia digital de altíssima qualidade para fazer uma impressão do tamanho de um pôster.
Um ano depois, Cora que sempre havia escrito sobre cultura, achou que era necessário criar um espaço nos jornais para falar sobre computação pessoal. Agora era sua vez de convencer alguém. Bateu inúmeras vezes na porta do diretor de redação do Jornal do Brasil, onde trabalhava na época. "Não sei se ele topou por insistência, lembro-me que a coluna foi publicada em economia, em ciência. Até na seção de náutica, ela saiu."
Foi provavelmente a primeira coluna que relatava semanalmente experiências de usuários. Cora admite que era um espaço para uma tribo de no máximo dez pessoas no Rio de Janeiro, entre elas, os escritores Rubem Fonseca e Millôr Fernandes.
A tribo foi ganhando adeptos e Cora acabou fazendo mais amigos, com os quais travava discussões intermináveis sobre programas para editar textos, o preferido por alguns escritores, o que tinha mais recursos para acentuar ou para imprimir. "Nem posso contar as inúmeras noites que passei desenvolvendo um programa para conseguir fazer uma tabela de conversão para que uma Epson imprimisse textos no Volks-Writer ou no WordStar."
No final dos anos 80, houve uma segunda mudança radical na vida da jornalista. A reserva de mercado de informática chegava ao fim. Hoje, Cora lembra rindo que ter computador importado em empresas era crime.
"Se alguém fizesse uma denúncia, lá vinha a polícia e apreendia tudo." Passados vários anos, ela ainda prefere não revelar nomes de duas grandes editoras que mantinham o CPD - Centro de Processamento de Dados - com equipamentos no banheiro feminino ou em parede falsa. "E se alguém ressuscitar algum imposto atrasado?"
Enquanto o País resolvia suas idiossincrasias com a reserva, havia sempre alguém tentando fazer seu micro funcionar. Aliás, é de Millôr a seguinte frase: "Computador é uma máquina genial rodeada de três imbecis perguntando por que não funciona". Hoje, acredita Cora, a tecnologia está mais familiar para o leigo, mas "é inegável, sempre dá pau". Prova disso é o gravador digital, do qual a repórter teve de abrir mão, após malsucedidas tentativas de gravar a entrevista para a Rádio Eldorado.
Máquinas que dão pau nunca fizeram a jornalista largar do vício de tecnologia. Ela sempre saiu na frente comprando novidades em traquitanas digitais.
Apesar de se considerar conservadora, tem sempre câmeras digitais de todos os tipos. Usa quatro celulares, três deles com câmera digital e já perdeu a conta do número de palmtops que passaram pela sua mão. Desistiu de um Clié, da Sony, e agora não desgruda de um palmtop com câmera digital. Seu gravador também é digital.
Apesar de continuar praguejando quando algum equipamento dá pau, Cora enviou as gravações para o rádio da varanda de seu apartamento, em frente da lagoa Rodrigo de Freitas, com transmissão sem fio.
Quando ela pensou que a tecnologia estava um marasmo, veio a internet. Isso foi no início dos anos 90. "Nunca mais consegui ficar entediada. Muito menos sair da área de tecnologia." A internet explodiu, milhões de pessoas entraram na rede, criaram seus sites, criou-se a mensagem indesejada, que ganhou o apelido de spam e rende até hoje inúmeras reportagens.
Paralelamente, surgiu outro mundo, o da imagem digital. A viciada em traquitanas não hesitou em comprar sua câmera digital, que fazia fotinhos que não mereciam ser impressas.
Hoje, Cora anda munida com duas máquinas a tiracolo. Isso sem falar nos celulares que tiram fotos. Indagada se celular com câmera digital é um modismo, contesta: "Daqui a alguns anos, vamos olhar para trás e vamos nos perguntar como usávamos celular sem câmera. A imagem é uma informação. Você fala com seu interlocutor do outro lado do mundo e mostra a roupa que quer comprar." Há uma proximidade que ele promove. E preconiza que "há uma nova forma de recado. A câmera será parte fundamental de um aparelho".
Enquanto o século 21 dava seus primeiros passos e Cora disparava seus cliques, a internet ganhou novo fôlego. Nasceram os diários virtuais - os blogs.
"O grande impacto do blog é a facilidade de uso. Os ciberdiários levam a liberdade de imprensa a todos. Qualquer um passa a ser 'imprensa'. O que significa que todos podem dar seu recado."
Opina que o blog é uma grande ferramenta de liberdade, "na medida que fica muito difícil, a partir dele, um governo ocultar uma coisa, uma ditadura impedir a informação das pessoas, em qualquer parte do mundo". Não é à toa que seu blog www.cronai.com atrai centenas de leitores e vira pauta para sua crônica semanal no caderno de cultura do Globo, onde ela edita o suplemento Informática Etc.
Onde há um computador, uma pessoa e uma conexão pode haver um blog, pode haver uma fonte de informação da maior importância. "O blog não se limita ao mundo adolescente. Isso não desmerece a ferramenta. Serve a todos, como os jornalistas independentes que cobriram a Guerra do Iraque."
LINK : Estado de São Paulo, 8.11.2004
16/09/2004
Filme sobre tortura de gato causa protestos em Toronto
TORONTO (Reuters) - Manifestantes em Toronto, na terça-feira, tentaram convencer espectadores diante de um cinema da cidade a boicotar um documentário sobre um julgamento por crueldade contra animais, num caso em que três amigos filmaram um gato sendo esfolado vivo, supostamente como um trabalho de arte.
O grupo de Toronto Freedom for Animals (Liberdade para os Animais) vem organizando protestos diários no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Quase 100 pessoas participaram da manifestação na terça-feira, na pré-estréia mundial de "Casuistry: The Art of Killing a Cat" (Casuísmo -- A Arte de Matar um Gato).
O documentário de 91 minutos contém entrevistas com os três matadores de gatos -- Jesse Power, Anthony Wennekers e Matt Kaczorowski -- e com defensores de animais, artistas, policiais e jornalistas. O filme não mostra a mutilação e morte do animal.
Em maio de 2001, Power chamou Wennekers e Kaczorowski para fazer um vídeo que Power, ex-vegetariano, disse que seria uma declaração artística sobre o sofrimento de animais abatidos para o consumo de sua carne.
Eles filmaram um gato enquanto primeiro o tentavam com um camundongo, depois o esfolavam, decapitavam e estripavam, deixando seu corpo dependurado do teto. Power pretendia comer o gato, mas não teve a chance de fazê-lo. O gato esfolado foi encontrado na geladeira de cervejas da casa onde ele morava.
"Não cheguei a comer o gato, mas muitas outras pessoas estão fazendo a festa com ele", disse Power em "Casuistry".
Os três acabaram confessando-se culpados de crueldade e maus-tratos a animais. Defensores dos direitos de animais ficaram revoltados quando eles foram condenados a uma pena de prisão mínima.
Até o início do Festival de Toronto, ativistas dos direitos dos animais vinham pedindo a retirada de "Casuistry" do programa do evento.
"Este chamado documentário está chocando as pessoas porque está proporcionando uma plataforma para Power", disse Suzanne Lahaie, co-fundadora do Freedom for Animals.
Mas Noah Cowan, co-diretor do festival, rejeitou os chamados. Em declaração feita antes do início do evento, explicou: "Os festivais de cinema existem em parte para gerar discussões inteligentes e lógicas, não para reprimi-las."
Os organizadores do festival disseram que as duas sessões previstas do filme serão realizadas, apesar de uma ameaça feita a um dos funcionários do evento, pelo telefone, de "esfolá-lo vivo" e "enfiar facas em seus olhos".
Os transeuntes assistiram ao protesto da terça-feira com curiosidade. Para alguns, a própria curiosidade os levou a comprar ingressos para as sessões.
A estudante de psicologia Michelle Dent disse que queria ver o que havia por trás do "ato violento e anti-social", mesmo que "Casuistry" não inclua imagens do vídeo explícito de 17 minutos feito por Power.
O diretor de "Casuistry", Zev Asher, disse não achar que seu trabalho glorifica o suposto trabalho de artes dos jovens, mas que fez o filme porque ficou fascinado com a atenção que o trabalho original despertou na mídia internacional. (
Ka Yan Ng)
18/07/2004
Fotolog + Ubbi:
Como se livrar do banner
A receita para PC usando M$ IE
Dica de
/borghetti:
1. Abrir em "ferramentas" ali em cima do browser "Opções da Internet";
2. Em "Geral", clique em "configurações" dos "Arquivos temporários de Internet";
3. Clique em "exibir arquivos";
4. Quando abrir a janela com os temporários, procure "cookie:administrador@fotolog". O administrador pode ser o nome do usuário, depende do micro;
5. clique duas vezes. Vai abrir uma janela escrito: "pode não ser seguro executar um comando de sistema neste item. Deseja continuar?" Responda: sim;
6. Vai abrir uma janela com uma linha do tipo: FCC BR fotolog.net/1536274540;
7. Alterar o BR para PT, por exemplo;
8. Quando fechar, vai perguntar se quer salvar. Responda sim;
9. Feche o Internet Explorer e abra novamente.
A receita para PC usando Mozilla Firefox
Dica de
/borghetti:
1. FECHE o Firefox!
2. Procure no seu disco C: o arquivo "cookies.txt", sem as aspas!
Se você usa o WinXP, vai estar em C:\Documents and Settings\ seunomedeusuário\ Dados de Aplicativos\ Mozilla\ Firefox\ Profiles\ default.xxx\ cookies.txt
Obs: O fotolog vai mostrar duas barras no endereço acima quando na verdade é só uma, ok?
3. Crie uma cópia deste arquivo, por segurança;
4. Abra o arquivo original;
5. Localize, diferenciando maiúsculas e minúsculas, as letras "BR" -- IMPORTANTE: devem estar em maiúsculas ao procurar;
6. Você vai encontrar um trecho mais ou menos assim:
".fotolog.net TRUE / FALSE 1579064400 FCC BR"
7. Agora você muda esse "BR" final por PT, DK, FR, UK, ES, IT ou qualquer outro país que não seja da América do Sul;
8. Salve, feche o notepad e abra o Firefox.
A receita para Mac:
Dica de
Pixelman
Para tirar o pink horror banner no Safari (Mac OS 10):
1. Entre em HOME/LIBRARY/COOKIES;
2. Abra o arquivo "cokies.plist" no TextEdit;
3. No TextEdit dê um "find" por fotolog;
4. Vá na linha "BR" e mude para PT;
5. Salve o arquivo e abra o Safari novamente.
6. Seja feliz!
28/05/2004
Weapons of Math Instruction
At New York's Kennedy airport today, an individual later discovered to be a public school teacher was arrested trying to board a flight while in possession of a ruler, a protractor, a setsquare, a slide rule, and a calculator.
At a morning press conference, Attorney general John Ashcroft said he believes the man is a member of the notorious al-gebra movement. He is being charged by the FBI with carrying weapons of math instruction.
"Al-gebra is a fearsome cult,", Ashcroft said. "They desire average solutions by means and extremes, and sometimes go off on tangents in a search of absolute value. They use secret code names like "x" and "y" and refer to themselves as "unknowns", but we have determined they belong to a common denominator of the axis of medieval with coordinates in every country.
"As the Greek philanderer Isosceles used to say, there are 3 sides to every triangle," Ashcroft declared.
When asked to comment on the arrest, President Bush said, "If God had wanted us to have better weapons of math instruction, He would have given us more fingers and toes.
"I am gratified that our government has given us a sine that it is intent on protracting us from these math-dogs who are willing to disintegrate us with calculus disregard. Murky statisticians love to inflict plane on every sphere of influence," the President said, adding: "Under the circumferences, we must differentiate their root, make our point, and draw the line."
President Bush warned, "These weapons of math instruction have the potential to decimal everything in their math on a scalene never before seen unless we become exponents of a Higher Power and begin to factor-in random facts of vertex."
Attorney General Ashcroft said, "As our Great Leader would say, read my ellipse. Here is one principle he is uncertainty of: though they continue to multiply, their days are numbered as the hypotenuse tightens around their necks."
11/05/2004
Deu no The New York Times
Merval Pereira
O correspondente do "New York Times" Larry Rohter não tirou do vazio o tema de sua reportagem polêmica sobre o hábito de bebericar do presidente Lula. É a mais pura verdade e há muito tempo circulam boatos, especialmente em Brasília, de que o presidente Lula anda exagerando na bebida, e este é um assunto recorrente nas conversas entre políticos e empresários.
É verdade, também, que o operário Lula habituou-se a beber conhaque nas madrugadas frias do ABC paulista. Mas nada disso forma um quadro de "preocupação nacional" que bote em dúvida a capacidade de Lula governar.
A reportagem dificilmente seria considerada caluniosa, pois apenas relata impressões e declarações de políticos e jornalistas, uns mais, outros menos confiáveis, já publicados anteriormente em jornais brasileiros. Todos se referindo a supostas situações não comprovadas.
Rohter teve o cuidado de botar na reportagem declarações de representantes do governo e do jornalista Ali Kamel, aqui no GLOBO, refutando as insinuações de que Lula anda bebendo demais. Trata-se do que, em gíria jornalística, chamamos de uma "recortagem", uma reportagem escrita com uma seleção de declarações e notas publicadas em diversos jornais e revistas.
A "recortagem" do "The New York Times" não é caluniosa, é simplesmente irresponsável, pois se baseia em boatos e fofocas políticas, mais parece uma daquelas reportagens de revistas sensacionalistas com fofocas sobre artistas que invariavelmente resultam em processos milionários.
O que espanta na matéria de Rohter é ela ter sido publicada pelo "The New York Times", tido como um paradigma da imprensa mundial pela seriedade com que selecionava ?todas as notícias que merecem ser publicadas?, como diz seu pretensioso slogan.
Esta, certamente, não era uma notícia que merecesse ser publicada pelo "Times". Se saísse num tablóide popular, não provocaria qualquer estrago na imagem pública do Brasil nem seria de surpreender. Mas, depois do caso Jason Blair, o mentiroso que inventou várias reportagens e acabou provocando um terremoto no até então mais respeitável jornal americano, era de se supor que o ?The New York Times? tivesse montado um esquema de filtragem que impedisse uma irresponsabilidade dessas de ser publicada.
Pelo jeito, o ombudsman, figura criada depois do escândalo para fazer a autocrítica do jornal e servir de alerta interno, vai ter muito trabalho. O mais grave é a edição, que demonstra que o corpo do jornal, e não apenas seu correspondente no Rio de Janeiro, tem culpa na divulgação de boatos e fofocas atingindo o presidente.
A foto publicada para ilustrar a reportagem mostra o presidente Lula com um chapéu de tirolês levantando um copo de chope na Ocktoberfest em Blumenau, Santa Catarina. Ora, se o presidente estivesse em outro lugar, seria inusitado o chapéu e a caneca de chope. Mas, na festa da cerveja?
Ilustrar uma reportagem sobre o suposto hábito de beber além da conta do presidente Lula com uma foto dessas, ou é desinformação completa ou é má-fé.
Eu já participei de vários jantares e almoços em que o presidente Lula esteve presente, e já o vi beber diversos tipos de bebida, inclusive "bebidas fortes" como cachaça. Mas nunca o vi bêbado, e nada indica nos seus atos que esse gosto pela bebida seja um empecilho à sua atuação na Presidência. Nunca também ouvi um relato de primeira mão de alguém que o tenha visto bêbado.
O hábito de fazer improvisos, criticado por muitos, inclusive por mim, nada tem a ver com a bebida, e não tenho notícia de que alguma vez Lula tenha errado num improviso por ter bebido demais. Pode ser inadequado para um presidente dizer a um grupo de políticos que acordou "invocado" e resolveu telefonar para o Bush. Mas isso nada tem a ver com a bebida, pois naquela noite, segundo os relatos, o presidente bebeu apenas uma dose de uísque.
Não me lembro de jornais sérios, como o "The New York Times", terem publicado algum tipo de boato envolvendo o presidente Bush e bebidas. Como se sabe, o atual presidente americano se tratou de alcoolismo, e ele mesmo se encarrega de fazer a apologia de sua vitória sobre o vício, declarando-a uma obra divina.
O ex-primeiro ministro português Mario Soares conta uma história que o impressionou negativamente, e o fazia temer a guerra com o Iraque, que acabou acontecendo. Segundo o relato de Mario Soares, ao receber um enviado do Papa com um apelo para que não invadisse o Iraque, Bush teria feito um resumo de sua vida, contando que fora alcoólatra e drogado. E encerrou a conversa com a seguinte argumentação: "O senhor acha que eu estaria aqui hoje se não fosse vontade de Deus?"
Relato semelhante está no livro de um ex-assessor de Bush, David Frum, chamado "O homem certo: a surpreendente Presidência de George W. Bush". Segundo ele, Bush, ao receber um grupo de reverendos protestantes, saiu-se com essa: "Vocês sabem, eu tive um problema com bebida. Eu deveria estar agora em um bar do Texas, e não no Salão Oval. Só existe uma razão para eu estar aqui no Salão Oval e não em um bar: eu encontrei a fé. Eu encontrei Deus. Eu estou aqui pelo poder das preces".
Não me consta que algum jornal sério como o "The New York Times" tenha levantado dúvidas sobre a sanidade do presidente Bush com base nesses e em outros relatos, muito mais confiáveis do que alguns em que se baseou Larry Rohter para escrever sua matéria.
Houve também uma ocasião em que o presidente Bush levou um tombo em sua fazenda no Texas, e boatos sobre uma recaída no vício da bebida circularam o mundo. Não me lembro de que um jornal sério como o "The New York Times" tenha feito alusões a essa suposta recaída.
O fato é que, como disse o porta-voz da Presidência, jornalista André Singer, a reportagem do "The New York Times" beira o jornalismo marrom, e só foi escrita e publicada devido a um preconceito social e político. O correspondente do "The New York Times" deveria ser punido não por ter caluniado o presidente Lula, pois tecnicamente não o fez. Mas por ser irresponsável e preguiçoso.
(O Globo, 11.5.2004)
22/04/2004
HORROR
A Cassia Schittini me mandou esta mensagem.
É um caso tão horrendo que nem dá para imaginar.
Cora,
Peço que você divulgue o caso para seus amigos. No dia 3 de abril o estudante Thiago B. de Lima, que faz o terceiro ano do curso de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense em Umuarama (PR), jogou álcool e ateou fogo no cachorro Fred, que fora atraído à sua casa porque a cachorra de Thiago não era castrada e estava no cio. Thiago B. de Lima não queria um vira-latas rondando a sua casa. O cachorro foi encontrado por uma protetora de animais dois dias depois do ocorrido e levado para uma clínica veterinária, onde faleceu no dia 20. Fred sofreu queimaduras de até quarto grau e teve tecido ósseo exposto.
O crime foi denunciado à polícia e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Thiago B. Lima foi autuado por maus tratos pela polícia e por crime ambiental pelo IAP. As penas previstas pela lei 9605/98 são de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e no caso de morte a pena pode aumentar em um sexto ou um terço, dependendo da gravidade do caso. O acadêmico prestará depoimento na polícia no próximo dia 7.
A Unipar decidiu ignorar o caso e declarou que só tomará providências quando for comprovada a participação do estudante no caso, embora existam testemunhas, fotos e laudos veterinários do caso. Com a morosidade do processo judiciário brasileiro, até lá, Thiago B. de Lima pode ter concluído o curso e estar exercendo a profissão de médico veterinário.
Estamos solicitando a expulsão do estudante Thiago B. de Lima do curso de Medicina Veterinária da Unipar.
Aqui, a lista corrida de emails para facilitar o envio.
Piau@unipar.br; prof@listas.unipar.br;sas1d-umu @ unipar.br; rohino @ bol.com.br; crmv-pr@crmv-pr.org.br; del.umuarama@crmv-pr.org.br; umuarama@ilustrado.com.br.
E acessem:
www.atribunaonline.com.br
Na página inicial tem a opção fale com a gente
Os emails são destinados à Coordenação do curso de Medicina Veterinária: Lista de professores da Unipar:
Secretarias Acadêmicas Setoriais CRMV - Paraná, DELEGACIA REGIONAL DO CRMV-PR EM UMUARAMA
Matérias sobre o caso:
Jornal A Tribuna - Umuarama
21 DE ABRIL DE 2004 - COTIDIANO
Morre cão que foi incendiado vivo
Umuarama
Silvia Lira
O cão Fred, incendiado vivo no último dia 3, morreu na madrugada de ontem na clínica para animais, onde estava internado desde do dia 5. O laudo dos médicos veterinários, que cuidavam do cão, acusaram como causa da morte falência múltipla de órgãos.
Segundo o médico veterinário Alex Sander Dias Machado, o quadro clínico do cão piorou no final de semana, quando ele parou de se alimentar. Para que ele não ficasse desnutrido os alimentos eram injetados no organismo através da veia. Mais de 50% do corpo do cachorro sofreu queimaduras de 1º, 2º, 3º e 4º grau. Em algumas partes houve exposição óssea. Ele sofreu graves lesões musculares, não conseguiu repor tecido e estava desidratado. De acordo com Machado, no início do tratamento o estado de saúde do cão era complicado mas estava estável. Após alguns dias as lesões se definiram com a perda de tecido e foram constatadas lesões de 3º e 4º grau.
"O que mais nos marcou neste caso foi o sofrimento de um animal com personalidade tão dócil como era a do Fred. Apesar da dor ele nunca nos agrediu com mordidas, pelo contrário dava um olhar de agradecimento a cada cuidado dispensado a ele. Trabalho com animais há cinco anos e nunca atendi nenhum como ele. Sua saúde era perfeita antes do fato ocorrer. O castigo dado a ele não tem justificativa", afirmou.
O cão foi incendiado no último dia 3 à tarde, em frente uma residência na rua Amazonas. Segundo a presidente da Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama (Saau), Iracema Drumont, ele teria tentado entrar em um quintal onde havia uma cadela no cio, mas o dono da cachorro o acadêmico de Medicina Veterinária, Tiago Lima se irritou e resolveu castigá-lo. De acordo com Iracema, o rapaz jogou álcool no corpo do animal e depois ateou fogo. Vizinhos que presenciaram o crime teriam avisado a Polícia Militar e depois ela.
O crime foi denunciado pela Saau à polícia e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Ele foi autuado por maus tratos pela polícia e por crime ambiental pelo IAP. As penas previstas são de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e no caso de morte a pena pode aumentar em um sexto ou um terço, dependendo da gravidade do caso.
O acadêmico prestará depoimento na polícia no próximo dia 7.
Jornal Tribuna de Umuarama
Cão morre com 60% de queimaduras
Vitima de um ato ilícito, o cachorro Fred ficou conhecido em toda cidade por ter sofrido queimaduras em 60% do seu corpo, tendo como acusado de ser responsável pelo crime, um estudante do curso de Medicina Veterinária de uma universidade da cidade. Segundo testemunhas o acusado teria jogado álcool no cão e em seguida ateado fogo, causando queimaduras de terceiro grau em grande parte do corpo do animal. Revoltadas, as testemunhas acionaram a polícia e a Saau (Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama), que foram até o local.
Atendido inicialmente no dia 05 deste mês, foi constatado em exames que as queimaduras alcançavam níveis de lesões em primeiro, segundo e terceiro grau no tecido cutâneo. Além de muita dor e aparente estado de choque, foi medicado analgésicos para o alivio da dor, anti-inflamatórios para o combate as bactérias e inflamações e os melhores antibióticos que a clinica possui. "Quando ele chegou a clinica, o prognóstico inicial era reservado, no que diz respeito, nem bom, nem ruim, já que não havia uma noção exata das queimaduras", afirmou o médico veterinário, Alex Sander Dias Machado, sócio da clínica S.O.S. Animal.
O prognóstico reservado se alterou nos últimos quatro dias devido à franqueza intensa que o animal vinha sentindo, primeiramente verificado pelo esforço que seu organismo estava desprendendo, já que, "quando há queimaduras, as células lutam para não morrer, então o que houve foi uma falência do sistema renal que se esforçou intensificadamente para suprir as necessidades hepáticas, pois o tecido uma vez queimado, é exposto ao contato com bactérias e a morte celular libera toxinas que deprimem o organismo do animal, levando-o a morte, principalmente pelas defesas que são impostas e no caso desta vitima foram extremamente utilizadas", afirmaram Alex Sander e seu sócio, o médico veterinário Yusuhiro Furuushi.
Em exame laboratorial, foi detectada uma quantidade anormal de uma determinada enzima que caracteriza o nível de queimaduras dos tecidos. Costumeiramente esse número, medido pela Unidade Internacional dividido por litros, segue de 1,15 até no máximo dos casos de queimadura, 28 U.I./Litro. "Neste cachorro, o nível destas enzimas alcançou o número extremo de 231,5 U.I./Litro no animal, o que determina que este teve aumentado, em mais de 10 vezes o nível suportável de lesão nos tecidos cutâneos", afirmou Alex Sander.
"Sendo um termo pouco utilizado no linguajar popular, devido a pouca decorrência deste episódio, as queimaduras atingiram o quarto grau em lesões, algo completamente anormal e que consecutivamente causaria, mais cedo ou mais tarde o óbito do animal, que teve exposição dos ossos nos cotovelos, por possuir uma quantia menor de tecido muscular no local", completou o médico veterinário. O que houve foi uma falência múltipla de orgãos, sendo que nos últimos 4 dias ele não se alimentava mais, tendo sido modificada a sua dieta, balanceando e reforçando vitaminas e minerais; pela manhã de segunda-feira foi necessário uma transfusão de sangue e na terça-feira o prognóstico já era tido como sombrio, segundo informações da clínica veterinária. "Para ele sobreviver, de fato, suas queimaduras deveriam ser menores e posteriormente receber uma alimentação reforçada e, não foi este o caso", salientou o Dr. Alex Sander.
Crimes Ambientais
De acordo com o código de Leis para Crimes Ambientais, até 1998 este tipo de episódio era tido como contravenção e a partir deste ano tomou a proporção de crime pela Lei 9.605, de 12/02/1998. Segundo código é crime praticar atos de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais; com penalidades como detenção de três meses a um ano de reclusão ou multa. Em caso de óbito do animal, a pena pode ser aumentada em um terço a um sexto.
A Universidade Paranaense – Unipar, notificou a imprensa que, tanto quanto à sociedade umuaramense, está chocada com o ato de crueldade praticado contra o cão no sábado, dia 03. No entanto, reserva-se o direito de somente pronunciar-se a respeito quando, no desenrolar do inquérito policial e ficar comprovada a participação ativa de aluno da instituição no lamentável episódio.
24/09/2003
O chat do Comunique-se
"Vivência cultural te faz melhor jornalista"
Blogs, fotologs e o Caso Gugu foram alguns dos temas abordados durante o "Papo na Redação" desta quarta-feira (24/09) com Cora Rónai, editora do caderno de Informática e colunista do jornal O Globo. "Acho o blog uma caixa de ressonância genial pra gente ouvir os leitores. E os blogs modificam o jornalismo na medida em que os leitores que têm blogs passam a ser, de certa forma, 'colegas'. As pessoas começam a buscar as informações por nomes de outras pessoas, e não por griffes", disse ela, ao responder uma das perguntas dos usuários que participaram do chat.
"O papo foi muito bom. O pessoal é simpático e encontrei vários amigos", comentou Cora.
Leia o "Papo na Redação" com Cora Rónai:
[14:56:53] - Paulo R. Treib (Diretor - Produtos - Gazeta do Sul - RS - Santa Cruz do Sul) pergunta para Cora Rónai: Cora: é verdade a estória de que você era uma fã juramentada de PC/WINDOWS e quando conheceu o iMac foi amor à primeira vista. Este amor continua ou foi um namoro de verão ?
Cora Rónai responde: Nunca fui fã do Windows, muito menos juramentada. Mas me apaixonei pelo iMac sim. Paixão platônica, infeli$$mente...
[14:58:19] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde, Cora! Acompanho sempre sua coluna em O Globo e gosto muito dos temas focados, principalmente a sua especilidade - a Informática. Estou fazendo minha monografia em cima justamente dos blogs. Você foi uma das primeiras jornalistas brasileiras a utilizarem tal ferramenta. Como acha que ela modifica o Jornalismo?
Cora Rónai responde: Acho o blog uma caixa de ressonância genial pra gente ouvir os leitores. E os blogs modificam o jornalismo na medida em que os leitores que têm blogs passam a ser, de certa forma, "colegas". As pessoas começam a buscar as informações por nomes de outras pessoas, e não por griffes.
[14:59:37] - Fábio Santos (Assessor de Comunicação - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde, é uma prazer estar aqui. Qual é a sua formação? Como você avalia o papel do cumunicador no mundo dos negócios?
Cora Rónai responde: Não sou formada em nada. Não fiz universidade. Comecei a trabalhar aos 17 anos. Mas leio absolutamente tudo que cai na minha frente desde que me tenho por gente...
[15:00:31] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Querida Cora, fui testemunha há mais ou menos 8 anos, quando você e a Cristina De Luca criaram a primeira página em Hot Dog do Globo on Line. Você tinha um modem jurássico, instalou numa salinha do globo e mostrou a página para um Diretor do Globo que apostou na novidade. Agora com a fotografia digital e tudo o mais eu pergunto: em que você apostaria de novo? Um grande beijo e saudades.
Cora Rónai responde: Ritinha!!! Saudades!!! Neste momento estou apostando numa comunicação muito rápida, muito visual. Fotolog é um exemplo.
[15:03:18] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Boa Tarde, Cora. É um prazer dividir esta tarde com você, via Web. Você acredita na Internet como meio socializador e dissipador de diferenças sociais? Como você encara o desafio de se fazer um caderno de informática num jornal de grande circulação para um país ainda tem um inexpressivo entendimento desse tipo de tecnologia?
Cora Rónai responde: Acredito sim. Mesmo que a Internet não esteja sendo usada diretamente por quem se beneficia dela. Digamos, um agricultor no interior, que nunca vai chegar perto de um computador; mas o técnico em agricultura que ele conhece vai, e vai poder transmitir mais e melhores informações para ele. Quanto ao caderno, bem, ele é feito para uma parcela pequena da população, naturalmente. Mas até quem compra jornal hoje é uma parcela pequena da população, não?
[15:04:47] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Cora, o desafio da alfabetização digital é algo que o país terá que enfrentar de frente mais cedo ou mais tarde. E quanto mais rápido tomar decisões, mais preparado estará para o futuro. As políticas governamentais neste setor têm sido bem aplicadas?
Cora Rónai responde: De jeito nenhum. A importância da TI (tecnologia da informação) ainda não foi devidamente compreendida pelo governo. Nenhum governo.
[15:05:27] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Por falar em fotolog, aquela do saleiro iluminado em sua coluna foi genial.
Cora Rónai responde: Pra você ver, Aline! Aquela foto foi feita com um Palm Zire, quer dizer: menos do que uma xereta... ;-)
[15:07:24] - Felipe Vogel (Outros - SKAssociados) pergunta para Cora Rónai: Você adota algum critério para escolher as matérias de capa do caderno de informática?
Cora Rónai responde: Critério básico: o assunto tem que ser interessante. Depois, a matéria tem que estar bem escrita -- o que, modéstia à parte, no Info etc. é praticamente normal. A equipe é ÓTIMA... :-)
[15:07:59] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Você disse que não cursou nenhuma faculdade. Acredita que a boa formação é hereditária, visto que você é filha do Paulo Rónai? Literatura de pai passa para filho?
Cora Rónai responde: Literatura não passa, mas gosto por literatura sim. Gosto por estudo, no sentido mais amplo da palavra, também.
[15:09:12] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: Na sua opinião, por que os produtos da Apple não têm um grau maior de aceitação aqui no Brasil, além do fato de serem relativamente alto seus preços ?
Cora Rónai responde: O preço é o principal problema. Mas, além disso, a Apple não conseguiu criar uma "cultura Apple" quando ainda poderia ter feito isso, isto é, quando a informática estava começando a se desenvolver por aqui. E por lá, claro...
[15:10:10] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Você acha que o E-Learning pode ser uma onda nova na Internet?
Cora Rónai responde: Não sei se é onda; essas coisas às vezes começam com muito barulho, depois, claro, deixam de ser novidade. Mas isso não quer dizer que elas não continuem lá.
[15:10:49] - Silvia Caseiro (Redator - Editora Net Alpha) pergunta para Cora Rónai: Olá Cora, sou redatora e assessora de imprensa do site Guia Planeta, gostaria de saber quais os critérios são adotados para repercussão de uma notícia, cuja informação vem da assessoria de imprensa de uma empresa desconhecida?
Cora Rónai responde: Se o assunto for interessante, terá repercussão.
[15:11:02] - Felipe Vogel (Programador Analista - Comunique-se) pergunta para Cora Rónai: Você acredita no fim da pirataria de software?
Cora Rónai responde: Não. Graças a Deus.
[15:12:18] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Você acha que com o sucesso do Fotolog, os blogs podem ser deixados um pouco de lado?
Cora Rónai responde: Olá, Ronize! Acho que os flogs são uma evolução natural dos blogs. A comunicação é mais rápida, flui melhor. Mas isso só vale para gente que se comunica bem visualmente. Os blogs sempre terão o seu... uh, "espaço".
[15:13:41] - Marcelo Souza (Profissional Contratado - Ferreira de Souza) pergunta para Cora Rónai: Pelo que me lembro, o Millôr Fernandes foi um dos primeiros grandes jornalistas, escritores, pensadores, artistas consagrados, que não tiveram medo de se aliar à tecnologia para facilitar o seu trabalho. Qual foi sua influência para isso ?
Cora Rónai responde: Nós começamos juntos. Na verdade, ele se interessou antes de mim, mas eu acabei me empolgando antes. Compramos máquinas simultaneamente (em 86) e vivemos juntos essa experiência. A diferença é que eu ainda estou viajando nessa e ele já deu a volta por cima e já retornou ao bico de pena... ;-)
[15:15:11] - Fausto Rêgo (Jornalista - Rits - RJ) pergunta para Cora Rónai: Oi, Cora. Você começou o seu blog muito antes de O Globo ter a (ótima) idéia de criar blogs para seus colunistas. Queria saber como se deu esse processo interno de discussão do uso dos blogs pelo jornal e se vocês, do caderno de Informática, participaram dessa discussão.
Cora Rónai responde: Bom, na verdade, a idéia de se criar blogs lá foi minha. Mas eu apenas dei essa idéia, e o pessoal do Globo On levou em frente. O Info etc. não teve nada a ver com o desenvolvimento posterior da idéia, embora algumas pessoas que escrevem para nós, como a Cris, o Cat e Gravatá tenham se empenhado muito nos testes e nas sugestões. Beijo grande, Mosca!!!
[15:15:53] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Cora, muito se fala dos muitos benefícios trazidos ao jornalismo pela informática, entre eles a visível praticidade. Você conseguiria apontar alguns fatores negativos?
Cora Rónai responde: Negativos? Hmmm. Taí. Com a possível exceção do fato de que agora a casa da gente passa a ser uma extensão da redação, nenhum.
[15:17:37] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: o que você está lendo?
Cora Rónai responde: Vivir para contarla, de Garcia Marquez; Balzac and the little chinese seamstress, de um autor chinês cujo nome não me lembro nunca, teria que pegar o livro na mesinha de cabeceira; a National Geographic deste mês; mais uma pilha de revistas sobre foto digital e aparellhos wireless, meu xodó do momento. E o New Yorker.
[15:19:42] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: `ex-diretor de marketing da Apple fala sobre seus ex-colegas e diz que é culpa deles a Apple não ser uma empresa de sucesso. Em uma carta aberta ao blog Apple Computer History, Michael Mace acusa seus ex-colegas de estupidez grupal e diz que a companhia foi destruída por uma cultura doente e desfuncional. 'A Apple Computer como um todo é uma falha total'`, por Felipe Cichini. Comente por favor.
Cora Rónai responde: Eu não conheço a "cultura Apple" da porta pra dentro, mas acho que a empresa cometeu uma série de erros fenomenais ao longo da sua existência. Apostar no mercado estudantil quando quem dá as cartas é o mercado corporativo, arrogância, soluções extremamente verticalizadas, por aí vai... Aqui no Brasil, pode acrescentar péssimo suporte aos usuários.
[15:21:26] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Tratar com leveza um assunto que pode parecer técnico é uma boa saída para conquistar o leitor. Um ?Caderno de Informática? deve receber o mesmo tratamento que outros suplementos do jornal ou é visto como produto diferenciado?
Cora Rónai responde: Lá no Globo, pelo menos, a impressão que eu tenho é que somos umas espécies de ETs. Acho isso bom, porque, na maior parte das vezes, não podemos ser "iguais" ao resto do jornal. Por exemplo, se fossemos grifar todas as palavras estrangeiras, ia ser um transtorno...
[15:22:31] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Cora, você acha que uma pessoa pode iniciar na fotografia digital sem ter uma formação na fotografia tradicional?
Cora Rónai responde: Claro! Talvez seja até melhor. O que sempre é bom, naturalmente, é que a pessoa tenha uma idéia do que é a fotografia; veja o trabalho de outros fotógrafos; conheça os clássicos. Enfim, treine o olho, saiba o que veio antes...
[15:23:32] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Você diria que o leitor do Info etc. é o habituado à tecnologia e que quer estar atualizado ou o neófito que procura orientação?
Cora Rónai responde: Muito misturado, Ronize. Quando a gente dá uma matéria mais técnica, o pessoal light reclama; quando a gente dá matérias leves, os antigos ficam chateadíssimos com a gente e dizem que estamos traindo a causa.
[15:25:43] - Gabriel Damásio de Oliveira (Estudante - UFS - Aracaju) pergunta para Cora Rónai: Cora, gostaria que você falasse um pouco da sua época de jornalismo cultural. Essa bagagem te ajuda ao trabalhar na editoria de Informática?
Cora Rónai responde: Eu trabalhei sempre na área cultural. Comecei a escrever sobre informática em ... 86, ou 87, não lembro bem... você não era nascido... no JB. O fato de ter vindo da área cultural permitiu, acho, que, desde cedo, eu tratasse a TI como uma revolução de costumes, e não apenas como tecnologia pura e simples. Vivência cultural te faz melhor jornalista de qualquer coisa, não só informática.
[15:27:46] - Nivaldo Nocelli (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Cora, tenho lido suas manifestações a respeito da polêmica atuação da indústria fonográfica (RIAA) na questão da troca de arquivos musicais no formato MP3. Qual o desfecho que você imagina para essa questão?
Cora Rónai responde: Não sei. Não estou otimista. O jogo está cada vez mais bruto, e as pessoas se intimidam com isso. De qualquer forma, acho que duas coisas são incontestáveis: 1) O gênio saiu da garrafa, isto é, sempre haverá troca online, ainda que, aos poucos, passe a ser uma atividade clandestina ou fora da lei; 2) O modelo de negócios das gravadoras já era. Ou elas mudam, ou morrem.
[15:28:25] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Quantos anos vão passar até que o Brasil alcance níveis aceitáveis de inclusão digital?
Cora Rónai responde: Rapaz! Quantos anos ainda vão se passar até que o Brasil alcance níveis aceitáveis de inclusão, pura e simplesmente?!
[15:29:08] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: De que maneira o meio acadêmico pode contribuir mais para o processo de democratização do acesso à informática, por parte de pessoas desfavorecidas?
Cora Rónai responde: Trabalhando voluntariamente em ONGs que se dedicam à difusão da informática, por exemplo, pode ser uma forma legal de contribuir.
[15:30:20] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Em relação à sua resposta para a Ronize, qual é a receita para o meio termo, e agradar a todos? Existe ou é papo furado?
Cora Rónai responde: Não dá para agradar a todos. Quando eu publico foto de gato, tem leitor que reclama; quando eu fico muito tempo sem publicar foto de gato, tem leitor que reclama. A gente se acostuma com isso. Desde que agrade a pelo menos 50% dos leitores, já tá bom, né?
[15:33:26] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Qual foi a matéria que você mais gostou de fazer?
Cora Rónai responde: Recentemente, acho que a MacWorld em que foi apresentado o iMac, porque consegui roubar uma revista Time do bolo que desembarcou comigo em São Francisco, e que só ia para as bancas no dia seguinte (segunda); quando cheguei no hotel, postei as fotos da capa e da máquina, dei a descrição toda que ninguém tinha, fiz um carnaval. Claro que fotografei a revista ao lado do meu Thinkpad IBM... só pra chatear. Isso, no blog. Depois me encontrei com Steve Jobs "a nível de gente, enquanto pessoa" e isso foi muito bom; contar essa aventura toda foi uma grande experiência.
[15:33:42] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Quantos Reais você acha saudável investir para ter um bom equipamento?
Cora Rónai responde: O máximo que você puder! Sempre.
[15:34:31] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: E a sua carreira de escritora, como foi influenciada pela informática?
Cora Rónai responde: A minha carreira de escritora praticamente acabou desde que passei a editar o Info etc. Esta é a única influência que consigo notar...
[15:36:34] - Raphael Perret (Assessor de Comunicação Social - Previ-Rio) pergunta para Cora Rónai: Oi, Cora, tudo bem? Você é fã inveterada de blogs e fotologs. Você acha que eles têm potencial para se tornarem ferramentas jornalísticas? Se sim, o que falta?
Cora Rónai responde: Aê, Raphael!!! É claro que eles têm. Os blogs, certamente, já se incorporaram à paisagem da "mídia" e, como provam alguns blogs americanos e aquele jornalista que foi sozinho pro Iraque, com patrocínio dos leitores, podem vir a ser auto-sustentáveis. Os fotologs não sei bem ainda como vão entrar nisso, mas é lógico que vão; são uma ferramenta de comunicação extremamente poderosa.
[15:38:12] - Gabriel Damásio de Oliveira (Estudante - UFS - Aracaju) pergunta para Cora Rónai: Você já acompanhou os programas de rádio sobre informatica que têm em algumas rádios de São Paulo? Que achou deles? Acha que o jeito de escrever que o Info.etc tem serve também para falar de informática no rádio?
Cora Rónai responde: Sem falsa modéstia, acho que o estilo do Info etc. criou escola, e passou a ser o jeito de se escrever e/ou falar de informática. Não sei se os programas de SP são os mesmos do Rio, mas aqui a influência é marcante. Até porque, volta e meia, são colaboradores do Info etc. que fazem ou dirigem os programas.
[15:40:01] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Falando um pouco de televisão: O que você achou do desfecho do caso Domingo Legal? Foi Punição ou Censura prévia?
Cora Rónai responde: Acho perigoso o precedente mas, por outro lado, acho que nada justifica o que o Gugu fez. A única coisa que não entendi foi a surpresa das pessoas em relação à falsificação da notícia do Gugu. Desde quando aquele programa apresenta alguma coisa que não seja falsa?! A começar pelo Gugu?!
[15:41:24] - Hudson Franco (Diagramador - S/A Estado de Minas) pergunta para Cora Rónai: Como `Maqueira`, você aconselharia alguém a usar uma outra plataforma que não o OS da Apple hoje em dia? Você considera OSX ainda é o melhor? Apesar de dizerem que o MAC ainda é o melhor para produção de artes, publicidades, não estaria na hora de eles começarem a abaixar o preço de seus produtos?
Cora Rónai responde: Eu não sou macintóxica! Eu acho o iMac a máquina mais linda que eu já vi, mas continuo usando PC. Não tive bala na agulha para passar para um iMac. Além disso, como escrevo sobre informática para o público em geral, tenho que usar a plataforma mais comum, ou seja, Windows.
[15:42:32] - Louise Santos (Estudante) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde! Atualmente, os jornalistas precisam saber de tudo um pouco. Segundo tuas indicações, o que o estudante precisa saber da área de informática para ter mais chances de entrar no mercado de trabalho?
Cora Rónai responde: O estudante precisa se interessar por tudo. Tem que ter uma curiosidade malsã. Tem que ser uma antena em permanente alerta. Isso basta. Não adianta fazer cursinho disso ou daquilo sem ter real interesse pelo que acontece.
[15:44:00] - Mariana Ribeiro (Estudante) pergunta para Cora Rónai: Boa Tarde!!! Cora, na sua opinião como conciliar a forte concorrência no mercado de trabalho, sem perder a credibilidade, o respeito e a ética?
Cora Rónai responde: Eu ainda sou daquelas pessoas otimistas que acham que a gente vence no mercado de trabalho tendo ética e credibilidade. No dia em que eu deixar de acreditar nisso, vou procurar outra profissão.
[15:45:01] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Sobre a resposta sobre o blog ser ferramentas jornalísticas: Então quer dizer que o Blog não é um fenômeno momentâneo?
Cora Rónai responde: De jeito nenhum. A onda em tornos dos blogs é, mas eles não. É claro que a febre dos blogs é um fenômeno momentâneo, mas a ferramenta blog já é parte do arsenal de quem se comunica.
[15:45:16] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: O que você tem a dizer para os usuários Windows, que estão cansados de rebootar o pc, conviver com a lerdeza, etc, sobre os MAcs e o sistema operacional Mac OS 10.2 (Jaguar) ?
Cora Rónai responde: Usem Linux.
[15:46:15] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Mais televisão: num tempo em que os programas de fofocas, pegadinhas e outras baboseiras dão a tônica na televisão, de que maneira o jornalismo cultural pode galgar o seu espaço na telinha?
Cora Rónai responde: Será que pode? Pelo que assisto por aí, não tenho muita esperança não. Por outro lado, acho que estão pintando coisas curiosas em televisão na Internet. Talvez a saída esteja por aí.
[Volte pro blog]
16/07/2003
From The New York Times
In Los Angeles, Skid Row Resists an Upgrade
By CHARLIE LeDUFF
July 15, 2003
LOS ANGELES, July 13 — The eastern quarter of downtown Los Angeles is a cattle pen, an outdoor outhouse, a human calamity. It is the largest concentration of homelessness in the country.
Thousands of people in the 50 blocks known as Skid Row live on the sidewalks in tents and cardboard condominiums. Thousands more sleep on mission cots, in the back seats of automobiles and in flophouses. Those who can manage it take hotel rooms with creaking bedsprings that let for $107 a week, plus a $2 deposit for a pillow.
A welfare check will buy two weeks in a hotel, an unemployment check will buy three, a Social Security check four. For most, the cash stream dries up in the middle of the month, and then they are back on the street, riding the carousel of misery until a new check arrives.
Skid Row has been 100 years in the making, but things are changing in the "Nickel," the center of homelessness in a city with 41,000 homeless people, a number that is by all accounts rising. With housing scarce and rents high, there is an effort to revitalize the bleak district bound by Main, Alameda, Third and Seventh Streets into something livable and neighborly.
Downtown property is hot. Government agencies are moving in. The Roman Catholic Church recently consecrated a $189 million cathedral, and developers have plans to convert fleabag hotels like the El Dorado and the Frontier into lofts and condominiums. Five thousand housing units are in the works.
The holdup is Skid Row, whose outer edges are now an incongruous mix of women in rags and mudlike faces and women in sweet perfumes and tailored suits.
Once, long ago, this was the choicest part of the city. Silent-movie stars and presidents stayed in hotels like the Alexandria, with its opulent staircases and marble walls. Today, welfare families live there, and the surrounding streets are chockablock with cut-rate garment shacks, liquor stores, warehouses, flower and fish wholesalers and people felled by mental diseases, drugs and bad luck.
Police Chief William J. Bratton, borrowing a page from his days in New York, has instituted sweeps against the so-called quality-of-life criminals who, as the theory goes, will graduate to bigger crimes if left unchecked.
The American Civil Liberties Union is suing the city, arguing that it is rousting sidewalk sleepers without giving them beds. Recently, the city agreed to pay nearly $170,000 to dozens of homeless people who were caught up in the sweeps and then filed suit, charging improper arrest.
Chief Bratton defends the crackdown. "Many there don't want help," he said. "They'll take food and free clothes, but they want to live on the streets. While I have compassion, my job is to do something about it."
Skid Row reeks of a chicken yard. The portable toilets are often used as shooting galleries by addicts, or as makeshift bordellos. Dealers also peddle in front of churches and in view of the local police station.
The women without shelter sleep near the safety of the missions. The mentally ill are left to their demons. The hardcore stay on St. Julian Street — stickmen with glittering eyes and violent impulses. The hotels are occupied by Mr. Smith and Mrs. Jones. The rule of thumb says half the guests are drunk, one-third are crazy, a quarter are service veterans and nearly all have a police record.
Five in the morning is when the police start to roust people from their tents and boxes, the missions begin making breakfast and the smell of coffee permeates.
"I walk at night and sleep in the day," says Alonzso Regazzi, 37, a not-so-down-in-the-heels type who says he does not belong on these gum-stained boulevards. He recently had a job in a doctor's office, he says, and his turn in fortune can be blamed on a nagging wife called crack.
Mr. Regazzi is better off than most out here, with his polished shoes and college education. He is one of the few who, when they hit bottom, bounce. His unemployment checks come every other Thursday, totaling about $775.
"You can't go lower than Skid Row," he says, having found himself a room near the Harbor Freeway. He offered to show a visitor around.
The Midnight Mission on Los Angeles Street is considered the superior eatery on Skid Row. A person is not made to listen to a prayer lecture before being allowed to the table, and there are seconds and thirds.
A clean-looking man, Larry Hatcher, inquires about a friend who fell on hard times. One woman is crying, asking Jesus something. Another says she will not appear in court to answer a ticket for sleeping on the sidewalk.
"They give you a ticket for sleeping on the sidewalk?" Mr. Hatcher asks, arching an eyebrow. "Where are you supposed to go?"
"Jail," says Joy, the one with the ticket.
"Out of the state," says her friend Heidy Pandolfi.
"So my friend could be in jail?" asks the man.
"He probably is," snaps Joy.
Mr. Hatcher appears shocked. He wipes his eyes. "I didn't know it was like this," he says. "There's a lot of misery."
A sign above the women quotes what was, until recently, a rarely enforced law: "No person shall sit, lie, or sleep in or upon any street, sidewalk or other public way."
A man across the street disassembles his tent, arguing with an invisible roommate. The gates on the trinket shops that sell pink poodles and "I H L.A." T-shirts rattle open. When business opens, it's time to get up, and by 8 a.m., the homeless are moving again, headed nowhere.
Homelessness is on the rise across the county, experts say. Unemployment is up, housing is scarce, counties and cities are cutting budgets. In New York, the number of people seeking shelter is up 65 percent since the Sept. 11, 2001, attacks, officials there say. In Chicago, the number of homeless families is up 35 percent from 2001. But in Los Angeles, the problem is gargantuan. With half the population of New York, it has more people on the streets than New York has in its shelters. An additional 45,000 people are homeless in greater Los Angeles County. While New York will spend $640 million on homeless services this year, Los Angeles will spend just $50 million and provide fewer than 13,000 beds.
"The lack of concern for the homeless in Los Angeles is disgraceful," says Lee Baca, the Los Angeles County sheriff, who is fond of saying that his 20,000-bed jail is the largest homeless shelter and psychiatric hospital in the city. "The punitive approach solves absolutely nothing without services to get these people integrated back into society."
Officials who drive out the homeless are like children who push vegetables around a plate, claiming they are gone, said Clancy Imislund, the managing director of the Midnight Mission, himself a former Skid Row resident. "Homelessness is an unsolvable dilemma," Mr. Imislund says. "New York throws $640 million to enable people to keep doing what they're doing. In my 29 years here, I'm convinced not much can be done. All we can do is to help the few that want it and give comfort to those who need it."
The history of vagrancy in Los Angeles is a long one, beginning in the 1870's, when the railroads converged on downtown and the first tramps stepped off the trains. The Midnight Mission was founded in 1914, and now serves 55,000 meals a month. In 1936, during the the Depression, the police began their so-called Bum Blockade, keeping out-of-town migrants and tramps from entering the city. In the early 1980's, when the mental hospitals emptied out, the city concentrated services for the down-and-out on Skid Row.
A city within a city has developed, with citizens from everywhere. Some come from prison, some are runaways, some are former foster children who turned 18, some are refugees of the 9-to-5 world, some are mothers with children. More than half are alcoholics, studies show.
As the shadows grow longer and the afternoon cools, the flies dissipate and action on the street picks up. People leave their rooms, the overpasses, the shadows of the missions. Bills change hands, bundles of euphoria are exchanged, and the missions start preparing supper.
Alonzso Regazzi says he is caught in this world. He fell into the street life a few years ago, drew away, and came back. He sees Skid Row as a spectacular social failure.
"They really are right to clean this place out," Mr. Regazzi says, walking down Los Angeles Street, on the shady part of the boulevard, explaining his life to a stranger.
Sobering up was the easy part, Mr. Regazzi says. "The hard part is facing the world after you're sober."
"So people get addicted to the chaos," he offers. "It's easier than working."
There are, of course, programs. He tried them. But programs only work for those who want them to work. "Jesus helps those who help themselves, right?" Mr. Regazzi says.
There are many ways to earn a living here, he adds: drugs, prostitution or selling parking-meter time to commuters using the old slug-on-a-string method. Welfare is available to indigent single adults — $212 a month from the county — but recipients must prove they are seeking work, and so many do not bother.
People here commonly die by the knife, by the needle, by the front end of a bus, but rarely by suicide, Mr. Regazzi says. He recommends the Hotel Cecil, a common stop on the coroner's route.
"It's the best on Skid Row," Mr. Regazzi says. He stays there occasionally. The lobby is done up with a two-tone marble. There is a small diner and a security man at the elevator. A thumb print and cash are required. The halls are filled with laughter. The toilet on the 15th floor is overflowing.
Outside the hotel, a few men stand around selling drugs. One thin man tells Mr. Regazzi that it wouldn't hurt him to look, and Mr. Regazzi gets the feeling that this very man will someday be preaching on this very same corner. The police circle by, and the hustlers scatter.
A few duck into Crabby Joe's bar at Main and Seventh, and when a crowd like this enters, a little guy named Ike gives the twice-over before dispensing a drink.
Mr. Regazzi nurses a beer, considering the totality of his life. It is growing dark outside. "I'm not like the bums out here," he says. "I'm not born to it. I've never lived in a tent. I'm sure I'll look back on this when I crawl out and say I knew what the bottom was like." He finishes his beer. Ike watches him go out.
A woman is howling under the street lights. "I been in this neighborhood 30 years," Ike says, "and I don't see nothing changing. It's never going to change."
29/05/2003
Culpa da imprensa?Zuenir Ventura
Não são poucos os leitores que crêem na hipótese de que a violência no Rio é, em grande parte, uma construção virtual da imprensa, uma espécie de reflexo amplificado de seus exageros. Quando se viaja, então, a pergunta é inevitável: “por que vocês só falam de violência?”. Numa cidade do interior, um jovem repórter insistiu para que eu, em nome do jornalismo, assumisse a responsabilidade pelo medo que nos cerca. Como se já não bastasse o casal Garotinho repassando a culpa de tudo para a mídia.
Anteontem, uma leitora indignada escreveu para O GLOBO perguntando até quando o Rio seria “massacrado pela propaganda da violência”. Ela citava o exemplo de sua empresa, e de outras que estavam sendo prejudicadas pelo que considera ser uma distorção da imprensa local, que ignora o que de ruim se passa em outras cidades para se concentrar nas baixarias daqui. Gaúcha morando no Rio há cinco anos, ela contava: “Ando num carro importado que não é blindado, com pulseira de ouro e tudo a que tenho direito, e afirmo que nunca fui assaltada.”
Um testemunho animador. Mas inúmeros outros podem se contrapor a ele. De qualquer maneira, dei uma olhada no jornal para ver se do que fora publicado havia o que não fosse notícia ou tivesse recebido destaque inadequado. É verdade que nos últimos dias — e não só — os fatos policiais predominaram no noticiário. Na nossa primeira página, Rosinha e Chiquinho confraternizam numa grande foto, enquanto o texto fala do escândalo em que o secretário é acusado de proteger o tráfico na Mangueira.
Nas páginas de dentro, mais notícias relacionadas com violência. De um lado, a matéria do juiz barbaramente espancado e torturado por jovens bandidos de classe média. Mais adiante, o enterro da estudante morta numa falsa blitz. Embaixo, o incidente dos quatro pitboys que agrediram freqüentadores de uma boate gay, espancaram dois guardadores de carros e desafiaram PMs. Ontem, a manchete era o crime brutal, hediondo, “infame”, como disse o ministro Gil, de Almir Chediak. Exagero? Onde está o excesso — nos relatos ou na própria realidade?
Cada um dos acontecimentos noticiados correspondia a um sentimento real — um susto, um choque, um grito de dor. Se a imprensa não pode alarmar, não deve, por outro lado, perder a capacidade de se espantar. Tem de evitar o pânico, mas também a anestesia, a resignação, a desistência de se indignar. Não pode, enfim, aceitar como natural o absurdo que é a violência.
(O Globo, 28.5.2003)
15/05/2003
Laranjinha
Fêmea castrada, vacinada e vermifugada. Porte pequeno/médio, 1 ano.
Extremamente dócil e meiga, com aquele olhar de "olhe pra mim; estou aqui!".
Foi encontrada correndo e atravessando as movimentadas ruas de Botafogo.
Medrosa, mas com certeza só até se sentir segura em novo lar; seu porto seguro.
Espera uma adoção consciente para poder dar muito carinho e amor incondicional à sua nova família.
Para saber de mais detalhes, favor contactar Márcia pelos telefones (21) 2543-3839 e 9963-9919.
14/05/2003
Dar nome aos bois
Alberto Dines
Não adianta, ilusão tem limites: em algum momento a econometria vai esbarrar na realidade. Economia não é abstração. Os C-Bonds, o risco país, a taxa de câmbio e as demais medições estão sendo aplicadas num processo artificial - como nos laboratórios onde as experiências ocorrem em condições ideais, sem as interferências do ambiente.
Era inevitável a contaminação do noticiário político pelo noticiário policial e a conjugação das estatísticas de crimes com as cotações das páginas econômicas. Os manuais e ritos corporativos não permitiram. Mas isso acaba de acontecer no âmbito da imprensa internacional, obrigada a enxergar o país como um fenômeno integrado, sem segmentações aleatórias. Não é coincidência que, nos últimos dias, o New York Times, a BBC-World, o Wall Street Journal e o Economist - os dois últimos com influência mundial na esfera da economia e dos negócios - tenham dedicado bom espaço e bom tempo para tratar da escalada de violência que grassa no país.
Incorremos em outro perigoso engano quando evitamos dar o nome aos bois e nos refugiamos em classificações minimalistas e fictícias. Estamos diante de uma insurreição generalizada, pré-guerra civil. Crime organizado é conversa fiada. Balela. O nome correto é narcoterrorismo.
Os horrores dos anos de chumbo excluíram do vocabulário jurídico os atentados à segurança nacional e agora estamos pagando um preço altíssimo pelos eufemismos e maneirismos lingüísticos que nos impedem de enxergar os problemas nas suas verdadeiras dimensões. A violência federalizou-se e o combate à violência, com ou sem intervenção formal, com ou sem as Forças Armadas nas ruas, deve federalizar-se. Aberta e ostensivamente. Em todas as esferas, inclusive das relações internacionais. As Farc já não podem ser tratadas com punhos de renda, o Complexo da Maré começa no fundo da Baía de Guanabara e termina nas selvas da Colômbia.
Cada vítima, cada violência, cada susto, cada insulto cívico e cada agressão ao Estado de Direito infligido pelo poder-bandido nos lembra que estamos diante de uma emergência federal. Na última terça-feira, o eixo rodoviário Norte-Sul foi seccionado pelas incursões na Linha Vermelha, Linha Amarela e o controle da Avenida Brasil, no Rio. Não são ocorrências paroquiais, metropolitanas ou estaduais; são situações de risco nacional. Esta é uma verdade que precisa ser encarada de frente, com a designação apropriada.
As reconciliações entre dona Rosinha e dona Benedita, as festinhas entre o coronel Bolinha e seus desafetos, além de ridículas, são um ultraje à memória dos caídos e dos humilhados pela Confederação da Violência. Os sorrisinhos cínicos e os tapinhas nas costas na véspera dos funerais de uma sociedade livre flagram a falta de compostura e escancaram a impostura.
O Morro do Turano não é distrito urbano, é agora distrito federal. O atentado (premeditado, conforme evidenciou-se) contra a Universidade Estácio de Sá não cabe num B.O., Boletim de Ocorrências. Merece uma C.R.I, Constatação de Ruptura Institucional.
Quando o governador de fato, Anthony Garotinho, reconhece que perdeu o controle da situação e o ministro da Justiça, no Observatório da Imprensa (terça ultima, pela TV E), diante de uma pergunta da jornalista Dora Kramer, admite constrangido que daria nota cinco ao desempenho das autoridades do Estado do Rio em matéria de segurança, já não há como disfarçar a etiquetagem e a dimensão do desastre.
Essa dimensão não é apenas factual, é conceitual. Quando alguns senadores decentes, como Pedro Simon e Jefferson Peres, propõem que se rasgue o Código de Ética e se dissolva a Comissão de Ética diante da decisão do presidente do Senado de arquivar o processo contra ACM, o Rei do Grampo, percebe-se a imantação moral entre a degradação da lei e da ordem no Rio de Janeiro e a degradação dos costumes políticos nas altas esferas da República.
Quando o PT majoritário - o partido da esperança e da mudança - capitula diante desse ultraje, preocupado com a maioria para aprovar reformas que sempre combateu, delineia-se um vale-tudo político-partidário que explica inclusive a complacência federal com o Casal Governador do Rio de Janeiro que tantas lágrimas e estragos tem custado.
Quando o pseudo-oposicionista PSDB permite que o senador Tasso Jereissati articule abertamente o apoio para proteger os amigos-parceiros ACM e Sarney, numa das manobras mais sórdidas da recente crônica parlamentar, evidencia-se que o partido precisa trocar de nome. Deve deixar de lado o SD (da Social-Democracia) e denominar-se apenas PB, Partido Banana - desfibrado, desossado e emasculado.
Esta é a hora de dar nome aos bois. Antes que os bois irmanados, saneados, risonhos e politicamente corretos, pisoteiem o que sobrou em matéria de decência e coragem.
(Jornal do Brasil, 10.5.2003)
26/03/2003
Um insulto à honra
José Paulo Cavalcanti Filho
"Começou a guerra. No ocidente arde, ao rubro, tudo que talvez seja o futuro". Verso de Fernando Pessoa. A arte imita mesmo a vida. E esse futuro ocidental de horror começou a se revelar, a partir de ontem, no sangue morno de pessoas simples que serão trucidadas no Iraque. Tão inocentes quanto os inocentes do World Trade Center. As TVs americanas já estão exibindo o formidável espetáculo da guerra, ao vivo e em cores, com intervalos destinados a seus patrocinadores de sempre. Crianças mortas e tenis-air da Nike, escolas destruídas e vaqueiros fumando Malboro, corpos mutilados entregues a seus destinos e modelos siliconados bebendo Budweiser. Com os mortos enterrando seus mortos em um como que videogame alucinado de edifícios indo aos ares, caças F16 dando piruetas e o brilho reluzente de tanques Abram, mísseis Tomahawk e B-52 armados com foguetes teleguiados. Dando forma à radiosa epifania da arte de matar.
Bush tem razões de sobra para fazer essa guerra. Nenhuma delas moralmente aceitável. Primeiro razões econômicas. Como evidente represália à transferência da moeda-padrão das reservas internacionais do Iraque (2001), de dólar para euro, convertendo o país em perigoso exemplo para vizinhos que o poderiam imitar. Ou a circunstância de se dar essa invasão, e não por acaso, no segundo maior produtor de petróleo do planeta. Garantindo o precioso abastecimento dos Estados Unidos. Com a exploração desses poços podendo acabar em mãos de empresas americanas ¿ o que seria uma versão neoliberal e deletéria da mais simples e desavergonhada pirataria. A sagração da rapinagem.
Também razões políticas, igualmente indefensáveis. Como redenção da fraude eleitoral que até hoje ilegitima seu mandato presidencial, o inimigo externo unindo o país. E razões psicóticas. Que, no fundo, esse ódio por Saddam é também vingança pela humilhação sofrida por Bush pai, anos atrás. Cito Sun-Tsé: "Quando um soberano está movido pela cólera e pela vingança, não deve declarar guerra, o general com esses sentimentos não tem condições de comandar uma batalha".
O filósofo alemão (apesar do sobrenome italiano) Theodor Adorno ensinava que a verdadeira liberdade não consiste em poder escolher entre o branco e o preto, mas em poder negar-se à imposição dessa escolha. O ensinamento vale agora. Não é decididamente razoável que sejamos obrigados a escolher entre o autoritarismo de Saddam e a arrogância de Bush. A consciência cívica não nos deveria levar a nenhuma dessas escolhas. Não queremos Saddam e não queremos Bush, simplesmente. A pergunta certa é ¿ queremos ou não queremos guerra? E a resposta certa é ¿ não.
Chegou a hora dos grandes gestos. Gostaria de ver, por exemplo, o Papa transferindo o Vaticano para Bagdá. Mesmo que apenas por algum tempo. Ou um rodízio de presidentes de países importantes, fazendo o mesmo. Inclusive o Brasil. Para comprovar, na prática, o tamanho do desvario de Bush. Para ver se ele continuaria atacando, com o risco de matar tanta gente ilustre. Gandhi, vivo fosse, certamente já estaria por ali. Que sua trajetória nos sirva de inspiração.
Depois de Saddam, quem virá? Arafat? Fidel? Kadafi? Ou a internacionalização da Amazônia? Haverá algum limite ético para a prepotência? Prepotência localizada. Que o generoso povo americano não pode ser confundido com esse político menor, que é Bush.
P.S: A definição de Bush para a matança de agora, como uma "Guerra Santa", é um vilipêndio à santidade e um insulto à honra.
(Jornal do Commércio, Recife, 21.3.2003)
Allies Risk 3000 Casualties in Baghdad: Ex-General
Mon March 24, 2003 10:17 PM ET
LONDON - The U.S.-led force in Iraq risks as many as 3,000 casualties in the battle for Baghdad and Washington has underestimated the number of troops needed, a top former commander from the 1991 Gulf War said on Monday.
Retired U.S. Army General Barry McCaffrey, commander of the 24th Infantry Division 12 years ago, said the U.S.-led force faced "a very dicey two to three day battle" as it pushes north toward the Iraqi capital.
"We ought to be able to do it (take Baghdad)," he told the Newsnight Program on Britain's BBC Television late on Monday. "In the process if they (the Iraqis) actually fight, and that's one of the assumptions, clearly it's going to be brutal, dangerous work and we could take, bluntly, a couple to 3,000 casualties," said McCaffrey who became one of the most senior ranking members of the U.S. military following the 1991 war.
"So if they (the Americans and British) are unwilling to face up to that, we may have a difficult time of it taking down Baghdad and Tikrit up to the north west."
McCaffrey said Defense Secretary Donald Rumsfeld had misjudged the nature of the conflict. Asked if Rumsfeld made a mistake by not sending more troops to start the offensive, McCaffrey replied: "Yes, sure. I think everybody told him that."
"I think he thought these were U.S. generals with their feet planted in World War II that didn't understand the new way of warfare," he added.
U.S. forces have advanced more than 200 miles into Iraqi territory since the start of the war and are beginning to confront an elite division of the Republican Guards deployed to defend the capital.
"So it ought to be a very dicey two to three day battle out there." McCaffrey said of the confrontation with the Republican Guards. He said his personal view was that the invading troops would "take them (the Iraqis) apart." "But we've never done something like this with this modest a force at such a distance from its bases," he warned.
McCaffrey, a former Commander in Chief of the U.S. Armed Forces in Latin America, served overseas for 13 years and took part in four combat tours. He twice received the Distinguished Service Cross, the second highest medal for valor in the United States.
(Reuters)
______________________________________________________________________
Rumsfeld's strategy under fire as war risks become increasingly apparent
By JOSEPH L. GALLOWAY
WASHINGTON - Five days into the war, the optimistic assumptions of the Pentagon's civilian war planners have yet to be realized, the risks of the campaign are becoming increasingly apparent and some current and retired military officials are warning that there may be a mismatch between Secretary of Defense Donald H. Rumsfeld's strategy and the force he's sent to carry it out.
The outcome of the war isn't in doubt: Iraq's forces are no match for America and its allies. But, so far, defeating them is proving to be harder, and it could prove to be longer and costlier in American and Iraqi lives than the architects of the American war plan expected. And if weather, Iraqi resistance, chemical weapons or anything else turned things suddenly and unexpectedly sour, the backup force, the Army's 4th Infantry Division, is still in Texas with its equipment sailing around the Arabian peninsula.
Despite the aerial pounding they've taken, it's not clear that Saddam Hussein, his lieutenants or their praetorian guard are either shocked or awed. Instead of capitulating, some regular Iraqi army units are harassing American supply lines. Contrary to American hopes - and some officials' expectations - no top commander of Saddam Hussein's Republican Guard has capitulated. Even some ordinary Iraqis are greeting advancing American and British forces as invaders, not as liberators.
"This is the ground war that was not going to happen in (Rumsfeld's) plan," said a Pentagon official. Because the Pentagon didn't commit overwhelming force, "now we have three divisions strung out over 300-plus miles and the follow-on division, our reserve, is probably three weeks away from landing."
Asked Monday about concerns that the coalition force isn't big enough, Defense Department spokesperson Victoria Clarke replied: "... most people with real information are saying we have the right mix of forces. We also have a plan that allows it to adapt and to scale up and down as needed."
Knowledgeable defense and administration officials say Rumsfeld and his civilian aides at first wanted to commit no more than 60,000 American troops to the war on the assumption that the Iraqis would capitulate in two days. Intelligence officials say Rumsfeld, his deputy Paul Wolfowitz and other Pentagon civilians ignored much of the advice of the Central Intelligence Agency and the Defense Intelligence Agency in favor of reports from the Iraqi opposition and from Israeli sources that predicted an immediate uprising against Saddam once the Americans attacked.
The officials said Rumsfeld also made his disdain for the Army's heavy divisions very clear when he argued about the war plan with Army Gen. Tommy Franks, the allied commander. Franks wanted more and more heavily armed forces, said one senior administration official; Rumsfeld kept pressing for smaller, lighter and more agile ones, with much bigger roles for air power and special forces.
"Our force package is very light," said a retired senior general. "If things don't happen exactly as you assumed, you get into a tangle, a mismatch of your strategy and your force. Things like the pockets (of Iraqi resistance) in Basra, Umm Qasr and Nasariyah need to be dealt with forcefully, but we don't have the forces to do it."
"The Secretary of Defense cut off the flow of Army units, saying this thing would be over in two days," said a retired senior general who has followed the evolution of the war plan. "He shut down movement of the 1st Cavalry Division and the1st Armored Division. Now we don't even have a nominal ground force."
He added ruefully: "As in Operation Anaconda in Afghanistan, we are using concepts and methods that are entirely unproved. If your strategy and assumptions are flawed, there is nothing in the well to draw from."
In addition, said senior administration officials, speaking on the condition of anonymity, Rumsfeld and his civilian aides rewrote parts of the military services' plans for shipping U.S. forces to the Persian Gulf, which they said resulted in a number of mistakes and delays, and also changed plans for calling up some reserve and National Guard units.
"There was nothing too small for them to meddle with," said one senior official. "It's caused no end of problems, but I think we've managed to overcome them all."
Robin Dorff, the director of national security strategy at the U.S. Army War College in Carlisle, Pa., said three things have gone wrong in the campaign:
_A "mismatch between expectations and reality."
_The threat posed by irregular troops, especially the 60,000 strong Saddam Fedayeen, who are harassing the 300-mile-long supply lines crucial to fueling and resupplying the armor units barreling toward Baghdad.
_The Turks threatening to move more troops into northern Iraq, which could trigger fighting between Turks and Kurds over Iraq's rich northern oilfields.
Dorff and others said that the nightmare scenario is that allied forces might punch through to the Iraqi capital and then get bogged down in house-to-house fighting in a crowded city.
"If these guys fight and fight hard for Baghdad, with embedded Baathists stiffening their resistance at the point of a gun, then we are up the creek," said one retired general.
Dr. John Collins, a retired Army colonel and former chief researcher for the Library of Congress, said the worst scenario would be sending American troops to fight for Baghdad. He said every military commander since Sun Tzu, the ancient Chinese strategist, has hated urban warfare.
"Military casualties normally soar on both sides; innocent civilians lose lives and suffer severe privation; reconstruction costs skyrocket," Collins said, adding that fighting for the capital would cancel out the allied advantages in air and armor and reduce it to an Infantry battle house to house, street by street.
Another retired senior officer said the Apache Longbow helicopter gunships that were shot up badly Sunday had been sent on a deep strike against Republican Guard divisions guarding the approaches to Baghdad. He and others said the Apaches shouldn't have been used that way.
"They should have been preceded by suppression of enemy air defenses," the general said. "There should be a barrage of long-range artillery and MLRS (Multiple-Launch Rocket System) rockets before you send the Apaches in."
Reports from the field said virtually every one of the estimated 30 to 40 Apache Longbows came back shot full of holes, as the Iraqis fired everything they had at them. One did not come back, and its two-man crew apparently was taken prisoner.
"Every division should have two brigades of MLRS launches for a campaign like this," the general said. "They do not, and the question in the end will be why they don't."
He said the Air Force was bombing day and night, but its strikes have so far failed to produce the anticipated capitulation and uprising by the Iraqi people. One senior administration official put it this way: "'Shock and Awe' is Air Force bull---!"
Dorff said: "Expectations were raised for something that might be quick and relatively painless. What we're seeing in the first few days probably ought to dispel that. Part of the problem is that expectations were raised that we would march in and everybody would surrender - sort of the four-day scenario of 1991."
Instead of streams of surrendering Iraqi soldiers, the American and British forces report that they are holding around 2,000 enemy prisoners.
(Knight Ridder Newspapers)
______________________________________________________________________
The Goal Is Baghdad, but at What Cost?
By MICHAEL R. GORDON
CAMP DOHA, Kuwait, March 24 — The way to Baghdad is through the Republican Guard. The United States Army and the Marine Corps are now moving up supplies and getting their forces into place to take the fight to Saddam Hussein's most loyal units. According to the allied war plan, by the time the onslaught begins in earnest, the Iraqi troops will have been thoroughly pummeled from the air.
There is little doubt that the United States military has the skills, training and weapons to take the capital and dislodge the Hussein government. The questions are how long it will take, and what the cost will be in terms of casualties, both allied and Iraqi.
The Iraqis are trying to counter the allied strategy by carrying out guerrilla-style raids to disrupt the movement of troops and supplies and divert allied attention to threats in the rear. The advance on the Iraqi capital may also bring allied forces closer to the threat of chemical weapons, according to American officials. They are concerned that the Iraqis have drawn a red line around the approaches to the capital and that crossing it could prompt Mr. Hussein's forces to fire artillery and missiles tipped with chemical or germ warheads.
Baghdad is what the United States military calls the center of gravity. It is the stronghold from which Mr. Hussein controls his forces, a bulls-eye for the American air war commanders and the final objective for American ground forces that have drawn up plans to fight their way to the gates of the capital, then conduct thrusts at power centers inside the city.
From the start, the campaign to take Baghdad was envisioned as a multifaceted effort.
It began with a cruise missile attack that was intended to kill Mr. Hussein. Government command centers and bunkers have been blasted with bombs and cruise missiles, attacks that can be expected to continue periodically.
For all the talk about waging a punishing air campaign, the United States has been holding back some punch. The Pentagon removed hundreds of strikes from its attack plan in an effort to limit civilian casualties and damage to civilian structures.
The calculation is that this approach will make it easier for American officials to receive public support and rebuild Iraq after Mr. Hussein is toppled. In contrast to the Persian Gulf war in 1991, Iraqi television is still on the air. Should American air power destroy Mr. Hussein's government — a prospect that seems increasingly unlikely — American ground forces would be rushed to Baghdad to fill the power vacuum.
Otherwise, the role of air power is to weaken the government's command and control and knock out Iraqi air defenses, then provide United States ground commanders with air cover if American ground forces have to venture into the still-defended capital.
Airstrikes will also be directed against Republican Guard forces protecting the approaches to the city, including their command and control, artillery and tanks. The goal is to weaken the units and freeze the Republican Guard in place so they cannot drop back and prepare for urban warfare.
The land attack on Baghdad is still in its initial phases. The first step took place Sunday night when the 11th Attack Helicopter Regiment began to strike a brigade of the Medina. To set the stage for the assault, the United States military hammered Iraqi radar and tried to suppress surface-to-air missiles. But the Iraqis had a low-tech solution: they deployed a large number of irregular fighters who were equipped with machine guns and small arms.
As the helicopters took off, they flew low off the ground to make themselves less inviting targets for surface-to-air missiles. But that made them vulnerable to the small-arms fire. Thirty of 32 Apache helicopters were struck by small-arms fire.One helicopter went down, and its two-man crew was captured. The Army was so concerned that the Iraqis would get their hands on the technology that they fired two Atacms missiles today to destroy the helicopter. Because of bad weather after the action, the military had no report on whether they succeeded.
The Apaches destroyed only 10 to 15 Iraqi armored vehicles. American military commanders say they are rethinking their helicopter tactics as a result of the events of the past 24 hours.
The weather has also become at least a temporary ally of the Iraqis. American military officials are forecasting several days of cloudy weather with 10,000-foot ceilings and 30-knot winds that will create sandstorms. The bad weather will preclude helicopter attacks and make it more difficult for allied warplanes to attack the three Republican Guard divisions around Baghdad.
But the bad weather will not last forever, and American forces are using the time to get their forces into position and move up large amounts of fuel and supplies.
The marines, for example, are laying a long fuel pipeline in Iraqi territory. American forces are also trying to improve the security of their convoys by deploying more armed escorts on the ground and by helicopter in response to a wave of attacks by Iraqi fedayeen and other irregular forces.
During the stretch of bad weather, the Army hopes to keep the pressure on by firing Atacms surface-to-surface missiles. The weather will make it difficult for allied pilots to hit mobile targets, but the air war commanders could try to keep the heat on by dropping gravity bombs or cluster bombs.
When the moment comes to battle the Republican Guards full tilt, it will be through a combined arms attack involving artillery, close air support and tanks. Army and Marine forces will be involved.
After reaching the outskirts of the capital, American commanders envision a deliberate fight and say they are determined not to rush into the city.Rather, their plan calls for patient reconnaissance to try to pinpoint the location of Mr. Hussein, his top deputies and the main defenders of his rule, including internal security organizations and elements of the Special Republican Guard. They are hoping that residents will provide the necessary intelligence.
The goal is to avoid house-to-house fighting that could result in large American and civilian casualties. Instead, allied commanders envision thrusts at crucial power centers. Army combat engineers might be at the front of a formation to destroy barricades and other obstacles. Tanks could follow, protected by light infantry to guard against attacks, rocket-propelled grenades and antitank weapons. The formations would also be protected by air power, including spotters that would call in airstrikes and Apache helicopters, which could fire Hellfire missiles.
"If there is to be a fight in and around Baghdad, we're going to have to be very patient to establish the right conditions for us to engage in that fight," Gen. William S. Wallace, the commander of the V Corps, said in a recent interview. "I think that means forming joint combined arms teams that include Air Force, Army aviation, light infantry, armored forces, engineer forces that together can go after a specific target, for a specific purpose."
(The New York Times, 25.3.03)
11/03/2003
Abranet-RJ se oferece para assumir domínio anti-spam após webdrama
Cancelamento de domínio põe Comitê Gestor, IG e Fapesp em confusão
por André Machado
A tenção, internautas: fiquem tranqüilos! O Movimento Anti-Spam brasileiro não ficou órfão. Após a verdadeira novela mexicana que, na semana passada, envolveu o dito movimento, a Fapesp, o Comitê Gestor e o IG, e que culminou com o cancelamento do domínio antispam.org.br, a Abranet-RJ se ofereceu para assumi-lo.
- Já enviamos um pedido oficial ao CG nesse sentido e estamos colocando no ar um site provisório, o www.br.an tispam.org>, até sair a decisão final - explica Cláudio Abreu, vice-presidente da Abranet-RJ. - Apoiamos o movimento e pretendemos dar-lhe todo o apoio de que precisa, inclusive jurídico.
Segundo Cássio Vecchiatti, representante da comunidade empresarial no Comitê Gestor e conselheiro da Abranet nacional, esta semana será feita uma reunião do CG com a associação. A decisão final sai em novembro, após a reunião oficial do comitê, dia 10.
- Queremos analisar o assunto com calma, para não tomar uma resolução precipitada, - diz ele. - Um site como este, que tem um grande número de e-mails, exige uma estrutura mínima.
Desde o começo da semana, a comunidade internauta estava em polvorosa. Tempestades de e-mails entupiram caixas postais após o cancelamento, pela Fapesp, do domínio antispam.org.br, devido à situação irregular: seu único contato era uma caixa postal em Orlando, Flórida. (Para que um domínio .br funcione legalmente, é necessário que haja um responsável por ele em território nacional.)
O cancelamento, porém, foi feito em tempo recorde, após um pedido encaminhado à Fapesp (responsável pela atribuição de domínios no Brasil) pelo vice-presidente de tecnologia do IG, Demi Getschko - que é também, por acaso, membro do Comitê Gestor. No dia 20, sexta-feira, o IG havia sido incluído na lista negra do Mail Abuse Prevention System (MAPS) dos EUA. Não deu outra: logo, um texto no site do movimento denunciava um suposto ’’tráfico de influência’’ entre IG, CG e Fapesp. A confusão estava armada e respingou para todos os lados. Fomos, portanto, atrás dos fatos.
Demi Getschko, um dos "founding fathers" da Internet brasileira, nega, categoricamente, qualquer má intenção por trás de sua atitude. Ele explica que o IG entrou na lista do MAPS por um descuido: o alerta caiu no suporte do IG, que não se deu conta do que tinha em mãos e só respondeu findo o prazo para evitar a inclusão na lista negra. Tentando desarmar a bomba, Demi foi checar as reclamações:
- Havia no site do MAPS vários links, entre eles o do antispam.org.br - diz Demi. - Entrei no sítio, procurei algum contato, mas lá não havia nada além de uma assinatura genérica. Mesma coisa no Registro. Achei a situação toda muito esquisita, e mandei uma msg para o Frederico Neves, da Fapesp, apontando as irregularidades e pedindo um congelamento do registro. Em nenhum momento pedi o cancelamento, puro e simples, do domínio. No sábado pela manhã é que o Frederico me ligou dizendo que ia cancelar o domínio, porque os caras não estavam querendo assumi-lo. Agora eu virei o Grande Vilão da rede, como se estivesse determinado a acabar com o Movimento Anti-Spam. Mas pergunto: eu ia fazer uma besteira dessas?! Ser anti-Anti-Spam é uma causa que não existe, é mais ou menos como ser contra o Movimento de Apoio aos Deficientes, ou coisa assim... Tudo o que eu pedi foi que os caras regularizassem a situação.
Novo website do movimento terá suas listas de volta
De fato, Neves cobrou ao movimento a regularização do domínio, mas seus integrantes decidiram jogar a toalha e entregá-lo à tutela do Comitê Gestor, conforme mensagens a que o Informática Etc teve acesso. A questão é: por quê? Quem responde é Jerônimo Barros, um dos integrantes do antispam.org.br. O movimento é tocado por voluntários, mas Jerônimo foi o contato oficial no Registro.br durante um bom tempo e está na luta anti-spam desde o início:
- Simplesmente não tínhamos mais condições de levar o movimento à frente sozinhos, sem apoio oficial. Enquanto meu nome estava lá como contato, foram muitas as ameaças de empresas e de donos de domínios em lista negras querendo me processar - revela. - Por isso o domínio estava no exterior. Um amigo nosso, dos Estados Unidos, nos cedeu o telefone e endereço dele, e passei tudo para lá. Isso porque não tínhamos nenhum apoio financeiro, jurídico, técnico, nem nada para manter o movimento. Já cobramos do CG alguma ajuda, mas eles não responderam, ou talvez não tenhamos cobrado como devêssemos... Nunca tivemos um apoio oficial, só oficioso.
Tanto Jerônimo Barros quanto Hermann Wecke, outro integrante do movimento, reiteram que o pedido de entrada do IG na blacklist do MAPS não partiu do movimento. É verdade. Esta "honra" coube à Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e à empresa Task, de Belo Horizonte.
Segundo Isamar Maia, do Anti-Spam, o acordo com a Abranet-RJ prevê inclusive o retorno das listas de discussão e de bloqueio ao site, que já tinham deixado de funcionar no Brasil.
Info etc., 30.10.2000
Muito barulho por... tudo
Vista agora, do alto de uma sexta-feira em que já conhecemos o final feliz da história, a Grande Confusão envolvendo o Movimento Anti-Spam foi... bem, uma grande confusão. Mas, no decorrer da semana, enquanto os dramáticos acontecimentos se desenrolavam em nossas mailboxes, foi um stress. Um Grande Stress! Sobretudo para uma vítima constante de spam, como vossa tia Cora, que neste exato momento tem 1.302 itens em sua caixa postal (807 não lidos).
O Movimento Anti-Spam ia acabar?! Mas não se acaba com uma coisa assim! Ainda por cima nesse momento, em que há uma epidemia de spams safadíssimos que não só não se julgam spam, como ainda têm coragem de dizer isso ao infeliz destinatário!
E como podia o Comitê Gestor estar de acordo com isso?! Para quem não sabe o que é o CG, aqui está a sua job description, tirada da apresentação no site oficial:
"O Comitê Gestor da Internet do Brasil foi criado a partir da necessidade de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, com o objetivo de assegurar qualidade e eficiência dos serviços ofertados, assegurar justa e livre competição entre provedores e garantir a manutenção de adequados padrões de conduta de usuários e provedores."
Bom. Como podem essas expressões, "qualidade e eficiência" e "padrões de conduta", se coadunar com o fim de um movimento anti-spam?! Não podem, é claro. Além disso, um outro fato me perturbava: a "paisagem humana" do comitê, digamos assim, não combina com um gesto anti-Anti-Spam. O pessoal de lá, a começar pelo coordenador Ivan Moura Campos, é certamente do bem. Por outro lado, por que duvidar do pessoal do Anti-Spam? Quem luta contra spam conta, de saída, com a minha simpatia; e quem faz trabalho voluntário pelo bem da comunidade on-line, como eles fazem, conta com todo o meu respeito.
Foi uma semana maluca. Conversei pelo telefone com o Ivan Moura Campos e com o Demi Getschko, troquei e-mails com o Hermann Wecke, o Frederico Neves e incontáveis amigos mais ou menos divididos entre CG e MAS. Aos poucos as coisas foram se esclarecendo, mas a verdade é que devo estar vendo filmes americanos demais: uma briga com mocinhos de ambos os lados é algo que me aflige tremendamente. E nesse caso, para piorar, todos tinham alguma razão.
A primeira coisa a ficar clara, para mim, foi que o Comitê Gestor, em si, não teve nada a ver com o peixe. O Demi, que pediu o congelamento do Anti-Spam, é apenas um dos 12 membros do comitê, e é também da diretoria do IG, mas é perfeitamente normal que assim seja. O comitê deve ser composto por pessoas muito envolvidas com a Internet brasileira - e, se ele não está envolvido, quem está? (Dito isso, vale observar que o IG, como está, é mesmo uma fábrica de spam: o que eu recebo de besteira vinda de usuários deles não está no gibi.)
A Fapesp também agiu dentro das suas atribuições. Ou as pessoas (e/ou empresas) se responsabilizam por seus registros, ou a Internet vira uma terra de ninguém, dando motivo às tentativas de controle governamental que são hoje, infelizmente, realidade no mundo todo.
O pessoal do Anti-Spam, por sua vez, está coberto de razão. Vejam o que disse o Jerônimo: "Quando eu soube que era o IG que estava por trás do congelamento, pensei: mas por que esse pessoal está enchendo agora para mudarmos o domínio para cá? O que vai acontecer? Vou colocar meu nome lá de novo, e segunda-feira entra um batalhão de advogados aqui arrancando meu couro e pregando-o em praça pública para servir de exemplo. O IG é uma empresa de mais de US$ 100 milhões e, para gastar US$ 500 mil para arrancar meu couro, não custa nada. Ao passo que aqui não tenho nenhum tipo de apoio para poder fazer frente a um negócio assim. Por isso tínhamos de viver mais ou menos na clandestinidade, meio como uma resistência francesa."
Enfim: bem está o que bem acaba. Como observou Ivan, do CG: "Ninguém precisa de mártires, precisamos de vários movimentos anti-spam neste país!"
Info etc., 30.10.2000
30/10/2002
One Million Lawyers
Tom Paxton
Humankind has survived some disasters for sure
Like locusts and flash floods and flu
There's never a moment when we've been secure
From the ills that the flesh is heir to
If it isn't a war it's some gruesome disease
If it isn't disease then it's war
But there's worse still to come, and I'm asking you, please
How the world's gonna take any more
In ten years we're gonna have one million lawyers
One million lawyers, one million lawyers
In ten years we're gonna have one million lawyers
How much can a poor nation stand
The world shook with dread of Attila the Hun
As he conquered with fire and steel
And Genghis and Kubla and all of the Khans
Ground a groaning world under the heel
Disaster, disaster - so what else is new
We've suffered the worst, and then some
So I'm sorry to tell you, my suffering friends
Of the terrible scourge still to come
In ten years we're gonna have one million lawyers
One million lawyers, one million lawyers
In ten years we're gonna have one million lawyers
How much can a poor nation stand
Oh, a suffering world cries for mercy
As far as the eye can see
Lawyers around every bend in the road
Lawyers in every tree
Lawyers in restaurants
Lawyers in clubs
Lawyers behind every door
Behind windows and potted plants
Shade trees and shrubs
Lawyers on pogo sticks
Lawyers in politics
In ten years we're gonna have one million lawyers
One million lawyers, one million lawyers
In ten years we're gonna have one million lawyers
How much can a poor nation stand
In spring it's tornados and rampaging floods
In summer it's heat stroke and drought
There's Ivy League football to ruin the fall
It's a terrible scourge without doubt
There are blizzards to batter the shivering plain
There are dust storms that strike, but far worse
Is the threat of disaster to shrivel the brain
It's the threat of implacable curse
In ten years we're gonna have one million lawyers
One million lawyers, one million lawyers
In ten years we're gonna have one million lawyers
How much can a poor nation stand
26/10/2002
Jornalismo não é tênis
Luiz Garcia
É extremamente difícil, inclusive pelo temor ao ridículo, exprimir indignação com o 54 lugar atribuído ao Brasil pelos Repórteres sem Fronteiras. O sentimento mais adequado deve ser a frustração. Estudos sérios sobre a liberdade de imprensa no mundo são necessários --- quanto mais não seja porque um índice dessa liberdade poderia ser, em tese, um índice do nível da democracia nos diferentes países.
É pena que o bem-intencionado grupo dos Repórteres sem Fronteiras mostre como estabelecer índices de liberdade é diferente de calcular, por exemplo, os de mortalidade infantil ou de casos de Aids. Nestes casos, basta contar as vítimas e relacionar o total com a população. Ainda assim, há um considerável potencial de erro no fato de que os países mais bem organizados produzem estatísticas mais confiáveis — e podem ser punidos por isso.
No caso da imprensa, o Repórteres sem Fronteiras atribui o que supõe ser um desempenho desastroso do Brasil aos casos de violência física e perseguição por agentes do Estado no interior do país. O problema de fato existe. A própria grande imprensa — que a ONG considera de alto nível — não se cansa de denunciar a indústria das indenizações por dano moral que vitimiza a imprensa do interior. E a legislação sobre imprensa, produzida no regime militar, certamente é inadequada. Entre outros motivos porque vulnerabiliza a pequena imprensa sem causar dano permanente aos grandes órgãos.
Tudo isso sendo verdade, como se explica que o Brasil seja considerado como tendo uma imprensa pior que a do Paraguai? Ou que o Reino Unido esteja atrás de Hong Kong, controlada por um regime que só admite a imprensa oficial? No caso brasileiro bastaria argumentar que a grande massa da população é abastecida de informações livremente colhidas e escolhidas pelas redes nacionais de TV e de rádio, que não sofrem as chamadas “pressões locais”. E os grandes centros urbanos têm acesso à grande imprensa que a ONG considera a salvo de pressões.
Isso, e mais a baixa confiabilidade de fontes com motivação obviamente política — cuja presença e cujo poder de deturpação é inevitável em estudos marcados pela subjetividade — bastam para que se lamente o pitoresco relatório.
Quando se concentrarem em realmente investigar (o que não é o mesmo que distribuir questionários) casos de violência, intimidação etc. estarão prontos para prestar bom serviço à democracia. Quando aprenderem a trabalhar estatísticas, maior será sua contribuição. Enquanto se preocuparem em produzir rankings, como se jornalismo fosse tênis ou automobilismo, não poderão ser levados a sério.
(O GLOBO, 24.10.2002)
21/10/2002
B a R L o W F R i e N D Z
1. What Has Happened.
2. Why This Has Happened.
3. What We Might Do About It Now.
THE AMERICAN REPUBLIC IS DEAD.
HAIL THE AMERICAN EMPIRE. OR ELSE.
My old pal Mitch Kapor said years ago that what I needed was a "hyperbolectomy." Were such a procedure to exist, this would probably be a good time to get one, since I suddenly find myself incapable of discussing the present state of the American Experiment without veering off into Very Large Statements.
With that admonition in mind, I hope that you will continue to read this rant, adjusting it to your own reality settings. This is just how bad it looks to me. From my perspective, this is not hyperbolic at all.
I believe that the American Republic died in the U.S. Senate last Thursday morning and was buried yesterday morning in the East Room of the White House.
Despite a deluge of calls, letters, and e-mails, which Capital Hill staffers admitted ran overwhelmingly against the ludicrously-named "Resolution Authorizing the President to Use Force, if Necessary, to End the Threat to World Peace from Saddam Hussein's Weapons of Mass Destruction," Congress extended to George II the authority to make unlimited and preemptive war against another nation that has neither attacked us nor shown the ability or inclination to do so.
(Thank you, by the way, for your own contributions to this flood of futile dissent. They may have ignored you, but you will sleep better for knowing that you were not one of the "silent Germans.")
The resolution was deemed necessary on several grounds.
Iraq possesses and is developing weapons of mass destruction - an unquestioned if Orwellian phrase that makes no qualitative distinction between a hundred pounds of spoiled hamburger and a 50 megaton bomb.
Iraq has flouted a number of U.N. resolutions and international accords regarding such weapons, many of which the United States has also ignored or abrogated.
A member of Al-Queda is thought to have visited Iraq.
Iraq has shown a willingness to use military force in the Middle East, again, not unlike ourselves.
Saddam Hussein is a real son-of-a-bitch who is easier to find than Osama bin Laden.
Despite the fact that we have been exposed to far worse during our history - whether by Bloody Old England, the Kaiser, Nazi Germany, Imperial Japan, the Soviet Union, Red China, or, hell, France on a bad day - we have never before declared war without being attacked nor have we extended an American President the right to do so at his pleasure.
The dangerous possibility of such behavior was explicitly foreseen by the architects of the American Republic when they designed the Consitution. As James Madison declared in a letter to James Monroe:
The only case in which the Executive can enter on a war, undeclared by Congress, is when a state of war has 'been actually' produced by the conduct of another power, and then it ought to be made known as soon as possible to the Department charged with the war power.
Their reasons were eloquently restated by Abraham Lincoln in an 1848 letter to his law partner, William H. Herndon. Herndon had suggested that the United States would be prudent to attack Mexico before they attacked us, as they clearly appeared willing to do. Lincoln replied:
Allow the President to invade a neighboring nation whenever he shall deem it necessary to repel an invasion, and you allow him to do so whenever he may choose to say he deems it necessary for such purpose - - and you allow him to make war at pleasure. Study to see if you can fix any limit to his power in this respect, after you have given him so much as you propose. If, to-day, he should choose to say he thinks it necessary to invade Canada, to prevent the British from invading us, how could you stop him? You may say to him, 'I see no probability of the British invading us' but he will say to you 'be silent; I see it, if you don't.'
The provision of the Constitution giving the war-making power to Congress, was dictated, as I understand it, by the following reasons. Kings had always been involving and impoverishing their people in wars, pretending generally, if not always, that the good of the people was the object. This, our Convention understood to be the most oppressive of all Kingly oppressions; and they resolved to so frame the Constitution that no one man should hold the power of bringing this oppression upon us. But your view destroys the whole matter, and places our President where kings have always stood.
Robert Byrd quoted that passage in his brilliantly Quixotic speech to the Senate last week. The Senate ignored him as easily as they ignored you and millions of others who believe in American principles.
And now we have a King, George II, where presidents have always stood.
Today, as he signed his coronation decree, he lied, "I have not ordered the use of force. I hope the use of force will not become necessary."
But, folks, he *has* ordered the use of force and began doing so shortly after seizing office. Though you'd scarcely know it to read the papers, we've been bombing the crap out of Southern Iraq since February 16, 2001, when we hit five radar installations in the vicinity of Baghdad. Since then, the bombing has been increasing steadily. There have been 48 bombing raids south of the "no-fly zone" so far this year. Iraq claims that 1300 civilians have been killed in these bombings - and, while I doubt that number, many of these casualties have been confirmed by international observers. I'll bet the last thing those innocent wretches saw looked a lot like force to them.
It is not simply that we have made a Caesar of Bush, we have, in effect, assented to allowing him the entire world as his Empire.
What this resolution is truly about is the elimination of all sovereignty but our own. This is about our becoming the Dad of the World. Having declared ourselves immune from international prosecution for war crimes, we have proposed our right to disregard the sovereignty of any country that, in our opinion, doesn't deserve it.
If another country harbors people we regard as terrorists, they have forfeited their sovereignty. If they cobble together a few of the weapons we possess in stupefying abundance, we will cross their borders and disarm them by force. Indeed, if they do anything that might eventually, left to develop unchecked, threaten American interests, we will stop them as brutally as we must.
These statements are not merely polemical on my part. They are American policy.
On September 20, the Bush Administration released its National Security Strategy. You can find it
here. It speaks plainly of American "convincing or compelling states to accept their sovereign responsibilities." According to whom?
In other words, Nations of the World, if you don't make smart choices, you will just have to accept that there will be consequences. Now go clean your rooms.
Reading this document, which makes ironic use of the word "freedom" every third sentence or so, one begins to imagine the United States as the jut-jawed marshal, patrolling the world's mean streets, showing the lonely courage that is the sinew of virtue.
But as a fellow Wyomingite, Don Cooper, wrote me after my last rant, the metaphor is horribly flawed. The Code of the West required proof of guilt and threats made bad. The scoundrels actually had to actually raise hell before the marshal took up arms against them.
What we are doing in Iraq is more like this, to quote Cooper:
A storekeeper is sweeping the wooden sidewalk in front of his shop and sees a rough stranger approaching. He runs across the street to the Marshal's office crying out and waving his broom in the air. The Marshal comes out, asking what all the fuss is about. 'It's a bad guy ridin' into town, Marshal. I can tell he's up to no good. Got that look about him. Word is he is planning to rob the bank, steal a horse, burn down the church and slap a barmaid.' The Marshal is aghast, 'Well, not in my town he ain't!' The Marshal grabs his shotgun and waits out in front of the saloon. When the stranger rides up, the Marshal levels his shotgun and blows him off his horse.
This isn't American. It's chickenshit.
I feared it would come to this when I realized, ten years ago, that we were the last credible superpower left on the planet. But Bill Clinton, whatever his manifold weaknesses, knew that if we were were to possess such towering power, we would have to wield it with the humility necessary to create moral as well as military force.
He might have had a zipper as slick as his tongue, but he was not facile when it came to deploying more lethal weapons. Furthermore, Bill Clinton knew himself to be an unlikely instrument for Almighty God. I suspect Clinton secretly hopes there isn't One.
But George II has been working for the Lord ever since he was divinely instructed some years back to stop snorting blow. He knows that God wants us to have oil and that the world's second largest petroleum reserves are not to be entrusted to a people whose divine messenger was, to quote Jerry Falwell, "a terrorist."
I don't think that our new Emperor is an evil man. But he has the kind of unquestioning belief in his own virtue that is the richest loam for growing evil. He is simply too weak to possess this kind of power without misusing it. And now we have removed all the Constitutional impediments that might have checked his hubris. We have thrown ourselves on the mercy of a conscience too clear to be reliable.
PEACE IS WAR, LOVE IS HATE
How has this tragedy happened?
Why have Americans - whom I still believe are, in their essence, a decent people - allowed themselves to become complicit with such monstrosity.
It's because the terrorists won. Through incredibly deft manipulation of our media, encouraging that which is worst in our government, they have already inflicted astonishing casualties on the American mind.
Wherever he may be, I hope the ghost of George Orwell is up to date on contemporary American politics. If he is, I'll bet he's having a swell time.
I could give you a million examples of what I'm talking about, but I'll tell you a story instead.
A couple of weeks back, I was asked to do a brief live interview on MSNBC, the result of a piece I wrote which appears in the current Forbes ASAP on the irremediable failure of the American intelligence system. (You will find it
here and I will spam you the longer version sometime soon).
I had misgivings about doing this, since I think television is very bad for you, no matter which side of the camera you're on. But, since one of my many missions is trying inspire an intelligence system that actually increases political understanding, I figured I would seize whatever silly pulpit they briefly provided me.
They put me in a dark little room with a huge camera and a monitor that was displaying the current out-going feed from MSNBC. They wired me up and I waited for my cue, with nothing to do but watch the tube and try to keep myself from hallucinating as a result.
There ensued a series of events that compelled me to watch a stream of televised news longer than any I've seen since 911. (When it became obvious, once and for all, that there was no viewing level that wasn't inimical to clear thought.)
Like so many other bad things, it was Bush's fault. After I was all wired up and seated in involuntary viewing mode, I was suddenly preempted by an informal press briefing from the Cabinet Room.
There, apparently sitting across the desk from me, was our still unannointed Monarch. I sat there in speechless awe as he said, among other astonishing things, that we might have to attack Iraq in order to preserve peace.
That's right. We must start a war that there might have peace.
When the anchors came back on after the press briefing, they made absolutely no note of the surreal logic we'd all been exposed to. It made sense to them, I guess.
Nor did they make any mention of the the Malaprop Effect, such as when the Resident said, "He [Saddam] faces a true threat to the U.S," and didn't stop to correct himself. (And, indeed, didn't even appear to notice.)
Then we got back to "the news." All of it was straight out of 1984. Saddam Hussein has always been the object of the Two Minute Hate. Osama bin Laden was never our Emmanuel Goldstein.
The anchor-bimbo actually hissed whenever she uttered Saddam's name, and she did so involuntarily. I remembered the line from Orwell's novel, "The horrible thing about the Two Minute Hate was not that one was obliged to act a part, but that it was impossible to avoid joining in." I managed not to.
There was plenty more Newspeak to follow. For example, practically everyone who spoke, anchor or civilian, used the phrase "weapons of mass destruction," as if they knew what they were talking about. I don't think they do.
What this insidious phrase does is to equate biological, chemical, and nuclear weapons in their degrees of lethality. But, as I said before, there is a vast difference between a cylinder of poisonous gas and a 5 megaton thermonuclear bomb. The former is easy to make but very hard to deliver in any massively destructive way. The latter is hard to make and easy to deliver, at least over short distances. But when it arrives, it doesn't just kill a few hundred commuters.
(Actually the latter is not terribly hard to make. I could probably do it with a good machine shop and a hundred kilos of weapons grade Plutonium. Making weapons grade Plutonium is very hard, but fortunately for the evil-doers, the U.S. and Russia have already manufactured so much of this vile stuff over the last 57 years that Iraq could, if it wanted to, probably pick it up from the right Russians simply by signing a few subrosa oil contracts.)
Never mind that. My point is, we're not thinking about these things to that level of detail. We're thinking things like "Weapons of mass destruction, bad. Iraq, bad. America, good." Or Eurasia, bad. Oceania, good.
We're also accepting rather blandly American support for a brutal military dictatorship in Pakistan which really *does* have nuclear weapons as well as the means to deliver them quite a distance. Why are we not disarming Pakistan? Why, for that matter, are we not disarming France? Or, perish the thought, ourselves?
I observed with mounting anxiety the way in which the "news" I watched that morning was subtly but continuously slanted to support the war.
For example, while reporting a story regarding considerable Labor Party unrest over Blair's support of Bush, one of the anchors casually (and rhetorically) asked, "But isn't that just the old Socialist wing of Labor coming back to life?" The question hung in the air like a mild mind toxin while they rushed off to the next bit of gory footage.
This involved a deranged person who had tried to slit the throat of a Greyhouse bus driver in California with a pair of scissors, causing him to veer off I-5. There were a number of vivid injuries for the cameras to feed on. One of the anchors asked about the attacker, a Mexican-American, "Do we know if this guy has any terrorist connections?"
Now is a time to think clearly. But the government and the media are mutilating the very structure of rational thought by attacking the language. Noam Chomsky was and is right about this.
Even the more reliable media, like, say, the New York Times, are editing reality in a dangerous way.
For example, somewhere between 15,000 and 30,000 people spontaneously gathered in Central Park on October 6 and it barely made the papers. What few stories did appear placed a distorted emphasis that some of the bullhorn wielders had made anti-semitic remarks.
It's no wonder that many of us have been brain-washed into an uneasy stupor. You are what you watch.
But what about the millions of us who are agitated as hell about this? I know lots of different people, and they aren't all seditious scum like me. Hell, I come from Pinedale, Wyoming, the most conservative place in the non-Islamic world. And yet about one in a hundred people that I talk to approves of what's going on. Why don't we matter anymore?
It pains me deeply to say this, but I think that part of the problem may be the Internet.
A lot of what's wrong may be the very sort of thing you're reading right now.
The Internet, has, as expected, provided a global podium to everyone with an opinion. Cyberspace has become an infinite set of street corners, each with its lonely pamphleteer, howling his rage to a multitude all too busy howling their own to listen.
All of our energy goes into things like this BarlowSpam, energies that might be better spent in creating traditional blocs like the NRA, or the AARP, or some large group capable of either buying Congress or scaring the shit out of them. This screed won't scare an elected official anywhere. And it wouldn't generate enough money to elect or defeat a dogcatcher.
As much as I loathe organizations, we need to organize.
And we'd better start doing it now before the Empire decides it's necessary to declare a National Emergency and make it lethally illegal to oppose it. It could get that bad.
Or it might get oddly worse than that. The Empire has discovered something important. The best way to deal with us is to ignore us altogether, as they did last Thursday. Our calls and letters had no effect whatever.
But those were the acts of citizens. In an Empire, there are no citizens, only subjects.
Empires in the past found it expedient to jail, torture, and execute recalcitrant subjects. This one has learned that you can get a lot further with less trouble simply by pretending that the opposition doesn't exist.
These arrogant bastards are so persuaded of their sublime duties to God and Exxon that they no longer need concern themselves with public outrage or even, I shudder to say, elections.
Let us prove them wrong. We must make ourselves painfully visible to them.
COME TOGETHER WHEREVER, OCTOBER 26, 11:00 AM.
What is to be done?
Well, for a start, I recommend that wherever you are in the world, you should pick an arbitrary public location in your area, call or e-mail everyone you know who feels as you do about this madness, and ask them to meet there at 11:00 am on Saturday, October 26.
Ask them also to call or e-mail everyone *they* know with the same message. Thanks to what my friend Howard Rheingold calls "smart mobs," a lot of people can gather very quickly this way. The microwave threads between cell phones can be like formic acid for ants. Make an instant electronic hive of humanity.
Be very peaceable and difficult to provoke, but don't worry about getting a permit. If no one's in charge, there's no one to hold accountable.
In Washington, DC and San Francisco, those locations have already been chosen. They are:
In DC -
Constitution Gardens adjacent to the
Vietnam Veterans War Memorial
21st St. & Constitution Ave. NW
In San Francisco -
Justin Herman Plaza
Market and Embarcadero
Unfortunately, there is a problem. And, as someone who went through this in the 60's, it's one I'm very familiar with.
The organization that nominated these two locations, International A.N.S.W.E.R.
(Act Now to Stop War & End Racism), is an honest-to-god Communist front. I'm not kidding. It is to the left of Mao. It is also virulently anti-semitic, and appears to be saddling up the wild horse of war opposition to pursue a lot of causes most you probably don't support, like Shining Path in Peru.
It is so radical that I almost wonder if it isn't a set of agents provocateurs created by the Empire to discredit the whole peace movement. I am very concerned that people will not engage in these gatherings, or that they will be easily misinterpreted, once they perceive these qualities in A.N.S.W.E.R.
But I say it doesn't matter who names the gathering point. Wherever we normally reside in the political spectrum, this is not about the left wing or the right wing. It's about how to stop these wing-nuts from turning the world into a military playground for the Fortune 500. It's not about ideology. It's about human decency and common sense. The important thing is that we all get together in such numbers that the ideologues of A.N.S.W.E.R. will be but a small part of something so big that neither the media nor the Empire can ignore us.
I also recommend against speeches, though I suspect they are unavoidable in Washington and San Francisco. The less said the better. What do we need to say? We know how we feel. We don't need to be told.
So, even though I have grave misgivings about the organizers of the gatherings in DC and San Francisco, we can come together in such overwhelming diversity that there can be no party line aside from a love of peace, liberty, and the right of all nations to determine their destinies without American imposition.
The second thing I recommend we all do is vote. I know many of you gave up on this a long time ago, for which dereliction of citizen's duty you are getting exactly the government you deserve. But there's still time. Many states permit registration right down to the wire.
I particularly hope you will vote heavily against everyone who supported this treasonous resolution, no matter how enlightened they appeared before. Right now, a weakling with good intentions is worse than an outright Facist.
They didn't listen to your phone calls or letters. Let them now hear your silent voice speaking from the voting booth.
You should also organize on behalf of everyone who had the courage to resist it. Give money and time to their campaigns. Write letters to their local newspapers, expressing your support for them and praising them for their courage on behalf of the Constitution.
Right now, I agree absolutely with George Bush on one thing. One is either with him or against him. I am against him. As Jefferson, Madison, Monroe, and Lincoln would have been.
And if that makes me a terrorist, I am proud to be one.
Be Free,
Barlow
John Perry Barlow, Cognitive Dissident
Co-Founder & Vice Chairman, Electronic Frontier Foundation
Berkman Fellow, Harvard Law School
**************************************************************
The resolution before us today is not only a product of haste; it is also a product of presidential hubris. This resolution is breathtaking in its scope. It redefines the nature of defense, and reinterprets the Constitution to suit the will of the Executive Branch. It would give the President blanket authority to launch a unilateral preemptive attack on a sovereign nation that is perceived to be a threat to the United States. This is an unprecedented and unfounded interpretation of the President's authority under the Constitution, not to mention the fact that it stands the charter of the United Nations on its head.
-- Senator Robert Byrd to the Senate, October 3, 2002
09/10/2002
Do livro de visitas
Esta msg foi deixada no livro de visitas do
internETC. Como está meio grande, transferi para cá:
Sobre gatos
Name: Ana Maria
Email: a.m.d.n@bol.com.br
Comments:: Frases sobre gatos
Prezada Cora,
Sou leitora do seu blog tem um tempinho.
Temos uma paixão em comum que são os gatos (criaturas maravilhosas!)
Estava dando uma olhadinha hoje no Petsite, que você deve conhecer e achei muito interessantes essas frases sobre os gatos. Não as conhecia todas. Pensei em transcrevê-las aqui. Quem sabe você as ache interessantes também e as divulgue no blog pro pessoal todo.Seguirão abaixo.
Abraços e tudo de bom
Autor: Laura
Assunto: Ótimas frases sobre gatos
Mensagem: Gente, traduzi estas frases interessantes sobre gatos, escritas por pessoas famosas que gostam dos bichanos. Espero que gostem. O original em inglês está aqui:http://www.catanna.com/catquote.htm
“Não existem gatos comuns” – Collete
“O menor entre todos os gatos é uma obra-prima” – Leonardo da Vinci
“Se o homem pudesse cruzar com os gatos, isso melhoraria o homem e deterioraria o gato” – Mark Twain
“Não há nada mais divertido que um gato jovem, nem mais sério que um gato idoso” - Thomas Fuller
“O modo como tratamos os gatos aqui em baixo determina nossa situação quando formos para o céu” – Robert ª Heinlain
“Quem pode acreditar que não há uma alma atrás daqueles olhos luminosos?” – Theophile Gauthier
“Gatos são pessoas misteriosas. Há mais coisas passando naquelas mentes do que nós podemos imaginar” - Sir Walter Scott
“Gatos sabem como obter comida sem trabalho, abrigo sem confinamento e amor sem castigos” – W. L. George
“Como qualquer um que já passou muito tempo com os gatos já sabem, os gatos têm enorme paciência com as limitações da mente humana” – Cleveland Amory
“Os gatos raramente interferem com os direitos das outras pessoas. Sua inteligência os impede de fazer coisas bobas que atrapalham a vida” – Carl van Vechten
“Gatos amam mais as pessoas do que elas permitiriam. Mas eles têm sabedoria suficiente para manter isso em segredo” – Mary Wilkins
“Mesmo quando gordos, os gatos conhecem instintivamente uma regra importante: quando estiver gordo, saiba se colocar em poses elegantes” – John Weiz
“Um gato sempre chega quando você o chama. A não ser que ele tenha algo de mais importante para fazer” – Bill Adler
“Milhares de anos atrás os gatos eram adorados como deuses; e até hoje eles não esqueceram isto” – Anônimo
“Gatos são mais esperto do que cães. Você nunca conseguiria colocar oito gatos para puxar um trenó” – Jeff Valdez
“Pessoas que odeiam gatos retornarão como ratos na próxima encarnação” – Faith Resnick
“Existem muitas espécies inteligentes no mundo. E todos eles são possuídos por gatos” – Anônimo
“Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos” - Albert Schweizer
“O tempo que passamos com os gatos nunca é desperdiçado” – Colette
“O ideal da tranqüilidade é um gato sentado” – Jules Reynard
“Duas coisas são esteticamente perfeitas no mundo: relógios e gatos” – Emile Auguste Chartier
“Já encontrei muitos pensadores e muitos gatos. Mas a sabedoria dos gatos é infinitamente superior” – Hippolyte Taine
“Eu acho que possuir um gato é muito mais importante que possuir uma bíblia” – R. H. Byth
“Mulheres e gatos fazem o que querem, enquanto que os homens e cães devem relaxar e se acostumar com esta idéia” – Robert Heinlein
“Acredito que gatos são espíritos vindos para a terra. Tenho certeza de que um gato andaria nas nuvens sem cair” – Júlio Verne
“Quando você vê seu gato absorto em meditação, olhando atentamente algo que você não enxerga, pode ter certeza de que ele está viajando no universo” – Bonni Elisabeth
“Um cão, sempre tenho dito, é prosa; um gato é poesia” – Jean Burden
“Gatos são criaturas gloriosas – que não podem, de modo algum ser subestimadas. Seus olhos são profundezas inexpugnáveis dos mistérios felinos” – Lesley Ann Ivory
“Ninguém pode ser dono de um gato, mas eles podem abençoá-los com sua companhia, se quiserem” – Frank Engram
“Gatos podem honrar a si mesmos com a capacidade de não fazer nada” – John R. Breen
“Respeitar o gato é o começo do senso estético” – Erasmus Darwin
“Eu fecho meu livro ´O Significado do Zen` e vejo o gato sorrindo para sua pele, e penteando-a cuidadosamente com sua língua cor de rosa e áspera. ´Gato, eu gostaria de te emprestar este livro, mas parece que tu já o leste´. Ele me olha com seu olhar penetrante, e ronrona: `Não seja ridículo. Fui eu que escrevi!´” – Dilys Laing
03/10/2002
Obstinado e perfeccionista,
mas também engraçado
O candidato do PSDB tem algumas características óbvias: é determinado e obsessivo. O que pouca gente sabe é que, ao contrário da fama, ele não é antipático e tem até senso de humor. Desde que não seja de manhã.
Aeroporto de Cuiabá, Mato Grosso, 22h30m. Depois de mais de sete horas de um exaustivo corpo-a-corpo a 40 graus à sombra (sem sombra), o candidato José Serra chega ao pé da escada do avião da Líder que vem usando durante a campanha, onde sua assessora Diala Vidal discute com o piloto. Ele a chama de lado:
— O que é que está havendo? — pergunta.
— É que esqueceram de reabastecer o avião — explica Diala. — Estamos sem comida nenhuma.
Má — na verdade, péssima — notícia, considerando-se que a última refeição da pequena comitiva fora um mísero sanduíche, nove horas antes. Ao seu melhor estilo, porém, José Serra não se deixa atrapalhar em relação a prioridades:
—- Não se discute com piloto antes do embarque! A gente viaja com fome, mas este homem tem que ir muito contente e bem disposto até São Paulo. Lá vocês se entendem...
Impossível discordar de argumento tão sensato. No avião, reviramos bolsas e mochilas, encontramos algumas balinhas, um saco de batatas fritas e dois chocolates inteiramente derretidos; a bordo havia ainda saquinhos de amendoim e pistache. Dividimos irmanamente os víveres e duas horas e meia depois chegamos a São Paulo.
Famintos, é verdade, mas sãos e salvos.
No começo da jornada, ainda no hangar da Líder, os sanduíches já haviam sido tema de conversa. Diante da minha recusa em aceitar uns salgadinhos, a assessora de imprensa Paula Santa Maria, que acompanha José Serra constantemente, alertou-me sobre o triste destino gastronômico à minha espera, insistindo para que eu comesse ao menos uma fruta.
Mais tarde, já em pleno ar, os famosos sanduíches de campanha fizeram a sua entrada em cena: duas fatias de pão preto, queijo de minas, peito de peru. Um conjunto light, sem dúvida — mas perfeitamente comestível.
Gostoso, até.
— Você só diz isso porque este é o primeiro que come — observou Serra.
Àquela altura da campanha, com cerca de 140 mil horas de vôo, tendo percorrido mais de 130 cidades, ele e a equipe imediata — composta, além de Paula e de Diala, de dois seguranças que se alternam — já haviam comido, cada qual, uns 120 sanduíches iguais.
O equivalente a seis quilos de pão, mais de sete quilos de peito de peru e quase três quilos de queijo para cada um. Não era à toa que ninguém agüentava mais os tais sanduíches; mas ainda havia — e se o candidato do PSDB chegar ao segundo turno ainda haverá —- um bocado de céu a voar antes que eles desapareçam para sempre do cenário.
Acontece que, zeloso com a forma e com a saúde, José Serra evita, habitualmente, comidas pesadas; em campanha, então, o faz de forma quase obsessiva. Quando, no meio do corpo-a-corpo, parou numa pastelaria com Dante de Oliveira e comeu um pastel de carne, causou o maior frisson entre os jornalistas. Cinegrafistas e fotógrafos voaram para registrar a cena. Isabela Paiva, a repórter do GLOBO que tem acompanhado suas viagens, ficou visivelmente frustrada por ter sido empurrada pela turma da imagem e perdido o acontecimento, raríssimo na sua experiência.
Ele odeia cebola, detesta alho, não pode ver gordura. A fama o precede, talvez com alguma ajuda da equipe que marca a sua agenda. No seu roteiro são raros os sucessivos banquetes que costumam pontuar o dia-a-dia de candidatos: a probabilidade de que venha a se encontrar com uma buchada de bode é extremamente remota.
Daí, porém, vem a fama universal de hipocondríaco, a essa altura quase inerradicável — e da qual, aliás, não desgosta de todo. Ser hipocondríaco não é nenhum defeito de caráter e, como mania, cai até bem para um ministro da Saúde.
Muito embora, como faz questão de frisar, não tenha sido por familiaridade com a medicina que acabou no cargo, mas sim pela intimidade com os números: quando assumiu o ministério, em 1998, as coisas andavam tão ruins que o próprio presidente Fernando Henrique se referia à pasta como “um pesadelo”. Serra gosta de dizer que uma das grandes vantagens de ter sido economista no Ministério da Saúde foi não se deixar enganar pelos economistas dos outros ministérios.
Cigarro, nem pensar
No domingo passado, à tarde, conversando com Mônica Serra na residência do casal no Alto Pinheiros, em São Paulo, toquei novamente na questão da hipocondria.
— As pessoas sempre dizem isso, mas é lenda mesmo, o Zé não tem nada de hipocondríaco. Ele apenas toma cuidado com o que come, tem o estômago sensível.
Estávamos as duas na cozinha, fazendo um café, e os pratos do almoço ainda esperavam na pia. Ela cutucou com um garfo uns pedaços de gordura deixados de lado, óbvias pontas de uma costeleta.
— Olha só isso, tá vendo? Ele não come gordura, não há hipótese... o pior é que ainda deixa essa carne toda...
Este parece ser um ponto delicado na casa. Não é difícil imaginá-la insistindo com o marido para comer mais um pouco. Até porque, diferentemente de tantos políticos, ele emagrece quando está em campanha. Nos últimos meses perdeu cinco quilos.
— Mas não é só o excesso de trabalho, não, porque o Zé normalmente trabalha muito. É excesso de cuidado com a alimentação, mesmo. Ele é assim até com a família. Sempre foi muito atento à forma como as crianças se alimentavam.
As “crianças” são Verônica, que se formou em direito mas acabou administradora de empresas com mestrado em Harvard (e que espera o primeiro neto do casal para janeiro), e Luciano, que começou a estudar engenharia mas também passou para administração. Lu, como é chamado em família, alto e moreno, praticante de esportes radicais, é tão bonito que podia fazer propaganda de cigarro na televisão.
Isso, claro, se o pai não tivesse proibido a modalidade.
Tão tímido quanto Serra, ele vai, provavelmente, morrer de vergonha quando ler isso aqui; já Verônica, que não conheci, mas que todos garantem ser extrovertida como a mãe, vai gostar de saber que é considerada linda pelo Chico Caruso, que não é muito de fazer desses elogios.
Mais romântico, impossível
Serra protege a família com feroz tenacidade. Tem medo que a política atrapalhe a vida dos filhos, e faz uma distinção muito clara entre a vida pública e a vida privada. Dos quatro candidatos à Presidência, é indiscutivelmente o mais reservado, o que com mais afinco preserva a sua intimidade.
O que é, até certo ponto, uma pena: se há um lado em que a campanha falhou foi no de apresentá-lo como o homem emotivo que é capaz de chorar no cinema e de se apaixonar à primeira vista.
— Nós nos conhecemos na festa de aniversário de uma amiga dele — diz Mônica. — Eu fui convidada por uma amiga que queria muito que eu conhecesse a aniversariante, que havia acabado de chegar da França. Eu não queria ir, não conhecia ninguém lá, e a minha amiga, tentando me convencer, me disse que iriam também uns brasileiros muito divertidos. Ela me falou muito deles, disse que um era meio quieto e calado mas inteligente demais. Bom, quando chegaram, ele se aproximou de mim e ficou falando, falando, falando e eu pensei: esse não deve ser o inteligente. Ele fala tanto! (risos) Até que, a uma certa altura, minha amiga, que nunca tinha visto ele falando daquele jeito, me chamou num canto e perguntou o que é que a gente tanto conversava.
— E o que vocês tanto conversavam?
— Ora... tudo! Ele se abriu imediatamente, me contou toda a vida dele, que é uma coisa que não costuma fazer, é muito discreto. No dia seguinte, já sabia tudo da minha vida e estava me esperando no balé, com uma história em que eu não acreditei muito... aliás, no dia, até acreditei. Depois é que vi que era enrolação, porque daí para frente, todos os dias, ele vinha me buscar. Tempos depois, o Claudio Salm, que morava com ele na época, me contou que, quando o Zé chegou da festa, disse: “Conheci a mulher da minha vida”. Isso no próprio dia em que me conheceu, imagina!
— E quando ele disse isso a você?
— Ele não me disse... (risos) Mais ou menos um mês depois, o Claudio, achando que nós já estávamos namorando, falou, sem querer: “Que bom que você vai casar com a Mônica, assim não vamos mais morrer de fome...” Isso porque eu ia lá, via a geladeira deles vazia e levava umas comidas, umas guloseimas. O Zé ficou vermelho, completamente encabulado, e aí é que o Claudio se deu conta da situação: “Mas como? Ele não te disse nada? Passa o dia me enchendo dizendo que vai casar com você, e para você não diz nada? Como é que pode?!”
Passados alguns meses, José Serra estava mesmo casado com a bela bailarina do Balé Nacional do Chile. Corria o ano de 73. Ele estava com 31 anos, exilado há nove, morando há sete em Santiago e muita coisa já tinha acontecido em sua vida política, iniciada nos tempos de estudante.
A política e a fé: Santa Rita
José Serra nasceu em São Paulo, na Mooca, em 19 de março de 1942, filho único de Serafina e Francesco Serra, italiano dono de uma barraca de frutas no mercado da Cantareira. Seu amigo e companheiro de exílio Artur da Távola atesta que ele tem, de fato, muitas características dos piscianos: por exemplo, a sensibilidade, a intuição, a reserva nos assuntos emocionais.
Essa última talvez venha também de família. A relação de Serra com o pai foi, como contou a Teodomiro Braga no livro de entrevistas publicado no início da campanha, uma relação de reverência, mas sem muita camaradagem ou cumplicidade:
— Havia uma barreira invisível. Anos depois, entendi melhor por que isso acontecia. Quando estive na Itália pela primeira vez, em 1974, meu tio Giovanni, que era o caçula da família, contou-me que meu avô era tão rígido e autoritárioque os filhos não podiam se dirigir a ele diretamente — tinham que fazê-lo por intermédio da mãe. Você já pensou? — contou Serra.
Da família vêm, também, a compulsão pelo trabalho, e uma fé inabalável. Serra, que recebeu o nome de José por nascer no dia do santo, teria se chamado Jorge, em homenagem ao avô Giorgio, tivesse nascido uns dias antes ou depois.
Para alguém que, como eu, está acostumada com intelectuais agnósticos e esquerdistas ateus, é difícil conciliar a imagem de extrema sofisticação intelectual e trajetória de esquerda com uma fé tão enraizada: Serra é católico praticante, vai à missa, comunga, se benze quando entra em avião. Parecem-me dois lados muito distantes.
— Mas não são dois lados, é um lado só! — surpreende-se Mônica, diante da minha incompreensão. — Ele é uma pessoa que tem uma vida espiritual, intelectual... enfim, uma vida completa, como qualquer pessoa. É muito devoto de Santa Rita. Aliás, quando apareceu o nome da Rita Camata entre os candidatos a vice, eu pensei: “Ah, não adianta, vai ser a Rita...” Mas veja bem, até o lado de esquerda ele começou a desenvolver na JUC, a Juventude Universitária Católica.
Sucesso de público, mas...
A política estudantil, porém, fisgou Serra antes ainda da JUC por um caminho curioso: o do teatro. Assim que entrou para a Escola Politécnica da USP, descobriu o GTP (Grupo Teatral Politécnico), no qual atuavam colegas que, posteriormente continuaram na carreira artística, como Fauzi Arap. Aqui vale um parênteses para lembrar que, naquele começo dos anos 60, teatro era uma atividade extremamente politizada. Podemos fechar o parênteses.
Ator apenas razoável, na sua própria definição, Serra acha que o teatro o ajudou a enfrentar a inibição de encarar platéias, feito nada desprezível para um tímido em primeiro grau. Logo ele estaria pondo a nova habilidade à prova: foi o principal organizador da greve estudantil da Politécnica em 62, em breve estava dirigindo a UEE (União Estadual de Estudantes) e, em 63, foi eleito presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes).
A sua ficha no Dops registra que, em 23 de agosto daquele mesmo ano, foi mais aplaudido do que Jango Goulart, então presidente da República, num comício em homenagem à memória de Getúlio que reuniu 90 mil pessoas na Cinelândia. Em tese, ele deveria ter falado antes do presidente — mais ou menos como um músico alternativo esquentando a platéia para o grande astro.
Mas chegou atrasado (como sempre) e acabou falando entre os oradores principais.
O comício pode ter sido um grande sucesso com as massas, mas o mesmo não se pode dizer dos militares que, mal dado o golpe, já estavam com o seu nome numa listinha especial. O pior é que no dia 1 de abril de 1964 José Serra estava no Rio, para onde se mudara ao assumir a presidência da UNE, e não tinha idéia para onde correr.
Com a ajuda de Marcello Cerqueira, seu vice na UNE, rodou a cidade inteira procurando algum lugar seguro para ficar — mas isso, aparentemente, não existia então. Finalmente, ambos foram para uma garçonnière que Jacob Kligerman (sim, esse mesmo, hoje presidente do Inca) mantinha na Lapa. Mas lá também a segurança era, no mínimo, questionável: o prédio era vizinho ao Dops. Alguns dias depois, estavam na embaixada da Bolívia, junto com Artur da Távola, na época líder do PTB na Assembléia Legislativa. A amizade dura até hoje.
Ao fim de três meses — que considera entre os piores momentos da sua vida junto com os nove meses de asilo que passou na embaixada da Itália, no Chile, em 1973 — José Serra conseguiu, finalmente, deixar o país, para onde só voltaria 14 anos depois.
A história do diploma
Ele foi inicialmente para a França, onde ficou pouco tempo; viajou em seguida para o Chile, grande centro de efervescência política e cultural da América Latina e, de qualquer forma, bem mais próximo ao Brasil.
Terminar o curso de engenharia da Politécnica estava, por razões óbvias, fora de questão. Resultado: ele nunca chegou a se graduar aqui. A descoberta deste fato tem, aliás, feito a festa dos sites de seus adversários, que proclamam, na internet, que “Serra também não tem diploma!”.
Mas não é bem assim. No Chile — onde consolidou a amizade com Fernando Henrique — chegou à conclusão de que engenharia não era tão interessante quanto economia e, em 1967, entrou para a pós-graduação da Universidade do Chile, a Escolatina.
Para ser admitido, teve que fazer um exame equivalente a todo o curso de graduação. Estudou durante meses, virou muitas noites mas, enfim, passou na prova. Terminou o curso entre os três primeiros colocados. Foi contratado pelo Instituto de Economia, e passou a dar aulas na Escolatina. Apesar das saudades do Brasil, esta foi uma fase relativamente tranqüila — até que os ventos chilenos mudaram.
Já pai de duas crianças pequenas, Serra se viu novamente no olho do furacão. Para desespero de Mônica, foi levado para o Estádio Nacional de Santiago, de onde quase ninguém saía vivo — mas de onde, por pura sorte, conseguiu escapar. E lá se foi a família para a embaixada da Itália. Verônica tinha 4 anos; Luciano, 3 meses. Mônica e as crianças receberam um salvo-conduto três meses depois; Serra ainda ficaria seis longos meses trancado, longe da família, angustiado, sem notícias precisas ou freqüentes.
Obtido o salvo-conduto, escolheu ir para Cornell, nos Estados Unidos. Tinha convites de várias instituições de ensino, mas nenhuma lhe oferecia uma bolsa melhor. A próxima parada, depois do doutorado, foi a Universidade de Princeton, onde foi para o Instituto de Estudos Avançados.
Foi nos Estados Unidos, também, que a vida de Mônica tomou um novo rumo. Com a carreira de bailarina interrompida pelo exílio, aproveitou a vida universitária do marido para fazer mestrado em psicologia educacional em Cornell e, em Princeton, em terapia pelo movimento. Na volta ao Brasil, em 1978, fez doutorado em psicologia clínica na USP. Hoje ensina na Unicamp e dirige a associação internacional Arte Sem Fronteiras.
A fala de Mônica ainda guarda leves traços de espanhol — mas ela fala apenas com sotaque, sem qualquer vestígio de portunhol, o que é bastante raro entre imigrantes da América Latina.
— Ah, o Zé é responsável por isso — explica — Tudo o que eu falava ele corrigia. Sempre! Eu conversando e ele corrigindo, corrigindo... até o pessoal falar: “Serra, deixa de ser chato, ela tá falando muito bem.” Como ele é perfeccionista, ia em cima: “Mas errou, né? Se é para falar certo, é para falar certo...”
Uma questão de fuso horário
“Perfeccionismo” é uma das palavras que invariavelmente aparecem quando se pede a alguém próximo de Serra uma definição do candidato. “Obstinação” e “determinação” são outras. Nenhuma delas surpreende o público; mas alguns adjetivos, como “simpático” e “engraçado”, soam definitivamente bizarros para quem não o conhece. No entanto, aplicam-se ao homem, numa boa.
Pude comprovar isso mais uma vez quando viajamos para Cuiabá. Eu já havia me encontrado com Serra uma vez, há uns dez anos, durante um debate do qual participaram ele e Millôr Fernandes, um adversário dialético notoriamente difícil. Para minha surpresa, porém, ele se saiu incrivelmente bem, com muita graça e agilidade.
Durante a ida, no avião, nos momentos em que não estávamos cochilando, nos entendemos às mil maravilhas sobre literatura e cinema, duas de suas grandes paixões. Ele lê compulsivamente (estava com um Nabokov a bordo), vê todos os filmes e, pior, é do tipo que lembra nome de iluminador assistente. Também conversamos muito sobre software livre, assunto para o qual consegui chamar sua atenção na sabatina do GLOBO ao encontrar uma analogia que pôs a questão nos seus termos: programas como o Linux, por exemplo, são os genéricos do software.
Como, por acaso, funcionamos ambos no mesmo fuso horário, foi fácil para mim perceber que o José Serra que as pessoas encontram até as duas, três da tarde não tem nada a ver com o José Serra do fim da tarde. À noite, então, está sempre ótimo, muitíssimo bem disposto, canta músicas do repertório clássico da MPB, conta histórias e tem, acreditem, um ótimo senso de humor, de tiradas finas e sutis, sempre inteligentes.
O problema é que, a essa hora, a maioria das testemunhas já foi dormir.
Mais difícil de entender é por que uma pessoa que tem tantas qualidades óbvias a qualquer hora — como a extrema determinação política que o levou a ganhar a queda-de-braço com os laboratórios internacionais ou com a indústria do fumo, dois lobbies poderosíssimos — não conseguiu passar, no horário eleitoral, uma mensagem que falasse mais claramente à emoção dos telespectadores.
Artur da Távola, amigo de longa data e comunicador por excelência, tem algumas teorias. Ele acha que Serra deveria esquecer do teleprompter na televisão.
— Quando você lê, você olha para fora; quando fala, olha para dentro, — explica. — Isso faz uma diferença enorme, você não imagina.
E por que ele passa a impressão de ser tão fechado, quando é apenas tímido?
— Porque a figura pública do Serra é feita das suas defesas psicológicas. Ele é uma pessoa muito especial. Ele não cumpre os rituais habituais da política, não consegue fingir interesses que não tem e, por isso, acaba ficando com fama de antipático. O que as pessoas não percebem é que, por trás dessa aparente “antipatia”, está uma grande virtude. Ele não transige, não compactua com mediocridade, não tem paciência com burrice — e não faz qualquer esforço para disfarçar isso.
Ele tem razão. José Serra não faz a menor questão de “agradar”, de fazer o que se espera que faça. Está sempre numa posição sua, algo solitária, um pouco à margem do sistema, seja lá que sistema for — do relógio biológico “normal” da humanidade ao governo Fernando Henrique.
Que representa, sem exatamente representar.
19/02/2002
Do livro de visitas
Estas msgs foram deixadas por amigos no livro de visitas do internETC. Como estão meio grandes, transferi para cá:
Sobre auto-estima
Name: Denize Feijó
Email: denizefeijo@hotmail.com
Comments:: Sobre Auto-Estima
Isto eu tirei do "The New York Times" - como diria o Elmer Fudd - vewy, vewy intewsting!!!!!
February 3, 2002
The Trouble With Self-Esteem
By LAUREN SLATER
Take this test:
1. On the whole I am satisfied with myself.
2. At times I think that I am no good at all.
3. I feel that I have a number of good qualities.
4. I am able to do things as well as most other people.
5. I feel I do not have much to be proud of.
6. I certainly feel useless at times.
7. I feel that I am a person of worth, at least the equal of others.
8. I wish I could have more respect for myself.
9. All in all, I am inclined to feel that I am a failure.
10. I take a positive attitude toward myself.
Devised by the sociologist Morris Rosenberg, this questionnaire is one of the most widely used self-esteem assessment scales in the United States. If your answers demonstrate solid self-regard, the wisdom of the social sciences predicts that you are well adjusted, clean and sober, basically lucid, without criminal record and with some kind of college cum laude under your high-end belt. If your answers, on the other hand, reveal some inner shame, then it is obvious: you were, or are, a teenage mother; you are prone to social deviance; and if you don't drink, it is because the illicit drugs are bountiful and robust.
It has not been much disputed, until recently, that high self-esteem -- defined quite simply as liking yourself a lot, holding a positive opinion of your actions and capacities -- is essential to well-being and that its opposite is responsible for crime and substance abuse and prostitution and murder and rape and even terrorism. Thousands of papers in psychiatric and social-science literature suggest this, papers with names like ''Characteristics of Abusive Parents: A Look At Self-Esteem'' and ''Low Adolescent Self-Esteem Leads to Multiple Interpersonal Problems.'' In 1990, David Long published ''The Anatomy of Terrorism,'' in which he found that hijackers and suicide bombers suffer from feelings of worthlessness and that their violent, fluorescent acts are desperate attempts to bring some inner flair to a flat mindscape.
This all makes so much sense that we have not thought to question it. The less confidence you have, the worse you do; the more confidence you have, the better you do; and so the luminous loop goes round. Based on our beliefs, we have created self-esteem programs in schools in which the main objective is, as Jennifer Coon-Wallman, a psychotherapist based in Boston, says, ''to dole out huge heapings of praise, regardless of actual accomplishment.'' We have a National Association for Self-Esteem with about a thousand members, and in 1986, the State Legislature of California founded the ''California Task Force to Promote Self-Esteem and Personal and Social Responsibility.'' It was galvanized by Assemblyman John Vasconcellos, who fervently believed that by raising his citizens' self-concepts, he could divert drug abuse and all sorts of other social ills.
It didn't work.
In fact, crime rates and substance abuse rates are formidable, right along with our self-assessment scores on paper-and-pencil tests. (Whether these tests are valid and reliable indicators of self-esteem is a subject worthy of inquiry itself, but in the parlance of social-science writing, it goes ''beyond the scope of this paper.'') In part, the discrepancy between high self-esteem scores and poor social skills and academic acumen led researchers like Nicholas Emler of the London School of Economics and Roy Baumeister of Case Western Reserve University to consider the unexpected notion that self-esteem is overrated and to suggest that it may even be a culprit, not a cure.
''There is absolutely no evidence that low self-esteem is particularly harmful,'' Emler says. ''It's not at all a cause of poor academic performance; people with low self-esteem seem to do just as well in life as people with high self-esteem. In fact, they may do better, because they often try harder.'' Baumeister takes Emler's findings a bit further, claiming not only that low self-esteem is in most cases a socially benign if not beneficent condition but also that its opposite, high self-regard, can maim and even kill. Baumeister conducted a study that found that some people with favorable views of themselves were more likely to administer loud blasts of ear-piercing noise to a subject than those more tepid, timid folks who held back the horn. An earlier experiment found that men with high self-esteem were more willing to put down victims to whom they had administered electric shocks than were their low-level counterparts.
Last year alone there were three withering studies of self-esteem released in the United States, all of which had the same central message: people with high self-esteem pose a greater threat to those around them than people with low self-esteem and feeling bad about yourself is not the cause of our country's biggest, most expensive social problems. The research is original and compelling and lays the groundwork for a new, important kind of narrative about what makes life worth living -- if we choose to listen, which might be hard. One of this country's most central tenets, after all, is the pursuit of happiness, which has been strangely joined to the pursuit of self-worth. Shifting a paradigm is never easy. More than 2,000 books offering the attainment of self-esteem have been published; educational programs in schools designed to cultivate self-esteem continue to proliferate, as do rehabilitation programs for substance abusers that focus on cognitive realignment with self-affirming statements like, ''Today I will accept myself for who I am, not who I wish I were.'' I have seen therapists tell their sociopathic patients to say ''I adore myself'' every day or to post reminder notes on their kitchen cabinets and above their toilet-paper dispensers, self-affirmations set side by side with waste.
Will we give these challenges to our notions about self-esteem their due or will the research go the way of the waste? ''Research like that is seriously flawed,'' says Stephen Keane, a therapist who practices in Newburyport, Mass. ''First, it's defining self-esteem according to very conventional and problematic masculine ideas. Second, it's clear to me that many violent men, in particular, have this inner shame; they find out early in life they're not going to measure up, and they compensate for it with fists. We need, as men, to get to the place where we can really honor and expand our natural human grace.''
Keane's comment is rooted in a history that goes back hundreds of years, and it is this history that in part prevents us from really tussling with the insights of scientists like Baumeister and Emler. We have long held in this country the Byronic belief that human nature is essentially good or graceful, that behind the sheath of skin is a little globe of glow to be harnessed for creative uses. Benjamin Franklin, we believe, got that glow, as did Joseph Pulitzer and scads of other, lesser, folks who eagerly caught on to what was called, in the 19th century, ''mind cure.''
Mind cure augurs New Age healing, so that when we lift and look at the roots, New Age is not new at all. In the 19th century, people fervently believed that you were what you thought. Sound familiar? Post it above your toilet paper. You are what you think. What you think. What you think. In the 1920's, a French psychologist, Emile Coue, became all the rage in this country; he proposed the technique of autosuggestion and before long had many citizens repeating, ''Day by day in every way I am getting better and better.''
But as John Hewitt says in his book criticizing self-esteem, it was maybe Ralph Waldo Emerson more than anyone else who gave the modern self-esteem movement its most eloquent words and suasive philosophy. Emerson died more than a century ago, but you can visit his house in Concord, Mass., and see his bedroom slippers cordoned off behind plush velvet ropes and his eyeglasses, surprisingly frail, the frames of thin gold, the ovals of shine, perched on a beautiful desk. It was in this house that Emerson wrote his famous transcendentalist essays like ''On Self-Reliance,'' which posits that the individual has something fresh and authentic within and that it is up to him to discover it and nurture it apart from the corrupting pressures of social influence. Emerson never mentions ''self-esteem'' in his essay, but his every word echoes with the self-esteem movement of today, with its romantic, sometimes silly and clearly humane belief that we are special, from head to toe.
Self-esteem, as a construct, as a quasi religion, is woven into a tradition that both defines and confines us as Americans. If we were to deconstruct self-esteem, to question its value, we would be, in a sense, questioning who we are, nationally and individually. We would be threatening our self-esteem. This is probably why we cannot really assimilate research like Baumeister's or Emler's; it goes too close to the bone and then threatens to break it. Imagine if you heard your child's teacher say, ''Don't think so much of yourself.'' Imagine your spouse saying to you, ''You know, you're really not so good at what you do.'' We have developed a discourse of affirmation, and to deviate from that would be to enter another arena, linguistically and grammatically, so that what came out of our mouths would be impolite at best, unintelligible at worst.
Is there a way to talk about the self without measuring its worth? Why, as a culture, have we so conflated the two quite separate notions -- a) self and b) worth? This may have as much to do with our entrepreneurial history as Americans, in which everything exists to be improved, as it does, again, with the power of language to shape beliefs. How would we story the self if not triumphantly, redemptively, enhanced from the inside out? A quick glance at amazon.com titles containing the word ''self'' shows that a hefty percentage also have -improvement or -enhancement tucked into them, oftentimes with numbers -- something like 101 ways to improve your self-esteem or 503 ways to better your outlook in 60 days or 604 ways to overcome negative self-talk. You could say that these titles are a product of a culture, or you could say that these titles and the contents they sheathe shape the culture. It is the old argument: do we make language or does language make us? In the case of self-esteem, it is probably something in between, a synergistic loop-the-loop.
On the subject of language, one could, of course, fault Baumeister and Emler for using ''self-esteem'' far too unidimensionally, so that it blurs and blends with simple smugness. Baumeister, in an attempt at nuance, has tried to shade the issue by referring to two previously defined types: high unstable self-esteem and high well-grounded self-esteem. As a psychologist, I remember once treating a murderer, who said, ''The problem with me, Lauren, is that I'm the biggest piece of [expletive] the world revolves around.'' He would have scored high on a self-esteem inventory, but does he really ''feel good'' about himself? And if he doesn't really feel good about himself, then does it not follow that his hidden low, not his high, self-esteem leads to violence? And yet as Baumeister points out, research has shown that people with overt low self-esteem aren't violent, so why would low self-esteem cause violence only when it is hidden? If you follow his train of thinking, you could come up with the sort of silly conclusion that covert low self-esteem causes aggression, but overt low self-esteem does not, which means concealment, not cockiness, is the real culprit. That makes little sense.
''The fact is,'' Emler says, ''we've put antisocial men through every self-esteem test we have, and there's no evidence for the old psychodynamic concept that they secretly feel bad about themselves. These men are racist or violent because they don't feel bad enough about themselves.'' Baumeister and his colleagues write: ''People who believe themselves to be among the top 10 percent on any dimension may be insulted and threatened whenever anyone asserts that they are in the 80th or 50th or 25th percentile. In contrast, someone with lower self-esteem who regards himself or herself as being merely in the top 60 percent would only be threatened by the feedback that puts him or her at the 25th percentile. . . . In short, the more favorable one's view of oneself, the greater the range of external feedback that will be perceived as unacceptably low.''
Perhaps, as these researchers are saying, pride really is dangerous, and too few of us know how to be humble. But that is most likely not the entire reason why we are ignoring flares that say, ''Look, sometimes self-esteem can be bad for your health.'' There are, as always, market forces, and they are formidable. The psychotherapy industry, for instance, would take a huge hit were self-esteem to be re-examined. After all, psychology and psychiatry are predicated upon the notion of the self, and its enhancement is the primary purpose of treatment. I am by no means saying mental health professionals have any conscious desire to perpetuate a perhaps simplistic view of self-esteem, but they are, we are (for I am one of them, I confess), the ''cultural retailers'' of the self-esteem concept, and were the concept to falter, so would our pocketbooks.
Really, who would come to treatment to be taken down a notch? How would we get our clients to pay to be, if not insulted, at least uncomfortably challenged? There is a profound tension here between psychotherapy as a business that needs to retain its customers and psychotherapy as a practice that has the health of its patients at heart. Mental health is not necessarily a comfortable thing. Because we want to protect our patients and our pocketbooks, we don't always say this. The drug companies that underwrite us never say this. Pills take you up or level you out, but I have yet to see an advertisement for a drug of deflation.
If you look at psychotherapy in other cultures, you get a glimpse into the obsessions of our own. You also see what a marketing fiasco we would have on our hands were we to dial down our self-esteem beliefs. In Japan, there is a popular form of psychotherapy that does not focus on the self and its worth. This psychotherapeutic treatment, called Morita, holds as its central premise that neurotic suffering comes, quite literally, from extreme self-awareness. ''The most miserable people I know have been self-focused,'' says David Reynolds, a Morita practitioner in Oregon. Reynolds writes, ''Cure is not defined by the alleviation of discomfort or the attainment of some ideal state (which is impossible) but by taking constructive action in one's life which helps one to live a full and meaningful existence and not be ruled by one's emotional state.''
Morita therapy, which emphasizes action over reflection, might have some trouble catching on here, especially in the middle-class West, where folks would be hard pressed to garden away the 50-minute hour. That's what Morita patients do; they plant petunias and practice patience as they wait for them to bloom.
Like any belief system, Morita has its limitations. To detach from feelings carries with it the risk of detaching from their significant signals, which carry important information about how to act: reach out, recoil. But the current research on self-esteem does suggest that we might benefit, if not fiscally than at least spiritually, from a few petunias on the Blue Cross bill. And the fact that we continue, in the vernacular, to use the word ''shrink'' to refer to treatment means that perhaps unconsciously we know we sometimes need to be taken down a peg.
Down to . . . what? Maybe self-control should replace self-esteem as a primary peg to reach for. I don't mean to sound Puritanical, but there is something to be said for discipline, which comes from the word ''disciple,'' which actually means to comprehend. Ultimately, self-control need not be seen as a constriction; restored to its original meaning, it might be experienced as the kind of practiced prowess an athlete or an artist demonstrates, muscles not tamed but trained, so that the leaps are powerful, the spine supple and the energy harnessed and shaped.
There are therapy programs that teach something like self-control, but predictably they are not great moneymakers and they certainly do not attract the bulk of therapy consumers, the upper middle class. One such program, called Emerge, is run by a psychologist named David Adams in a low-budget building in Cambridge, Mass. Emerge's clients are mostly abusive men, 75 percent of them mandated by the courts. ''I once did an intake on a batterer who had been in psychotherapy for three years, and his violence wasn't getting any better,'' Adams told me. ''I said to him, 'Why do you think you hit your wife?' He said to me, 'My therapist told me it's because I don't feel good about myself inside.''' Adams sighs, then laughs. ''We believe it has nothing to do with how good a man feels about himself. At Emerge, we teach men to evaluate their behaviors honestly and to interact with others using empathy and respect.'' In order to accomplish these goals, men write their entire abuse histories on 12-by-12 sheets of paper, hang the papers on the wall and read them. ''Some of the histories are so long, they go all around the room,'' Adams says. ''But it's a powerful exercise. It gets a guy to really concretely see.'' Other exercises involve having the men act out the abuse with the counselor as the victim. Unlike traditional ''suburban'' therapies, Emerge is under no pressure to keep its customers; the courts do that for them. In return, they are free to pursue a path that has to do with ''balanced confrontation,'' at the heart of which is critical reappraisal and self- -- no, not esteem -- responsibility.
While Emerge is for a specific subgroup of people, it might provide us with a model for how to reconfigure treatment -- and maybe even life -- if we do decide the self is not about how good it feels but how well it does, in work and love. Work and love. That's a phrase fashioned by Freud himself, who once said the successful individual is one who has achieved meaningful work and meaningful love. Note how separate this sentence is from the notion of self. We blame Freud for a lot of things, but we can't blame that cigar-smoking Victorian for this particular cultural obsession. It was Freud, after all, who said that the job of psychotherapy was to turn neurotic suffering into ordinary suffering. Freud never claimed we should be happy, and he never claimed confidence was the key to a life well lived.
I remember the shock I had when I finally read this old analyst in his native tongue. English translations of Freud make him sound maniacal, if not egomaniacal, with his bloated words like id, ego and superego. But in the original German, id means under-I, ego translates into I and superego is not super-duper but, quite simply, over-I. Freud was staking a claim for a part of the mind that watches the mind, that takes the global view in an effort at honesty. Over-I. I can see. And in the seeing, assess, edit, praise and prune. This is self-appraisal, which precedes self-control, for we must first know both where we flail and stumble, and where we are truly strong, before we can make disciplined alterations. Self-appraisal. It has a certain sort of rhythm to it, does it not? Self-appraisal may be what Baumeister and Emler are actually advocating. If our lives are stories in the making, then we must be able to edit as well as advertise the text. Self-appraisal. If we say self-appraisal again and again, 101 times, 503 times, 612 times, maybe we can create it. And learn its complex arts.
Lauren Slater is a psychologist. Her memoir, ''Love Works Like This,'' will be published by Random House in May.
Copyright 2002 The New York Times Company | Privacy Information
O Gatinho Clonado
Name: Frederico Cintra
Email: fredcintra@hotmail.com
Comments:: como vc gosta de gatos te envio essa reportagem gostaria de saber sua opinião!
abraços FRED
Pesquisadores apresentam o primeiro gato clonado
"Cc" nasceu em 22 de dezembro de 2001
14 de fevereiro, 2002
Às11:06 PM hora de Brasília (0106 GMT)
WASHINGTON -- Pesquisadores da Universidade A&M, no Texas, Estados Unidos, apresentaram, nesta quinta-feira, o primeiro gato clonado da história.
A gatinha, que tem quase dois meses de vida, recebeu o nome de "Cc" e é o primeiro produto de sucesso do programa chamado Copycat, desenvolvido pela universidade e que é patrocinado pela companhia Sperling's Genetic Savings & Clone, com o intuito de ajudar as pessoas a clonar seus animais de estimação.
A filhote entra para uma lista crescente de animais que já foram clonados a partir de células adultas, encabeçada pela ovelha Dolly e que inclui porcos, cabras, bovinos, ratos, entre outros.
"A gatinha parece ser completamente normal, disse Mark Westhusin, em reportagem publicada na revista científica Nature.
Não é cópia exata
Mas, o animal clonado não será necessariamente uma cópia do original, explicou o cientista Duane Kraemer.
É uma reprodução, não uma ressurreição, disse Kraemer.
Cc é branca e marrom, mas não exatamente igual à sua mãe genética. Além disso, é muito diferente da gata listrada da qual nasceu.
Os cientistas disseram que sua cor é única porque não é apenas a genética que contribui para suas características externas, mas também as condições do ventre materno.
Além da diferença na aparência exterior, os pesquisadores também disseram que os donos dos animais de estimação deverão compreender que os animais clonados não têm laço afetivo algum com seus doadores genéticos, nem possuem sua memória.
188 tentativas
Os pesquisadores precisaram de 188 tentativas para chegar ao nascimento de Cc, ocorrido em 22 de dezembro de 2001.
Eles implantaram 82 embriões, mas apenas uma gata ficou grávida com um filhote. Por isso, Westhusin disse que ainda não está claro se será fácil ou não clonar gatos.
Os pesquisadores estão preocupados com a saúde dos clones. Muitos dos animais de fazenda clonados, quando sobrevivem à gravidez e ao parto, se mostram saudáveis e normais. Mas, os clones freqüentemente têm placentas anormais, que levam à morte.
Cientistas informaram, no início deste mês, que a maioria dos ratos clonados morre jovem por problemas de fígado e pulmão. Especialistas sugerem que a técnica utilizada para clonagem é fundamental para a criação de um animal saudável.
Polêmica
Tanto Kraemer como Randall Prather, da Universidade de Missouri e que não participou do projeto do Texas, concordam que a clonagem felina poderia ter benefícios para o ser humano em geral.
Entre esse benefícios está o uso dos felinos nas pesquisas que buscam cura para doenças que atingem seres humanos.
Os gatos são normalmente utilizados em pesquisas neurológicas e Kraemer disse que um grupo de cientistas quer usar felinos para testar remédios para combater o vírus que causa a Aids.
Além disso, a clonagem pode ajudar a conservar espécies felinas em perigo de extinção.
Mas, para o vice-presidente da Sociedade Humana dos Estados Unidos, Wayne Pacelle, os cientistas devem parar de usar animais em pesquisas médicas e que o principal problema das espécies felinas em perigo de extinção é a destruição de seu hábitat natural.
(Com informações da Reuters e da Associated Press)
04/12/2001
O casal 20 de Portugal
Artur Xexéo
Alguma novidade? A pergunta procede para quem está há um mês fora do país. Bem, o Caetano está fazendo um show para lançar a gravação ao vivo do show que fez no ano passado.
Opa, mas essa não era a novidade quando voltei de viagem no ano retrasado?
Então, tem a Renata Sorrah no teatro estrelando uma peça estrangeira. Ué, mas ela não fez isso no ano passado, quando o Caetano estava lançando um show para gravar um CD ao vivo?
Mas, desta vez, ela está ao lado da Xuxa Lopes.
Ih, essa era a novidade de três anos atrás, quando o Caetano estava lançando um disco com a gravação ao vivo do show que tinha feito no ano anterior. Será que não tem novidade nenhuma?
Tem o Diogo Mainardi lançando um filme que fez com o irmão e que é uma droga.
Este filme eu já vi. Foi na mesma época em que o Caetano estava fazendo um show para gravar um disco com o repertório do disco anterior gravado de um show ao vivo.
Não. Esse filme era com a Maitê Proença. O de agora é com a Carolina Ferraz. E o Diogo diz que está sendo perseguido pela crítica.
Ah, só pode ser o mesmo filme. Me conte uma novidade, pelamordedeus.
Tem uma casa... Desde que cheguei ao Brasil só ouço falar na tal “Casa dos artistas”, sucesso atual do SBT. Doze... como dizer?... ahnn... artistas, confinados numa casa, exibem seu cotidiano às câmeras de TV. Não cabe mais discutir se o programa é ou não é plágio do holandês “Big brother”. É claro que é. A única possível diferença é que, no formato holandês, são usados anônimos, enquanto no formato sbtiano, são usadas... como dizer?... ahnn... celebridades. Mas isso não faz diferença alguma. No “Big brother”, os anônimos descobrem, ao sair da casa, que se transformaram em celebridades. Na “Casa dos artistas”, as celebridades vão descobrir, ao sair da casa, que só lhes resta o anonimato. É uma casa muito engraçada. Quem mora nela, por exemplo, tem que ouvir o Supla cantando o dia inteiro. Agora, me conta, dá pra ser feliz ouvindo Supla o dia inteiro? Depois, ninguém entende porque a Mari Alexandre não pára de chorar. Aposto que se você passasse um dia inteiro ouvindo os rocks do Supla também choraria à beça.
É uma casa ainda em que todos os moradores ouvem com a maior atenção o que Alexandre Frota tem para dizer. Uma casa que leva Alexandre Frota a sério? Prefiro “O clone”.
Tornei-me um expert em “Big brother”. Na temporada que passei fora do país, acompanhei a versão que faz sucesso na TV portuguesa. E de lá trago a história que mobilizou Portugal e que não há a menor chance de acontecer na cópia produzida por Sílvio Santos.
O “Big brother” português já está na sua terceira versão. O sucesso da primeira edição levou a emissora que o põe no ar, a TV I, ao primeiro lugar de audiência no país.
Faz sucesso na casa do “Big brother” português o concorrente Ricardo. Ricardo é uma espécie de Mari Alexandre da terrinha. Passa os dias chorando pelos cantos da casa. O motivo? Sente saudades do namorado. Isso mesmo, Ricardo é gay e sente muito a falta de Dedéu. Foi o que bastou para a imprensa de Portugal sair à cata de Dedéu. Quem é Dedéu? O que ele faz? Que mistérios esconde Dedéu para fazer Ricardo sofrer tanto por sua ausência? Pois, outro dia, uma revista descobriu. Dedéu é magrinho, mulato e posou para a capa da publicação só de cuecas. Tem 27 anos, é leonino e fez um curso de dança, outro de interpretação e um terceiro de enfermagem em sua terra natal. Segredo final: qual é a terra natal de Dedéu? Ele mesmo responde: “Sou de São Salvador da Bahia, terra de Caetano, Daniela Mercury, Maria Bethânia e do nosso querido Jorge Amado. Sou de uma terra mística onde tudo acontece.”
Tudo acontece na Bahia, mas não tanto quanto em Lisboa. O público acabou se enchendo com os choros de Ricardo e o expulsou da casa. No momento seguinte, Ricardo e Dedéu viraram o casal 20 de Portugal. Dão entrevistas em todos os talk-shows e já se ofereceram para estrelar, como par romântico, uma telenovela qualquer. Mas, certamente, nenhuma telenovela conseguiria imaginar a trama em que Ricardo e Dedéu estão envolvidos. Descobriu-se agora que Dedéu engravidou a irmã de Ricardo por inseminação artificial. Com uma barriga de aluguel, Ricardo e Dedéu esperam um filho para oficializar sua união. Que “Casa dos artistas” que nada. A vida real é mais emocionante do lado de fora.
***
Noite dessas, na “Casa dos artistas” — onde mais? — o grupo discutia a conveniência de se ganhar uma passagem de ida e volta a Paris, prêmio de consolação para os que forem até a final, mas não ganharem. Mari Alexandre não gostou:
— Preferia que fosse para Lisboa. Paris é muito cara. Não vou ter dinheiro para pagar o hotel.
Supla não se preocupou com esta questão:
— Minha mãe está namorando um francês. Posso, pelo menos, ficar na casa dele.
Nossos comerciais, por favor.
23/11/2001
Não será o gato o melhor amigo do homem?
Julia Segatto
Brasília, 23 (Agência Brasil - ABr) - Quem disse que o cachorro é o melhor amigo do homem deve rever essa afirmação. Com a redução do tamanho das residências e o ritmo acelerado de vida, os gatos, geralmente mais independentes e higiênicos do que os cães, passaram a ser os melhores companheiros do homem moderno. De acordo com estudo sobre a convivência entre humanos e animais domésticos realizado pelo professor e pesquisador Carlos C. Alberts, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o comportamento do gato com seu dono se assemelha às relações humanas contemporâneas, em que o comprometimento com o outro é menos valorizado.
A flexibilidade comportamental do gato também o tornou o melhor amigo do homem. Ele altera suas características comportamentais de acordo com as condições em que vive. "Se o animal vive em um ambiente com baixa densidade
populacional de gatos, ele tenderá a ser um animal solitário, esquivo e até agressivo. Se vive em um local com alta densidade de gatos, tenderá a ser sociável, dócil. Se, por outro lado, vive com o homem, adapta-se facilmente ao esquema de vida deste, tornando-se sociável, ou não, dependendo dos estímulos que recebe em momentos específicos de sua vida", ilustra o
professor.
Gracioso em seus movimentos e notado por sua inteligência, o gato é, hoje,
um dos animais de estimação mais queridos do mundo. Em alguns países, é mais
admirado do que o cachorro. Estima-se que nos Estados Unidos e na Europa se
criem mais gatos do que cães, em uma proporção de cerca de 30 gatos para cada
ser humano, incluindo os ferais - gatos de áreas rurais e urbanas sem donos
fixos.
Mas não é apenas a sociedade urbana atual que se identifica e se rende aos
encantos dos carnívoros mais numerosos do mundo. Esses felinos se tornaram
objeto de apreciação e conquistaram o afeto de célebres poetas e escritores,
como Charles Baudelaire, Bernard Shaw, Mark Twain e Victor Hugo, e de
civilizações antigas, como a egípcia, fenícia e romana, em razão da sua
habilidade de caçar ratos. No século XI, por exemplo, esses felinos foram a
arma mais eficaz contra os roedores transmissores da peste bubônica.
Aparentemente, a domesticação dos felinos ainda está em curso, mas segundo
Alberts, pode-se dizer que o processo começou há cerca de seis mil anos, no
Egito Antigo, onde os gatos eram adorados como divindades. A deusa Bast, por
exemplo, que representava o Sol e significava fertilidade, era retratada com
a cabeça de um gato. "Quando os gatos morriam, eram mumificados e seus donos
raspavam as sobrancelhas em sinal de luto", explica Alberts. Estátuas,
desenhos e pinturas em tumbas revelam que os gatos da raça Abissínio - com
pelo curto, corpo esguio e pernas longas - são os mais semelhantes aos
daquela época.
Muitos pesquisadores consideram o gato domesticado egípcio o ancestral da
maioria das raças conhecidas atualmente. Segundo o pesquisador da Unesp,
embora fosse proibida a saída dos gatos do Egito, os fenícios e os romanos
levaram o felino domesticado para a Europa. Depois de dominar o Egito e
adotar o culto à deusa Bast, a civilização romana passou a considerar o gato
símbolo de liberdade, transformando-o em mascote dos exércitos que invadiram
países como a Inglaterra. "Os gatos ingleses são, portanto, descendentes dos
egípcios e de gatos selvagens locais que foram domesticados, o que é regra
em diversos países", acentua Alberts. Há, no entanto, exceções como o
Brasil, onde os gatos domésticos descendem somente daqueles trazidos pelos
colonizadores europeus, o que significa que o gato brasileiro tem como
ancestral o egípcio.
Na Idade Média, os gatos deixaram de ser admirados e passaram a sofrer
perseguição da Igreja Católica. "Para acabar com a resistência dos celtas ao
catolicismo, a Igreja pregou que os sacerdotes druidas eram bruxos. Como
viviam isolados, mas rodeados de gatos, estes foram associados ao demônio e
à má sorte", conta o professor. Os gatos, principalmente os pretos, eram
perseguidos, capturados e jogados à fogueira, o que ocorreu também entre os
povos germânicos, adoradores da deusa Freya, considerada uma divindade pagã.
O culto a Freya foi considerado heresia e associado à adoração de maus
espíritos. "Imagens da deusa foram destruídas, mulheres que tinham gatos
eram queimadas e os animais, enforcados."
Essa perseguição alimentou uma série de superstições que perduram até hoje,
como a crença de que cruzar com gato preto dá azar (azar, não, má sorte!). A
organização não-governamental dos EUA de proteção a animais The Humane
Society of the United States veiculou em seu site uma série de medidas
preventivas a serem tomadas por criadores de animais domésticos, no dia 31
de outubro, data na qual os norte-americanos tradicionalmente comemoram o
Dia das Bruxas. Aos donos de gatos pretos, a recomendação era: "Não deixe
seu gato solto durante as comemorações do Halloween, em especial gatos
pretos, que podem ser vítimas de brincadeiras nocivas."
13/11/2001
Ken Kesey Pulls His Last Prank...
by John Perry Barlow
Saturday evening, I received this message from Carolyn "Mountain Girl" Garcia:
[Kesey is] gone from the planet as you probably know by now - about 3:35 this morning, while everyone was napping, he tiptoed off away from a hopeless body, out into the radiance. While I'm feeling lonely, and wondering how to cope, the truth is, there are a lot of his trainees out there to take over his work. Those training camps got pretty large sometimes. sadly, softly, love, MG
Well. Right.
So Ken Kesey has shed his mortal husk. Damn! What a fine old wreck that was. Major meat.
So passes the last Titan of my young, bohemian admirings. How they all took flight, bang, bang, bang: Neal Cassady, Tim Leary, Jerry Garcia, Allen Ginsberg, William Burroughs, Terence McKenna, John Lilly, and now, magnificent, manly, irascible Kesey. I am blessed to have known all of them well enough to get past any distant awe to the better awe that beamed through full knowledge of their humanizing weaknesses.
I guess it's up to us now.
Of course, this would happen eventually. It's in the natural order of things here on the manifested plane. As I get older myself, it will become a commonplace. (My lamented mother used to say that she read the obituaries to keep up on news from her friends...)
And of course, we should not lament. As Mark Twain said: "Why is it that we rejoice at a birth and grieve at a funeral? It is because we are not the person involved."
Still, knowing that the loss is ours, not Ken's, doesn't make me miss him less.
I will miss as well that which has fallen victim to the "collateral damages" - to employ a current military euphemism - of his ascent. Also, dematerialized is the marvelous creature that lived in the space between Ken Kesey and Ken Babbs. During the four decades I've known them, they husbanded the best friendship I've ever soaked warmth from. Through the weirdest psychic weather imaginable, they kept that angel dancing, nanosecond to nanosecond.
With an economy that expands into unspoken encyclopedias of love, Babbs posted this on their web site (http://www.intrepidtrips.com/):
A great good friend and great husband and father and grand dad, he will be sorely missed but if there is one thing he would want us to do it would be to carry on his life's work. Namely to treat others with kindness and if anyone does you dirt forgive that person right away. This goes beyond the art, the writing, the performances, even the bus. Right down to the bone.
Just so. And never mind the fact that Kesey could also hold a grudge like the Celtic chieftain he resembled. Like all intrepid tripsters, Los Dos Kens knew that all such paradoxes were truths that hadn't had half of themselves amputated by some fool trying to resolve what he took to be mere contradiction.
Also seriously re-configured is the robust being that was his marriage to Faye Kesey, a true Christian, who remained as calm as Kesey was tempestuous during the 40 some years following their fresh-out-of-high-school elopement.
Wendell Berry once told me with admiration that of the astonishing cadre of writers that came to Stanford on Stegner Fellowships in 1962 - a group that consisted of Kesey, Berry, Babbs, Larry McMurtry, Robert Stone, Ed McLanahan, and Tom McGuane - only Kesey and himself had remained married to the same woman. (McLanahan described the 1962 Stegner Fellows as "the nicest group of bad people I ever had the good fortune to fall in with.")
Kesey used his time in Palo Alto to excellent purpose. First, he whacked out the canonical hip novel of his time, "One Flew Over the Cuckoo's Nest," an accomplishment that occupied a only few weeks of 1962. Then he set about to turn on America to LSD, having been been rewired himself in 1959 while volunteering for psychedelic service in an experimental program at the Palo Alto Veteran's Hospital.
Even while plotting the overthrow of the Existing Paradigm, he found time in 1964 to write what I consider to be the best shot taken at The Great American novel since "Moby Dick," "Sometimes A Great Notion." Like its author, it was big, broad-shouldered, masculine, and sweet-hearted. It does for the Northwest what Faulkner did for the South. If you haven't read it, the best thing you could do in the service of Ken's memory - in addition to following Babbs' good advice above - would be to read it.
But scarcely had he finished it when he took his Merry Pranksters, a fine platoon of loons - out on the most culturally influential road trip since Kerouac's. (The events of the next two years are chronicled in Tom Wolf's jabbering account, "The Electric Kool-Aid Acid Test.") Along the way, they commandeered venues and invited anyone who felt like it to come and drink their fill from bathtubs full of LSD-laced Kool-Aid. In the process, they were hugely responsible for turning the 60's into the 60's.
They also spawned a band that was called The Warlocks when Kesey decided to ask them to become the Muzak for this madness but who, after a few Acid Tests, became better known as The Grateful Dead.
I was shocked when I heard about these goings on. At the time, I was member of Eastern Orthodox Church of LSD, hanging out with Leary and Alpert at their compound in Millbrook, NY. There we took our acid very seriously. The thought of passing out massive quantities to total strangers seemed to us like, well, drug abuse. (As that point, I still didn't know that my best friend from prep school, Bob Weir, had become a central conspirator in this plot as the rhythm guitar player for the Grateful Dead.)
In any case, I allowed my ideological disapproval to cause me to miss that part of the fun, but it turned out there was plenty more to had in Kesey's presence, even after the Acid Tests were over, the Pranksters somewhat dispersed, and their driver, the avatar Neal Cassady was dead.
But you probably know all this. What you probably don't know was that Ken Kesey was an exceptionally good man. And I do mean good. And I do mean man. (He was, in college, the unlimited weight-class Northwestern wrestling champion and was built like a Humvee.}
I think one of the reasons people found him so disturbing was that he contained in plenty all the American virtues and looked the granite-jawed part besides. Ken was loyal, trustworthy, brave, kind. and irreverent. Babbs, who would know, was right. He was indeed,"a great good friend and great husband and father and grand dad."
He also suffered the worst thing that can happen to a father, and particularly one as devoted as he was. In 1984, the University of Oregon wrestling team was wiped out when their bus skidded off into a slick road and tumbled down a deep ravine. Among them was his golden son Jed.
Ken never got over it. But as I learned, only a little less painfully, there is a human soul and it persists with such timelessness as to render the bodies it wraps around itself irrelevant to all but the currently embodied.
One night, during the summer of summer of 1987, I found myself on the road with The Grateful Dead in the service of a screenplay I was writing for them at the time. Ken, his Prankster buddy Mike Hagen, and a beautiful veterinarian Hagen was chasing at the time, had turned up in San Francisco in an entirely unroadworthy '72 Cadillac they'd picked up at a used car lot in Eureka when their previous (and similar) edition rolled right over her front end.
They were headed to LA where the band's next gig was to be played in Anaheim Stadium. Since I wasn't drinking at the time and had run up many hours at the wheel of hard-used Cadillacs, they decided I would make a good designated driver. Furthermore, they wanted to stick to the back roads, which I would have found to my own preference had the steering box not had a (crazy) mind of its own.
At some point in the middle of that long and perilous night, Ken and I started talking about the possibility of life after life. He believed in it. Since I was still a Scientific Fundamentalist at the time, I found it astonishing that someone so erudite could believe such primitive thing.
Finally, he trumped me. "I have to believe that," he said quietly, on the heels of a noisy debate. "It's the only way I'll ever see Jed again."
Well, a lot of things happened after that, including the death of Cynthia Horner, which had the same effect on me. It comes in handy at moments like this, because it it would also be hard to think I'll never see Ken Kesey again. It's only a matter of time. And time is always brief, whether nanoseconds or millennia.
I can't be in Pleasant Hill, Oregon when they bury him next to Jed tomorrow. I want to be there, but I have a speech to give at the Cato Institute in Washington, DC, where there will be a number of Senators and Congressman who might be able to stop the media conglomerates from their blitzkrieg aimed at colonizing the Global Mind. So I'll be fighting for the freedoms that Ken held so dear.
Instead, I took Mountain Girl up on her offer to read something I wrote over Ken's vacated remains, I sent her this:
Eulogy for Ken
Kesey. You are still a trip. And I will always be on it.
What a man you were. And do I mean man. What a bull, all beef and energy and power, and sometimes, wild craziness. The meat is now discarded. The power and the energy - and certainly the wild craziness - still snort through our consciousness, which you did so much to expand.
I don't grieve for you. You knew long before I did that there are meadows for the soul. Jed led you to them. Now you're there with him and your grief is over. I'm sorry for us, but because I know how little truck you had with self-pity, I'm trying not to be too sorry for us.
Still. I will miss your magnificent bullshit. I will miss the little Prankster smile at the corners of your mouth. I will miss your mythic stories and the life you led that was so rich in their production. I will miss the lean clarity of your words. No one of your generation wrote better than you.
I will miss your nearly concealed sweetness of heart, the softness that stirred beneath the muscle, the disappearing bunny of your soul. I will even miss your faults, the weaknesses that almost rendered you human scale.
You were the last Titan of my Bohemian life. The latest crop of us seem soft on the outside and hard within. There are no more Cassadys or Kerouacs. There is no more Kesey.
I wish I could be there to watch them plant you out in your garden. But I am in the Belly of the Beast today, Washington, DC, putting in a lonely word for freedom. You never gave an inch in its service, and I will live for it as you would have me do.
Maybe one day I'll be able to identify all the qualities that grew into me from you. I know that you became part of me, just as Neal lived on in you. But right now, you are too generally distributed in my psyche to sort out into anything but gratitude.
So. Thank you, Ken. Thank you for everything. Thank you for myself.
Love,
Barlow
01/11/2001
Abort, retry, ignore?
Once upon a midnight dreary, fingers cramped and vision bleary,
System manuals piled high and wasted paper on the floor,
Longing for the warmth of bed sheets, still I sat there doing spreadsheets.
Having reached the bottom line I took a floppy from the drawer,
I then invoked the SAVE command and waited for the disk to store,
Only this and nothing more.
Deep into the monitor peering, long I sat there wond'ring, fearing,
Doubting, while the disk kept churning, turning yet to churn some more.
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token.
"Save!" I said, "You cursed mother! Save my data from before!"
One thing did the phosphors answer, only this and nothing more,
Just, "Abort, Retry, Ignore?"
Was this some occult illusion, some maniacal intrusion?
These were choices undesired, ones I'd never faced before.
Carefully I weighed the choices as the disk made impish noises.
The cursor flashed, insistent, waiting, baiting me to type some more.
Clearly I must press a key, choosing one and nothing more,
From "Abort, Retry, Ignore?"
With fingers pale and trembling, slowly toward the keyboard bending,
Longing for a happy ending, hoping all would be restored,
Praying for some guarantee, timidly, I pressed a key.
But on the screen there still persisted words appearing as before.
Ghastly grim they blinked and taunted, haunted, as my patience wore,
Saying "Abort, Retry, Ignore?"
I tried to catch the chips off guard, and pressed again, but twice as hard.
I pleaded with the cursed machine: I begged and cried and then I swore.
Now in mighty desperation, trying random combinations,
Still there came the incantation, just as senseless as before.
Cursor blinking, angrily winking, blinking nonsense as before.
Reading, "Abort, Retry, Ignore?"
There I sat, distraught, exhausted, by my own machine accosted.
Getting up I turned away and paced across the office floor.
And then I saw a dreadful sight: a lightning bolt cut through the night.
A gasp of horror overtook me, shook me to my very core.
The lightning zapped my previous data, lost and gone forevermore.
Not even, "Abort, Retry, Ignore?"
To this day I do not know the place to which lost data go.
What demonic nether world us wrought where lost data will be stored,
Beyond the reach of mortal souls, beyond the ether, into black holes?
But sure as there's C, Pascal, Lotus, Ashton-Tate and more,
You will be one day be left to wander, lost on some Plutonian shore,
Pleading, "Abort, Retry, Ignore?"
21/10/2001
A guerra contra o terror foi perdida há muito tempo
John Le Carré
8 de outubro de 2001
"Começaram os bombardeios", anuncia, com estardalhaço, a manchete do "Guardian", um jornal geralmente mais sóbrio. "A batalha está começando", lhe faz eco o não menos moderado "Herald Tribune", retomando uma frase de George W. Bush. Mas, está começando contra quem? E como irá terminar? Por exemplo, com Osama Bin Laden preso, com a aparência mais serena e crística do que nunca, comparecendo diante de um tribunal composto pelos vencedores, contando com a defesa do advogado Johnny Cochrane, assim como O.J. Simpson antes dele (uma vez que os custos advocatícios não serão problema algum para ele)? Ou então com um Bin Laden reduzido a frangalhos por uma dessas bombas inteligentes das quais nos falam constantemente os jornais, as que matam os terroristas dentro de suas tocas mas poupam a louça? Ou ainda, será que existe uma saída que não me ocorreu, que nos evitaria transformar nosso inimigo público nº 1 em mártir nº 1 aos olhos daqueles que já o consideram um semideus? Contudo, temos que puni-lo. Temos que arrastá-lo diante dos tribunais. Assim como todo ser humano dotado de um pouco de sensatez, não vejo outra solução. Podemos até enviar comida e remédios, fornecer ajuda humanitária, juntar todos os refugiados esfomeados, os órfãos mutilados e os pedaços de corpos humanos - perdão, os "danos colaterais" -, mas não temos escolha: Bin Laden e seus asseclas devem ser desentocados.
Ai de nós! O que a América está procurando atualmente, antes mesmo da vingança, é: mais amigos e menos inimigos. No entanto, o que a América está propiciando para si, assim como nós, britânicos, é: ainda mais inimigos, porque, apesar de todas as propinas, das ameaças e das promessas que foram empilhadas aos trancos e barrancos por essa vacilante coalizão, não podemos impedir um terrorista kamikaze de nascer toda vez que um míssil mal guiado arrasa uma aldeia inocente, e ninguém pode nos dizer como sair do círculo vicioso desespero-ódio-vingança.
O que pode nos trazer uma luz de esperança, é que os clichês e as imagens televisivas estilizadas de Bin Laden revelam um homem de narcisismo exacerbado. Seja quando ele posa com a sua kalachnikov, quando assiste a um casamento ou quando lê um texto sagrado, o menor de seus gestos complacentes trai uma consciência aguçada da câmera que é o próprio dos atores. Seu tamanho, sua beleza, sua graça, sua inteligência e seu magnetismo são qualidades formidáveis, com a condição de não ser o fugitivo mais procurado do planeta, já que elas se transformam nesse caso em problemas difíceis de ser dissimulados. Mas, na minha visão embotada, o que o domina, é a sua vaidade masculina quase irreprimível, seu gosto pela representação, sua paixão inconfessável pelas luzes da ribalta. Talvez esse traço de sua personalidade acabe se voltando contra ele mesmo, atraindo-o para um último ato teatral de autodestruição, produzido, realizado, escrito e estrelado até na morte pelo próprio Osama Bin Laden.
Na certa, conforme as regras estabelecidas da luta terrorista, essa guerra está perdida há muito tempo - por nós. Haverá alguma vitória que possa algum dia compensar as derrotas já sofridas, sem falar das que estão por vir? "O terror é sempre teatro", me disse, com toda tranqüilidade, um ativista palestino em 1982, em Beirute. Ele estava se referindo ao massacre dos atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique, mas ele poderia muito bem estar falando do World Trade Center e do Pentágono. Bakunin, o poeta do anarquismo, gostava de se referir à "propaganda do ato". Ninguém seria capaz de imaginar atos de propaganda mais espetaculares e contundentes. Hoje, Bakunin está morto e enterrado e, no mais profundo recanto de sua gruta, Bin Laden deve estar
esfregando as mãos ao nos ver nos envolvendo neste processo que suscita a mais alta alegria dos terroristas de sua espécie: com toda pressa, estamos reforçando nossos quadros de polícia e de informação, dando-lhes também cada vez mais poderes; estamos fazendo pouco caso dos direitos cívicos elementares e estamos restringindo a liberdade da imprensa; estamos impondo novos tabus jornalísticos e uma censura oculta; estamos espionando a nós mesmos e, nos piores extremos, estamos profanando as mesquitas e infernizando a vida de uns pobres concidadãos apenas porque a cor de sua pele nos assusta.
Todos esses temores que compartilhamos (será que vou ousar tomar o avião? Será que eu não deveria denunciar à polícia o casal esquisito que mora no andar de cima? Não seria melhor evitar passar de carro na frente dos ministérios de Whitehall, nesta manhã? Será que o meu filho voltou da escola são e salvo? Será que perdi de uma só vez as minhas economias de toda uma vida?) são precisamente os temores que os nossos agressores querem nos ver sentir.
Até o dia 11 de setembro, os Estados Unidos se davam por felizes por poder fustigar Vladimir Putin e seu açougue tchetcheno. A crítica que ele mais ouvia era a de que a violação pelos russos dos direitos humanos no norte do Cáucaso - e estamos falando aqui de tortura generalizada e de assassinatos na escala de um genocídio, ninguém contesta esse fato - representava um obstáculo para a normalização das relações de seu país com a Otan e com os Estados Unidos. Alguns observadores, entre os quais me incluo, chegaram a sugerir até mesmo que Putin se junte a Milosevic no tribunal de Haia - uma vez que os dois formam um par perfeito. Pois é, tudo isso acabou! A construção da grande e nova coalizão dará a Putin um cheiro de santidade, se comparado com alguns de seus colegas.
Quem se lembra hoje da tempestade de protestos que se levantou contra o que era visto como um colonialismo econômico dos países do G8? Ou contra a exploração do terceiro mundo por multinacionais incontroláveis? Praga, Seattle e Gênova foram os cenários de imagens constrangedoras de crânios estatelados, de vidro quebrado, de violência coletiva e de brutalidades
policiais, que chocaram muito o primeiro-ministro Tony Blair. Contudo, aquele era um debate legítimo, até o momento em que foi afogado por uma onda de patriotismo habilmente recuperada pela América das grandes empresas.
Atualmente, basta mencionar o Protocolo de Kyoto (que estipulava medidas de redução de emissão de gases na atmosfera, que o presidente Bush não quis assinar), para correr o risco de ser taxado de antiamericanismo. Como se tivéssemos ingressado num mundo orwelliano onde a nossa lealdade na qualidade de camaradas de luta se mede em função da nossa propensão em evocar o passado para explicar o presente. Sugerir que as recentes atrocidades se inscrevem dentro de um contexto histórico equivale implicitamente a desculpá-las. Quem está jogando em favor do time não pode fazer isso. Se o fizer, está jogando em favor do adversário.
Há dez anos, cansei todo mundo com o meu idealismo, contando a quem se dispusesse a me ouvir que estávamos perdendo uma oportunidade única de transformar o mundo, agora que a guerra fria havia sido deixada para trás. Onde estava o novo plano Marshall?, argumentava. Por que os rapazes e as garotas do American Peace Corps ou do Voluntary Service Overseas (organizações humanitárias) e seus homólogos europeus não estavam afluindo aos milhares na ex-União Soviética? Onde estava o chefe de Estado de estatura internacional, o homem providencial dotado da inspiração visionária suscetível de apontar para os verdadeiros inimigos da humanidade, por mais repulsivos que sejam: pobreza, fome, escravidão, tirania, drogas, conflitos étnicos, racismo, intolerância religiosa, cupidez? E eis que, de um dia para o outro, graças a Bin Laden e seus tenentes, todos os nossos dirigentes se tornaram chefes de Estado de estatura internacional, fazendo belos discursos de inspiração visionária dentro de distantes aeroportos que lhes servem de trampolins eleitorais.
O termo infeliz de "cruzada" tem sido pronunciado, e não apenas pelo "signor" Berlusconi. É evidente que falar em cruzada equivale a demonstrar um saboroso desconhecimento da história. Será que Berlusconi estava se propondo de verdade a libertar os lugares santos da cristandade e a rachar pelo meio os infiéis? E Bush com ele? E seria mesmo um despropósito de minha parte lembrar que nós as perdemos, as cruzadas? Mas não há de ser nada: a pequena frase do "signor" Berlusconi foi mal interpretada, e a referência presidencial torna-se caduca.
Enquanto isso, Tony Blair está desempenhando com afinco seu novo papel de valente porta-voz da América. Blair se expressa tanto melhor que Bush se expressa mal. Dentro de uma perspectiva externa aos seus países, nesse duo, é Blair que faz figura de dirigente experiente e inspirado, fortalecido, na sua própria casa, por um apoio popular inabalável, enquanto Bush - quem ousa ainda falar nisso, hoje? - foi eleito em condições mais que duvidosas. Mas, esse Blair é representativo do quê, ao certo? Blair, um dirigente experiente? Ambos beneficiam atualmente dos mais altos índices de aprovação nas pesquisas, mas, se eles aprenderam mesmo suas lições de história, ambos estão forçosamente conscientes de que um índice de popularidade elevado no primeiro dia de uma operação militar arriscada no exterior em nada garante uma vitória nas eleições.
A quantos cadáveres de GI's resistirá o apoio popular de George Bush? É verdade que depois do horror dos atentados em solo americano, o povo clama por vingança, mas ele atingirá rapidamente seu limite de tolerância ao ver o sangue derramado por outros compatriotas.
Na opinião do Ocidente inteiro (exceto algumas vozes discordantes na Grã-Bretanha), Tony Blair é o eloqüente cavalheiro branco da América, o leal e intrépido protetor dessa criança tão frágil nascida nas águas do Atlântico da "relação privilegiada". Saber se isso lhe valerá os favores do eleitorado são outros quinhentos, porque ele foi eleito para salvar o país do declínio e não de Osama Bin Laden. A Inglaterra que ele está levando para o combate é um monumento erigido para celebrar sessenta anos de incúria administrativa. Nossos sistemas de saúde, de educação e de transportes são exangues. É de bom tom, nos últimos tempos, dizer que eles são dignos daqueles do terceiro mundo, mas alguns países do terceiro mundo se saem muito melhor que a Grã-Bretanha. A Inglaterra governada por Blair está corroída pelo racismo institucionalizado, pela dominação do homem branco, por uma polícia desorganizada, por uma Justiça entupida, por uma riqueza privada indecente e por uma pobreza coletiva vergonhosa e perfeitamente evitável. Por ocasião de sua reeleição, marcada por um abstencionismo recorde, Blair reconheceu a existência desses males e se comprometeu humildemente a erradicá-los.
Então, quando você capta os vibrantes trêmulos de sua voz de guerreiro acidental e quando você se deixa conquistar pela sua retórica bem articulada, esteja também atento para a advertência subliminal que ele está lhe enviando: talvez a sua missão em relação à humanidade seja tão capital que você terá que esperar por mais um ano para sua operação urgente no hospital e muito mais ainda para ter direito a trens pontuais e seguros. Não tenho certeza de que seja com isso que ele vai vencer as legislativas dentro de três anos. Vendo e ouvindo Blair, não consigo deixar de pensar que ele está vivendo no meio de um sonho e que ele está andando sobre uma prancha que ele mesmo está ensaboando.
Utilizei a palavra "guerra". Estou me perguntando se Blair e Bush já viram pelo menos uma vez na vida uma criança estraçalhada por uma explosão ou um campo de refugiados sem defesa, atingido por uma bomba de fragmentação. Não é preciso ter sido testemunha desse tipo de horrores para ser um bom chefe dos exércitos, e estou torcendo para que nenhum dos dois tenha essa triste experiência. Mas em todo caso sinto medo toda vez que vejo o rosto de um político novato iluminado por uma aura guerreira e toda vez que ouço sua voz distinta me exortar ao combate.
E por favor, senhor Bush, eu lhe imploro, senhor Blair: deixem Deus fora de tudo isso. Imaginar que Deus se envolve em guerras equivale a Lhe imputar as piores loucuras dos homens. Pelo pouco que conhecemos dele, se é mesmo que conhecemos alguma coisa, o que prefiro não afirmar, Deus prefere as remessas de comida eficientes, as equipes médicas dedicadas, o conforto material e barracas sólidas para os desabrigados e os miseráveis. Deus prefere que nos arrependamos humildemente dos nossos pecados passados e que nos esforcemos a nos redimir. Ele prefere que sejamos menos cúpidos, menos arrogantes, menos prosélitos, menos imbuídos de desprezo em relação aos deserdados.
Não se trata de uma nova ordem mundial, ainda não, e não é a guerra de Deus. Antes, trata-se de uma operação de polícia atroz, necessária, degradante, visando a compensar a falência dos nossos serviços de informação e a cegueira política com a qual armamos e utilizamos os fundamentalistas islâmicos para que eles lutassem contra o invasor soviético, para abandoná-los em seguida, num país devastado e sem governo. Em conseqüência, cabe a nós, infelizmente, encurralar e punir um bando de fanáticos religiosos neomedievais que obterão dessa morte com a qual os ameaçamos uma dimensão mítica.
E uma vez que tudo terá acabado, nada terá acabado. A emoção suscitada pela eliminação de Bin Laden fortalecerá as fileiras de seus exércitos da sombra, em vez de rompê-los, assim como a retaguarda de simpatizantes silenciosos que lhes fornecem o apoio logístico. Como quem não quer nada, entre as linhas, estão querendo que acreditemos que o Ocidente se interessa, num sobressalto de consciência, ao problema dos pobres e dos desabrigados deste planeta. E talvez seja verdade que do medo, da fatalidade e da retórica nasceu uma moralidade política de um novo gênero. Mas, quando as armas se calarão para deixar lugar para uma paz aparente, será que os Estados Unidos e seus aliados permanecerão de prontidão ou, como aconteceu no final da guerra fria, será que eles vão pendurar as chuteiras e voltar a cultivar seus jardins? Jardins esses que nunca mais terão o aconchego do passado.
(Tradução: Jean-Yves de Neufville)
13/10/2001
A msg do Eduardo Etcheverry
Concordo contigo quanto aos sonhos desfeitos, e o noticiário tem sido atroz, fora alguns comentários e documentários inteligentes.
Nada como surfar pela rede (ailleurs), para dar-se conta do absurdo do que ouvimos na CNN, além dos sites do New York Times, Washington Post , etc. (controle total). Mas a Internet é uma grande e inegável ferramenta, e no meu entender, incontrolável.
Sempre achei um absurdo a desconsideração ocidental pelo Oriente, ou seja, "o outro" , a intolerância daí decorrente, e nunca entendi a única civilização, aquela que tenta se impor (a ferro e fogo).
E o Oriente, e o "outro", como é que fica? Tive muita, muita sorte mesmo, de apreciar a leitura (desde criança). E lembro-me, principalmente quando iniciei meus estudos de francês, que há uma certa tolerância e curiosidade "pelo outro" (seja ou não por razões diplomáticas, geopolíticas, ou o que que seja). O fato é que, através da França, comecei a entender, a gostar, e a apreciar o outro, e tive oportunidade (felizmente) de estudar um pouco de árabe com um amigo libanês, de excelente formação cultural. Infelizmente,já não mora mais no Brasil. E o problema é justamente este, quando não entendemos uma cultura totalmente diferente, que não aceitamos (por preconceito, por imposição cultura, pela lavagem cerebral constante), torna-se muito difícil o espírito de tolerância e aceitação.
Falando em Oriente, imperdível a leitura de "Orientalismo" de Edward Said, além de Byron, "The Road to Oxiana", (com um capítulo sobre o feganistão), além da excelente edição da "Bibliothèque de la Pléiade" de "Voyage à l`Orient" (Ibn Battuta, etc).
Outras coisas:
A especial qualidade estética das obras de arte do mundo árabe: a caligrafia (alguns livros do Hassan Massoudy, para esclarecer -- na sua maioria editados em francês), a arquitetura (lembrem de Hassan Fathy, e muito do que o mundo aprendeu ou tenta aprender sobre adaptação da arquitetura a uma determinada cultura, clima, etc, foi extraído do seu Livro "Architecture for the Poor"), a literatura (só para exemplificar algo nem "tão recente" : Nagib Mahfouz, um espetáculo).
E a India? E a China? Sua literatura, história, arquitetura, arte em geral? Um livro estupendo (ainda não traduzido no Brasil) para esclarecer muito sobre a arte chinesa, pintura, principalmente: "Vide et plein", de François Cheng. Há pouca, pouquissima coisa em português (lembro "O Zen na Arte da Pintura", de Helmut Brinker, Edit. Pensamento). Onde estão nossos editores? Por que o Ocidente se impôs? Alguém, por acaso, já ouviu falar de um certo pintor chinês chamado Chang Dai Chien (morou 17 no Brasil, em Mogi das Cruzes)? Consegui alguns livros e catálogos sobre sua obra, e posteriormente foi editado um livro de autoria de José Roberto Teixeira Leite: "A China no Brasil", da Unicamp, com um brevíssimo e esclarecedor texto chamado "Os Anos Brasileiros de Chang Dai Chien"). Onde estão nossos críticos de arte? Alguém está "rastreando" o período brasileiro de Chang? O que ele produziu no Brasil? Que influências a paisagem, a luz e a cultura tupiniquim tiveram em seu trabalho?
É de chorar, ou não?
E o pior, de forma crescente e avassaladora, temos que aturar uma produção cultural vinda do Ocidente (e a tupiniquim) de baixíssima qualidade, com raras e honrosas exceções.
Alguns links para "Chang Dai Chien":
http://www.chinatown-brazil.com.br/portugues/literature/chbr/index.htm
(texto integral do livro citado, Unicamp: parte 4, "Os anos brasileiros de Chang Dai Chien");
http://www.ville-pontoise.fr/actu/encre.htm
(sobre uma exposição no Musée de Pontoise)
http://www.sfsu.edu/~allarts/chang/chang.html
(com excelentes e elucidativas informações; a exposição foi em 1999, na Fine Arts Gallery/San Francisco State University. O catálogo da exposição é de primeira.)
http://perso.wanadoo.fr/hassan.massoudy/
(site do grande caligrafo Hassan Massoudy)
Ainda com relação à caligrafia árabe, o excelente título em português de autoria de Aida Ramezá Hanani (professora de cultura árabe da USP, e freqüentou um curso de caligrafia com Massoudy, em Paris): "A Caligrafia Árabe", da Martins Fontes, 1999. IMPERDÍVEL.
(Volta pro internETC)
Arquivos
09/01/2001 - 10/01/2001
10/01/2001 - 11/01/2001
11/01/2001 - 12/01/2001
12/01/2001 - 01/01/2002
02/01/2002 - 03/01/2002
10/01/2002 - 11/01/2002
03/01/2003 - 04/01/2003
05/01/2003 - 06/01/2003
07/01/2003 - 08/01/2003
09/01/2003 - 10/01/2003
04/01/2004 - 05/01/2004
05/01/2004 - 06/01/2004
07/01/2004 - 08/01/2004
09/01/2004 - 10/01/2004
11/01/2004 - 12/01/2004
06/01/2005 - 07/01/2005
07/01/2005 - 08/01/2005
05/01/2007 - 06/01/2007
02/01/2008 - 03/01/2008
