03/07/2005



Apaixonado por
Cuba -- ao longe


Vivendo no Canadá e escrevendo em inglês, o cubano José Latour traz da terra distante o cenário e a inspiração para seus romances

Uma das estrelas da III Festa Literária de Paraty é José Latour, autor de um dos melhores policiais lançados no Brasil este ano, "Mundos sujos". Ele se apresenta sábado, conversando sobre literatura policial com Luiz Alfredo Garcia-Roza e Marcello Fois. Nascido em Havana há 65 anos, vivendo há três em Toronto com a mulher, os filhos e a nora, Latour deve o sucesso deste seu primeiro romance escrito em inglês a um mix particularmente interessante de ingredientes, em que a uma trama original e movimentada junta-se a observação sensível de dois universos opostos. De um lado, a Havana miserável dos cubanos comuns, sem amigos poderosos, sem comida, sem fé no futuro; de outro, a Miami sem lei e sem privações, em que o consumismo alucinado tenta se impor como uma espécie de felicidade.

O autor, que já lançou mais um livro em inglês, Havana Best Friends, promete, até o fim do ano, a continuação de "Mundos sujos" -- alegria garantida para quem acompanhou as aventuras do professor Elliot Steil. No forno, tem ainda um ensaio sobre os problemas que seu país enfrentará depois do comunismo, e um romance histórico ambientado na Havana do Século XIX.

José Latour, que não consegue se afastar emocionalmente da Cuba natal, escolheu o Canadá para viver por lhe parecer o melhor dos países que conhece -- uma democracia solidamente estabelecida, onde os direitos humanos são respeitados:

-- Não há nações perfeitas -- disse, por email, para esta entrevista. -- Em toda parte há crime, corrupção e outras doenças sociais. A grande questão é descobrir com quanta imperfeição se pode viver.

Para parte da intelectualidade brasileira, Cuba continua sendo um modelo de independência, um pequeno Davi lutando contra o Golias americano. É possível uma ditadura do bem?

JOSÉ LATOUR: Inúmeros intelectuais mundo afora têm essa visão de Davi e Golias da ilha. O que eles não sabem é que o minúsculo Davi da cena mundial transforma-se num Golias impiedoso nos bastidores, uma criatura que mandou fuzilar milhares de adversários e sentenciou centenas de dissidentes pacíficos a longas penas em prisões infectas, o mais longe possível de onde vivem seus parentes e amigos, pelo "crime" de pedir eleições livres, um sistema político multipartidário, uma imprensa sem censura.

O que me deixa perplexo é que todos esses intelectuais exigem para si mesmos os direitos e liberdades que a ditadura cubana nega ao povo. Eles criticam abertamente seus governos, denunciam abusos de poder e corrupção, participam de movimentos e passeatas contra o governo. Ninguém em Cuba pode fazer nada disso.

Acredito que todos têm direito à sua opinião, mas os princípios são, ou deveriam ser, inflexíveis; de outra forma, passa-se a usar dois pesos e duas medidas. Se você acha que a liberdade de expressão é um direito humano básico e a exige para si mesmo, não deveria apoiar um regime que, em outro país, aprisiona pessoas só porque gostariam de fazer o que você faz.

Uma das grandes ironias da política cubana é que o primeiro homem que pegou em armas para lutar contra a ditadura tornou-se, ele próprio, um ditador em grande estilo. E não, não há ditadura "boa" ou "do bem".

Fala-se muito na excelência dos sistemas de educação e saúde cubanos, mas mesmo eles não se salvam incondicionalmente no seu romance "Mundos sujos". Como é a realidade em Cuba para os cubanos comuns, aqueles que não têm padrinhos políticos?

LATOUR: Alguns adversários do comunismo cubano recusam-se a admitir conquistas, e isso acaba funcionando contra eles. Nenhum governo consegue ser totalmente mau e injusto, ou integralmente bom e correto. O que Cuba conseguiu nos campos da educação e da saúde pública nos últimos 40 anos é o sonho de todo o Terceiro Mundo. Sim, a educação é de uma servidão ideológica chocante, mas nenhuma criança cubana fica sem escola ou professor. Sim, faltam remédios e os hospitais têm carência de tudo, de equipamentos de Raio-X a reagentes químicos para análises clínicas, mas o mais remoto vilarejo cubano conta com um médico que pode chamar uma ambulância e remover seus pacientes para o hospital mais próximo. Oferecer educação e atendimento médico gratuitos a todos os cidadãos é excelente. Privá-los do exercício de seus direitos civis, porém, é altamente perverso, pois os transforma em escravos. Saudáveis e educados, sim, mas escravos.

A percepção que se tem, por livros como "Mundos sujos" ou filmes como "Guantanamera", é que pequenos delitos e roubos na agências governamentais institucionalizam-se num país onde, freqüentemente, não se ganha o suficiente para sobreviver. Esta é a mesma percepção que me dão, aliás, filmes e livros que têm por cenário a antiga União Soviética. É um tipo diferente de roubo daquele que se vê no Brasil, onde a corrupção é generalizada, mas onde roubar da repartição não chega a ser propriamente uma necessidade vital, de modo que você ainda pode se dar ao luxo de ser uma pessoa honesta, se assim o desejar.


LATOUR: Assim como em tantas economias de mercado há homens de negócios que lutam por lucrar cada vez mais, de todas as maneiras possíveis, éticas ou não, na ilha -- dada a indiscutível falência econômica do sistema -- a maioria dos funcionários públicos tenta trabalhar o mínimo e roubar o máximo possível. Este problema atinge hoje tais proporções que a população não percebe mais o roubo de bens do Estado como um crime passível de punição. Médicos, dentistas e enfermeiros roubam remédios, comida e roupa de cama. Operários roubam cimento, madeira e areia. Professores e burocratas roubam papel, canetas e peças de computador. Ladrões de gado abatem entre 20 mil e 30 mil cabeças por ano.

Se todo mundo que rouba ou já roubou alguma coisa fosse para a prisão, provavelmente metade da população estaria encarcerada.

Fiquei muito impressionada com a falta de solidariedade e apoio aos dissidentes cubanos presos por Fidel Castro recentemente. Há alguma explicação racional para isso?

LATOUR: Na minha opinião houve solidariedade e apoio, sim, ainda que não tanto quanto eu teria gostado de ver. Talvez uma das razões para a pouca repercussão deste apoio esteja, justamente, naquela visão de Davi e Golias que discutimos antes, e no papel dos intelectuais de esquerda como formadores de opinião. A outra razão, com certeza, é que a única coisa que realmente funciona bem em Cuba é a propaganda. Assim que os dissidentes foram presos, a máquina entrou em funcionamento, espalhando que eles eram agentes do governo americano. O problema é que algumas pessoas são tão ingênuas que conseguem acreditar numa besteira dessas.


A sociedade cubana que o senhor retrata é um lugar de alta periculosidade para os que insistem em pensar por si mesmos. Mas o outro lado do espelho, ou seja, os cubanos de Miami, também não são pintados com boas tintas em "Mundos sujos". Nenhuma das opções o agrada. O que o senhor acha que vai acontecer em Cuba quando Fidel morrer? Há alguma possibilidade de que, no futuro, olhando para trás, as pessoas sintam saudades dos "bons velhos tempos" do castrismo?

LATOUR: As pessoas não me desagradam. Nem em Cuba, nem nos Estados Unidos, nem em lugar algum. Acredito piamente que, em todos os países, 90% das pessoas são gente direita e trabalhadora. Mas, entre os 10% restantes, encontramos uns tipos realmente asquerosos: políticos com sede de poder, criminosos, ladrões, falsários, torturadores...

Quando nós humanos olhamos para trás, podemos ver cinco mil, dez mil ou mesmo um milhão de anos do passado. Mas, quando tentamos olhar para a frente, ninguém pode prever sequer o que vai acontecer amanhã de manhã.

Estou publicando um breve um ensaio a respeito das questões com que a sociedade cubana vai ter de lidar depois do comunismo, mas não faço idéia de quando isso acontecerá. Acontecerá, porém, seguramente. O sistema está política e moralmente corroído, não funciona. Não funcionou na União Soviética e em nenhum país europeu. A China e o Vietnã estão fazendo progressos econômicos porque nesta área, especificamente, deixaram de ser países comunistas.

Naturalmente, alguns cubanos vão sentir falta do comunismo. Isso ainda acontece na Rússia, onde milhares de cidadãos continuam adorando Stalin. Mas o primeiro governo não comunista de Cuba vai ter que tomar um cuidado enorme em certas áreas, como emprego, educação, saúde pública, impostos e política monetária, por exemplo, para não alienar mais pessoas do que aquelas que inevitavelmente lamentarão os novos tempos.

Por melhor que se desenvolvam a democracia e a economia de mercado numa Cuba pós-comunista, meu palpite é que uns 15% ou 20% da população, sobretudo entre os mais velhos e os menos educados, mais todos aqueles que sempre se deram bem lambendo as botas do ditador, vão sentir muitas saudades dos "bons velhos tempos".

Como o senhor conseguiu sair de Cuba? O senhor pretende voltar a viver lá? Do que sente mais falta?

LATOUR: Tenho a impressão de que certas pessoas ficaram contentes com o fato de eu pedir permissão para viajar com a minha família toda, e instruíram os burocratas nos lugares certos a me deixar sair. De modo que não houve nada aventuroso ou perigoso na minha saída da ilha. Vou decidir se volto ou não quando a ditadura comunista desmoronar. Acho que o que mais falta me faz é a minha cultura, no sentido mais amplo da palavra. Cultura como a mistura de uma infinidade de coisas, não apenas música, literatura ou pintura, mas um camponês cultivando o seu pedacinho de terra, uma mulher bonita a caminho do trabalho, o motorista do ônibus fazendo piadas, o cheiro do pão fresco, e centenas de outras coisas -- sons, vistas, cheiros, gostos. Instruí meu filho e minha filha a espalharem minhas cinzas ao largo de Havana, caso eu morra antes do fim do comunismo.

O senhor continuará a escrever em inglês? É muito difícil escrever numa língua na qual não se cresceu?

LATOUR: Sim, continuarei a escrever em inglês, e sim, é muito difícil fazê-lo! Aprendo novidades a cada dia. Tive que comprar, e consulto constantemente, o Chicago Manual of Style, o último Roget's Thesaurus, o Webster. Felizmente a gramática e a sintaxe do inglês não são tão complicadas quanto as do espanhol.

O senhor está trabalhando atualmente em algum livro novo? Ele será também ambientado em Cuba?

LATOUR: Agora em novembro sai um novo romance meu nos Estados Unidos, uma continuação de "Mundos sujos". Talvez seja publicado também no Brasil, vamos ver. Em breve publicarei o ensaio sobre Cuba de que falei antes; e estou escrevendo um novo romance, ambientado na Cuba do Século XIX. É o meu primeiro romance histórico, e estou muito entusiasmado com ele. Ah, esquece: eu sempre fico entusiasmado com o novo livro que estou escrevendo.

(O Globo, Segundo Caderno, 3.7.2005)

07/06/2005

Onde está a verdade e onde está a mentira?

Arnaldo Jabor


A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados os acusados batem no peito e berram: ?É mentira!?. Parecem existir dois brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e ?puros?. E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) ? isto é, filosófico: o que é a verdade? O que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF descobre ou os desmentidos dos que os cometeram? No Brasil, acaba sendo o discurso do poder vigente. A anomalia do Judiciário protege a ?verdade/mentira? (no Brasil formam uma unidade dialética), com o lema de que ?o réu é inocente até que se prove o contrário?. Tudo bem, só que aqui nada prova nada nunca: nem o cheque assinado na Suíça, nem a conta nas Ilhas Jersey ou a evidência do roubo no TRT paulista (lembram?).

Nossas ?verdades? institucionais foram construídas por 500 anos de mentiras. Portanto, virou uma razão de Estado a proteção à mentira brasileira inventada pela secular escrotidão portuguesa, que criou o DNA dos canalhas que vemos hoje na TV negando tudo. Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas tudo está ficando tão claro, insuportável, que, talvez, tenhamos de correr esse risco de quebra, apesar do perigo de que a direita virá correndo restabelecer a paz ?da verdade das mentiras?. Por isso, o governo acha que é necessário proteger as mentiras para que a falsa verdade do país permaneça.

O presidente entra dizendo que vai usar a verdade para combater a mentira e logo, logo, está usando a mentira para fazer valer sua nova ?verdade?.

Lula diz: ?Eu dou cheque em branco ao Roberto Jefferson?. Sabemos que é mentira, pois Lula pensa: ?A verdade não pode ser dita; preciso da mentira para que o sistema não caia, para que o PT não se esfacele e para que eu me reeleja. Eu minto em nome de uma verdade maior!? FHC usava os ladrões também, mas lhes impunha sutis limites; o PT despreza a democracia ?burguesa? e abriu a porteira com desdém pelos ladrões e ficou prisioneiro deles, sem contar os neoladrões petistas.

Lula mente para si mesmo, achando que só defende a ?causa do povo? ? que, aliás, é um pouco ?verdade?, pois está defendendo sua própria causa, porque, afinal, ele é ?do povo?, ou melhor, ?era?, antes de subir na vida, ostentando sua saga de vendedor de picolé em Santos até beijar deslumbrado a mão da imperatriz do Japão.

Vejamos outro símbolo do momento: as lágrimas de Suplicy no Senado, assinando a CPI. Foram lágrimas de crocodilo ou lágrimas de verdade? Par ou ímpar? Bem... começou como mentira, passando a perna nos companheiros de partido que iam assinar. Foi oportunista ou sincero? Talvez as duas coisas? Agora, faturando o desprestígio do governo, parece verdadeiro e está eufórico, fazendo cooper .

E o Genoino? Quando acusa o FHC pelo caso da pasta rosa, sabe que está mentindo, que aquilo foi uma chantagem, mas acredita na mentira ?de esquerda?.

E as fazendas imaginárias do Jucá, que continuam produzindo? E os 40 mil caminhões do mogno arrancado da Amazônia com papéis falsos? E o caso do IRB, com o ex-presidente Lídio Duarte, herói por três dias, desafiador dos corruptos que voltou atrás no depoimento? Qual o verdadeiro Lídio, o corajoso ou o covarde? E o magnífico, o insuperável Mauricio Marinho, dos Correios, que confessou seus roubos para o vídeo? Que prazer perverso deve ter tido naquele orgasmo de verdades, revelando suas mentiras?

E o José Dirceu? Qual o verdadeiro Dirceu? O velho bolchevista que se disfarçava em nome do socialismo ou o Dirceu ?democrático?? Dirceu é pelo Palocci ou não? Dirceu viveu clandestino dentro da própria vida, com operação plástica em Cuba, durante quatro anos de casamento. Qual era o verdadeiro? O falso marido ou o revolucionário em campanha?

O próprio Dirceu talvez não saiba. Para os comunas clássicos, a vida real não é verdadeira. Sua missão é algures, mais além da vida ?burguesa?. Pensam: ?A vida como a conhecemos é uma mentira; logo, a verdade está onde ela não está, além dessa realidade careta, feita de esposa, filhos, casa. A verdade é algo que não existe ainda e que nós, até mentindo, poderemos um dia atingir?.

E o assassinato de Celso Daniel ? óbvio que ulula (não o Lula), ?ulula? à nossa frente pela trapalhada ridícula que foi, visível a olho nu ? que foi logo abafado para que a verdade do que aconteceu não atrapalhasse a verdade do que ainda não aconteceu e que será, um dia, a ?luminosa? apoteose do PT, salvando a pátria dos idiotas que acreditam na mentira do tempo presente e que não sabem sonhar com a utopia do operário-Cristo subindo ao céus?

E o meu ídolo, meu megastar , o fascinante Roberto Jefferson, o Pavarotti do PTB? Onde está sua verdade? Está no elefante do passado, quando comia na mão do Collor, ou estará no Jefferson de hoje, de barriga operada, magro, cantando ópera para o Lula ? Onde estará esse homem impalpável? Está no ?rolha de poço? ou no Fred Astaire? Aliás, há algo em comum entre a operação plástica de Dirceu e a de Jefferson: ambos se esconderam dos outros e de si mesmos. Os dois queriam ocultar o passado: um revolucionário e o outro, digamos, patético, do ?Povo na TV?. Jefferson fez uma espécie de autocrítica na imprensa: ?Eu era brutal, dava tiro; depois me curei, emagreci e hoje canto óperas!?. Quando virá a autocrítica de Dirceu? Jefferson e Dirceu também são ubíquos: os dois estão em toda parte. Não há um escaninho do Executivo em que Dirceu não se meta e não há uma estatal na qual Jefferson não tenha cumbuca. E os dois lutam contra a CPI; um não quer a CPI para que a verdade ?revolucionária? não sucumba; e o Jefferson, para que não se descubra que continua voraz, ?comendo? de tudo, apesar da cirurgia do estômago. Dirceu engordou ? era um gato nas passeatas de 67 ? e Jefferson emagreceu, mas continuou um gato.

E nós, uns patos.


O Globo, Segundo Caderno, 7.6.2005)

20/11/2004

Hear hear!

To the citizens of the United States of America:

In the light of your failure to elect a proper President of the USA and thus to govern yourselves, we hereby give notice of the revocation of your independence, effective today. Her Sovereign Majesty Queen Elizabeth II will resume monarchical duties over all states, commonwealths and other territories. Except Utah, which she does not fancy. Your new prime minister (The Right Honourable Tony Blair, MP for the 97.85% of you who have until now been unaware that there is a world outside your borders) will appoint a minister for America without the need for further elections. Congress and the Senate will be disbanded. A questionnaire will be circulated next year to determine whether any of you noticed. To aid in the transition to a British Crown Dependency, the following rules are introduced with immediate effect:

1. You should look up "revocation" in the Oxford English Dictionary. Then look up "aluminium". Check the pronunciation guide. You will be amazed at just how wrongly you have been pronouncing it. The letter 'U' will be reinstated in words such as 'favour' and 'neighbour', skipping the letter 'U' is nothing more than laziness on your part. Likewise, you will learn to spell 'doughnut' without skipping half the letters. You will end your love affair with the letter 'Z' (pronounced 'zed' not 'zee') and the suffix "ize" will be replaced by the suffix "ise". You will learn that the suffix 'burgh is pronounced 'burra' e.g. Edinburgh. You are welcome to respell Pittsburgh as 'Pittsberg' if you can't cope with correct pronunciation. Generally, you should raise your vocabulary to acceptable levels. Look up "vocabulary". Using the same twenty seven words interspersed with filler noises such as "like" and "you know" is an unacceptable and inefficient form of communication. Look up "interspersed". There will be no more 'bleeps' in the Jerry Springer show. If you're not old enough to cope with bad language then you shouldn't have chat shows. When you learn to develop your vocabulary then you won't have to use bad language as often.

2. There is no such thing as "US English". We will let Microsoft know on your behalf. The Microsoft spell-checker will be adjusted to take account of the reinstated letter 'u' and the elimination of "-ize".

3. You should learn to distinguish the English and Australian accents.It really isn't that hard. English accents are not limited to Cockney, upper-class twit or Mancunian (Daphne in Frasier). You will also have to learn how to understand regional accents. Scottish dramas such as "Taggart" will no longer be broadcast with subtitles. While we're talking about regions, you must learn that there is no such place as Devonshire in England. The name of the county is "Devon". If you persist in calling it
Devonshire, all American States will become"shires" e.g. Texasshire, Floridashire, Louisianashire.

4. Hollywood will be required occasionally to cast English actors as the good guys. Hollywood will be required to cast English actors to play English characters. British sit-coms such as "Men Behaving Badly" or "Red Dwarf" will not be re-cast and watered down for a wishy-washy American audience who can't cope with the humour of occasional political incorrectness.

5. You should relearn your original national anthem, "God Save The Queen", but only after fully carrying out task 1. We would not want you to get confused and give up half way through.

6. You should stop playing American "football". There is only one kind of football. What you refer to as American "football" is not a very good game. The 2.15% of you who are aware that there is a world outside your borders may have noticed that no one else plays "American" football. You will no longer be allowed to play it, and should instead play proper football. Initially, it would be best if you played with the girls. It is a difficult game. Those of you brave enough will, in time, be allowed to play rugby (which is similar to American "football", but does not involve stopping for a rest every twenty seconds or wearing full Kevlar body armour like nancies). We are hoping to get together at least a US rugby sevens side by 2005. You should stop playing baseball. It is not reasonable to host an event called the 'World Series' for a game which is not played outside of America. Since only 2.15% of you are aware that there is a world beyond your borders, your error is understandable. Instead of baseball, you will be allowed to play a girls' game called "rounders" which is baseball without fancy team strip, oversized gloves, collector cards or hotdogs.

7. You will no longer be allowed to own or carry guns. You will no longer be allowed to own or carry anything more dangerous in public than a vegetable peeler. Because we don't believe you are sensible enough to handle potentially dangerous items, you will require a permit if you wish to carry a vegetable peeler in public.

8. July 4th is no longer a public holiday. November 2nd will be a new national holiday, but only in England. It will be called "Indecisive Day".

9. All American cars are hereby banned. They are cr*p and it is for your own good. When we show you German cars, you will understand what we mean. All road intersections will be replaced with roundabouts. You will start driving on the left with immediate effect. At the same time, you will go metric with immediate effect and without the benefit of conversion tables. Roundabouts and metrication will help you understand the British sense of humour.

10. You will learn to make real chips. Those things you call French fries are not real chips. Fries aren't even French; they are Belgian though 97.85% of you (including the guy who discovered fries while in Europe) are not aware of a country called Belgium. Those things you insist on calling potato chips are properly called "crisps". Real chips are thick cut and fried in animal fat. The traditional accompaniment to chips is beer which should be served warm and flat. Waitresses will be trained to be more aggressive with customers.

11. As a sign of penance 5 grams of sea salt per cup will be added to all tea made within the Commonwealth of Massachusetts, this quantity to be doubled for tea made within the city of Boston itself.

12. The cold tasteless stuff you insist on calling beer, is not actually beer at all, it is lager. From November 1st only proper British Bitter will be referred to as "beer", and European brews of known and accepted provenance will be referred to as "Lager". The substances formerly known as "American Beer" will henceforth be referred to as "Near-Frozen Knat's Urine", with the exception of the product of the American Budweiser company whose product will be referred to as "Weak Near-Frozen Knat's Urine".This will allow true Budweiser (as manufactured for the last 1000 years in Pilsen, Czech Republic) to be sold without risk of confusion.

13. From December 1st the UK will harmonise petrol (or "Gasoline" as you will be permitted to keep calling it until April 1st 2005) prices with the former USA. The UK will harmonise its prices to those of the former USA and the Former USA will, in return, adopt UK petrol prices roughly $6/US gallon - get used to it).

14. You will learn to resolve personal issues without using guns, lawyers or therapists. The fact that you need so many lawyers and therapists shows that you're not adult enough to be independent. Guns should only be handled by adults. If you're not adult enough to sort things out without suing someone or speaking to a therapist then you're not grown up enough to handle a gun.

15. Please tell us who killed JFK. It's been driving us crazy. Tax collectors from Her Majesty's Government will be with you shortly to ensure the acquisition of all revenues due (backdated to 1776).

07/11/2004

Cercada de traquitanas, jornalista antecipa tendências tecnológicas


Há quase 20 anos analisando evolução da informática, Cora é referência para quem quer entender a cibercultura

por Mari-Jô Zilveti


A vida da jornalista Cora Rónai passou por mudanças radicais depois que ela abandonou sua segunda máquina de escrever elétrica, fiel companheira por dez anos. Não se importava de ter gastado US$ 1 mil, afinal sua IBM havia permitido que ela errasse sem culpa, podendo corrigir seus textos à vontade.

Em 1986, quando estava pronta para desembolsar a mesma quantia por outra máquina elétrica, um amigo a convenceu que por esse valor ela poderia comprar um microcomputador com mais recursos.

Alto lá, por recursos entenda-se digitar, redigitar e jogar xadrez. Cora deu-se por vencida, mas acabou gastando US$ 2,2 mil por um micro que, na época, não tinha espaço para gravar dados. Era necessário salvar os os textos em disquetes de 5 1/4 polegadas, artifício extinto hoje e incapaz de guardar uma fotografia digital de altíssima qualidade para fazer uma impressão do tamanho de um pôster.

Um ano depois, Cora que sempre havia escrito sobre cultura, achou que era necessário criar um espaço nos jornais para falar sobre computação pessoal. Agora era sua vez de convencer alguém. Bateu inúmeras vezes na porta do diretor de redação do Jornal do Brasil, onde trabalhava na época. "Não sei se ele topou por insistência, lembro-me que a coluna foi publicada em economia, em ciência. Até na seção de náutica, ela saiu."

Foi provavelmente a primeira coluna que relatava semanalmente experiências de usuários. Cora admite que era um espaço para uma tribo de no máximo dez pessoas no Rio de Janeiro, entre elas, os escritores Rubem Fonseca e Millôr Fernandes.

A tribo foi ganhando adeptos e Cora acabou fazendo mais amigos, com os quais travava discussões intermináveis sobre programas para editar textos, o preferido por alguns escritores, o que tinha mais recursos para acentuar ou para imprimir. "Nem posso contar as inúmeras noites que passei desenvolvendo um programa para conseguir fazer uma tabela de conversão para que uma Epson imprimisse textos no Volks-Writer ou no WordStar."

No final dos anos 80, houve uma segunda mudança radical na vida da jornalista. A reserva de mercado de informática chegava ao fim. Hoje, Cora lembra rindo que ter computador importado em empresas era crime.

"Se alguém fizesse uma denúncia, lá vinha a polícia e apreendia tudo." Passados vários anos, ela ainda prefere não revelar nomes de duas grandes editoras que mantinham o CPD - Centro de Processamento de Dados - com equipamentos no banheiro feminino ou em parede falsa. "E se alguém ressuscitar algum imposto atrasado?"

Enquanto o País resolvia suas idiossincrasias com a reserva, havia sempre alguém tentando fazer seu micro funcionar. Aliás, é de Millôr a seguinte frase: "Computador é uma máquina genial rodeada de três imbecis perguntando por que não funciona". Hoje, acredita Cora, a tecnologia está mais familiar para o leigo, mas "é inegável, sempre dá pau". Prova disso é o gravador digital, do qual a repórter teve de abrir mão, após malsucedidas tentativas de gravar a entrevista para a Rádio Eldorado.

Máquinas que dão pau nunca fizeram a jornalista largar do vício de tecnologia. Ela sempre saiu na frente comprando novidades em traquitanas digitais.

Apesar de se considerar conservadora, tem sempre câmeras digitais de todos os tipos. Usa quatro celulares, três deles com câmera digital e já perdeu a conta do número de palmtops que passaram pela sua mão. Desistiu de um Clié, da Sony, e agora não desgruda de um palmtop com câmera digital. Seu gravador também é digital.

Apesar de continuar praguejando quando algum equipamento dá pau, Cora enviou as gravações para o rádio da varanda de seu apartamento, em frente da lagoa Rodrigo de Freitas, com transmissão sem fio.

Quando ela pensou que a tecnologia estava um marasmo, veio a internet. Isso foi no início dos anos 90. "Nunca mais consegui ficar entediada. Muito menos sair da área de tecnologia." A internet explodiu, milhões de pessoas entraram na rede, criaram seus sites, criou-se a mensagem indesejada, que ganhou o apelido de spam e rende até hoje inúmeras reportagens.

Paralelamente, surgiu outro mundo, o da imagem digital. A viciada em traquitanas não hesitou em comprar sua câmera digital, que fazia fotinhos que não mereciam ser impressas.

Hoje, Cora anda munida com duas máquinas a tiracolo. Isso sem falar nos celulares que tiram fotos. Indagada se celular com câmera digital é um modismo, contesta: "Daqui a alguns anos, vamos olhar para trás e vamos nos perguntar como usávamos celular sem câmera. A imagem é uma informação. Você fala com seu interlocutor do outro lado do mundo e mostra a roupa que quer comprar." Há uma proximidade que ele promove. E preconiza que "há uma nova forma de recado. A câmera será parte fundamental de um aparelho".

Enquanto o século 21 dava seus primeiros passos e Cora disparava seus cliques, a internet ganhou novo fôlego. Nasceram os diários virtuais - os blogs.

"O grande impacto do blog é a facilidade de uso. Os ciberdiários levam a liberdade de imprensa a todos. Qualquer um passa a ser 'imprensa'. O que significa que todos podem dar seu recado."

Opina que o blog é uma grande ferramenta de liberdade, "na medida que fica muito difícil, a partir dele, um governo ocultar uma coisa, uma ditadura impedir a informação das pessoas, em qualquer parte do mundo". Não é à toa que seu blog www.cronai.com atrai centenas de leitores e vira pauta para sua crônica semanal no caderno de cultura do Globo, onde ela edita o suplemento Informática Etc.

Onde há um computador, uma pessoa e uma conexão pode haver um blog, pode haver uma fonte de informação da maior importância. "O blog não se limita ao mundo adolescente. Isso não desmerece a ferramenta. Serve a todos, como os jornalistas independentes que cobriram a Guerra do Iraque."

LINK : Estado de São Paulo, 8.11.2004

16/09/2004

Filme sobre tortura de gato causa protestos em Toronto


TORONTO (Reuters) - Manifestantes em Toronto, na terça-feira, tentaram convencer espectadores diante de um cinema da cidade a boicotar um documentário sobre um julgamento por crueldade contra animais, num caso em que três amigos filmaram um gato sendo esfolado vivo, supostamente como um trabalho de arte.

O grupo de Toronto Freedom for Animals (Liberdade para os Animais) vem organizando protestos diários no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Quase 100 pessoas participaram da manifestação na terça-feira, na pré-estréia mundial de "Casuistry: The Art of Killing a Cat" (Casuísmo -- A Arte de Matar um Gato).

O documentário de 91 minutos contém entrevistas com os três matadores de gatos -- Jesse Power, Anthony Wennekers e Matt Kaczorowski -- e com defensores de animais, artistas, policiais e jornalistas. O filme não mostra a mutilação e morte do animal.

Em maio de 2001, Power chamou Wennekers e Kaczorowski para fazer um vídeo que Power, ex-vegetariano, disse que seria uma declaração artística sobre o sofrimento de animais abatidos para o consumo de sua carne.

Eles filmaram um gato enquanto primeiro o tentavam com um camundongo, depois o esfolavam, decapitavam e estripavam, deixando seu corpo dependurado do teto. Power pretendia comer o gato, mas não teve a chance de fazê-lo. O gato esfolado foi encontrado na geladeira de cervejas da casa onde ele morava.

"Não cheguei a comer o gato, mas muitas outras pessoas estão fazendo a festa com ele", disse Power em "Casuistry".

Os três acabaram confessando-se culpados de crueldade e maus-tratos a animais. Defensores dos direitos de animais ficaram revoltados quando eles foram condenados a uma pena de prisão mínima.

Até o início do Festival de Toronto, ativistas dos direitos dos animais vinham pedindo a retirada de "Casuistry" do programa do evento.

"Este chamado documentário está chocando as pessoas porque está proporcionando uma plataforma para Power", disse Suzanne Lahaie, co-fundadora do Freedom for Animals.

Mas Noah Cowan, co-diretor do festival, rejeitou os chamados. Em declaração feita antes do início do evento, explicou: "Os festivais de cinema existem em parte para gerar discussões inteligentes e lógicas, não para reprimi-las."

Os organizadores do festival disseram que as duas sessões previstas do filme serão realizadas, apesar de uma ameaça feita a um dos funcionários do evento, pelo telefone, de "esfolá-lo vivo" e "enfiar facas em seus olhos".

Os transeuntes assistiram ao protesto da terça-feira com curiosidade. Para alguns, a própria curiosidade os levou a comprar ingressos para as sessões.

A estudante de psicologia Michelle Dent disse que queria ver o que havia por trás do "ato violento e anti-social", mesmo que "Casuistry" não inclua imagens do vídeo explícito de 17 minutos feito por Power.

O diretor de "Casuistry", Zev Asher, disse não achar que seu trabalho glorifica o suposto trabalho de artes dos jovens, mas que fez o filme porque ficou fascinado com a atenção que o trabalho original despertou na mídia internacional. (Ka Yan Ng)


18/07/2004

Fotolog + Ubbi:
Como se livrar do banner



A receita para PC usando M$ IE

Dica de /borghetti:

1. Abrir em "ferramentas" ali em cima do browser "Opções da Internet";
2. Em "Geral", clique em "configurações" dos "Arquivos temporários de Internet";
3. Clique em "exibir arquivos";
4. Quando abrir a janela com os temporários, procure "cookie:administrador@fotolog". O administrador pode ser o nome do usuário, depende do micro;
5. clique duas vezes. Vai abrir uma janela escrito: "pode não ser seguro executar um comando de sistema neste item. Deseja continuar?" Responda: sim;
6. Vai abrir uma janela com uma linha do tipo: FCC BR fotolog.net/1536274540;
7. Alterar o BR para PT, por exemplo;
8. Quando fechar, vai perguntar se quer salvar. Responda sim;
9. Feche o Internet Explorer e abra novamente.


A receita para PC usando Mozilla Firefox

Dica de /borghetti:
1. FECHE o Firefox!
2. Procure no seu disco C: o arquivo "cookies.txt", sem as aspas!
Se você usa o WinXP, vai estar em C:\Documents and Settings\ seunomedeusuário\ Dados de Aplicativos\ Mozilla\ Firefox\ Profiles\ default.xxx\ cookies.txt
Obs: O fotolog vai mostrar duas barras no endereço acima quando na verdade é só uma, ok?
3. Crie uma cópia deste arquivo, por segurança;
4. Abra o arquivo original;
5. Localize, diferenciando maiúsculas e minúsculas, as letras "BR" -- IMPORTANTE: devem estar em maiúsculas ao procurar;
6. Você vai encontrar um trecho mais ou menos assim:
".fotolog.net TRUE / FALSE 1579064400 FCC BR"
7. Agora você muda esse "BR" final por PT, DK, FR, UK, ES, IT ou qualquer outro país que não seja da América do Sul;
8. Salve, feche o notepad e abra o Firefox.


A receita para Mac:

Dica de Pixelman

Para tirar o pink horror banner no Safari (Mac OS 10):

1. Entre em HOME/LIBRARY/COOKIES;
2. Abra o arquivo "cokies.plist" no TextEdit;
3. No TextEdit dê um "find" por fotolog;
4. Vá na linha "BR" e mude para PT;
5. Salve o arquivo e abra o Safari novamente.
6. Seja feliz!







28/05/2004



Weapons of Math Instruction


At New York's Kennedy airport today, an individual later discovered to be a public school teacher was arrested trying to board a flight while in possession of a ruler, a protractor, a setsquare, a slide rule, and a calculator.

At a morning press conference, Attorney general John Ashcroft said he believes the man is a member of the notorious al-gebra movement. He is being charged by the FBI with carrying weapons of math instruction.

"Al-gebra is a fearsome cult,", Ashcroft said. "They desire average solutions by means and extremes, and sometimes go off on tangents in a search of absolute value. They use secret code names like "x" and "y" and refer to themselves as "unknowns", but we have determined they belong to a common denominator of the axis of medieval with coordinates in every country.

"As the Greek philanderer Isosceles used to say, there are 3 sides to every triangle," Ashcroft declared.

When asked to comment on the arrest, President Bush said, "If God had wanted us to have better weapons of math instruction, He would have given us more fingers and toes.

"I am gratified that our government has given us a sine that it is intent on protracting us from these math-dogs who are willing to disintegrate us with calculus disregard. Murky statisticians love to inflict plane on every sphere of influence," the President said, adding: "Under the circumferences, we must differentiate their root, make our point, and draw the line."

President Bush warned, "These weapons of math instruction have the potential to decimal everything in their math on a scalene never before seen unless we become exponents of a Higher Power and begin to factor-in random facts of vertex."

Attorney General Ashcroft said, "As our Great Leader would say, read my ellipse. Here is one principle he is uncertainty of: though they continue to multiply, their days are numbered as the hypotenuse tightens around their necks."

11/05/2004



Deu no The New York Times

Merval Pereira

O correspondente do "New York Times" Larry Rohter não tirou do vazio o tema de sua reportagem polêmica sobre o hábito de bebericar do presidente Lula. É a mais pura verdade e há muito tempo circulam boatos, especialmente em Brasília, de que o presidente Lula anda exagerando na bebida, e este é um assunto recorrente nas conversas entre políticos e empresários.

É verdade, também, que o operário Lula habituou-se a beber conhaque nas madrugadas frias do ABC paulista. Mas nada disso forma um quadro de "preocupação nacional" que bote em dúvida a capacidade de Lula governar.

A reportagem dificilmente seria considerada caluniosa, pois apenas relata impressões e declarações de políticos e jornalistas, uns mais, outros menos confiáveis, já publicados anteriormente em jornais brasileiros. Todos se referindo a supostas situações não comprovadas.

Rohter teve o cuidado de botar na reportagem declarações de representantes do governo e do jornalista Ali Kamel, aqui no GLOBO, refutando as insinuações de que Lula anda bebendo demais. Trata-se do que, em gíria jornalística, chamamos de uma "recortagem", uma reportagem escrita com uma seleção de declarações e notas publicadas em diversos jornais e revistas.

A "recortagem" do "The New York Times" não é caluniosa, é simplesmente irresponsável, pois se baseia em boatos e fofocas políticas, mais parece uma daquelas reportagens de revistas sensacionalistas com fofocas sobre artistas que invariavelmente resultam em processos milionários.

O que espanta na matéria de Rohter é ela ter sido publicada pelo "The New York Times", tido como um paradigma da imprensa mundial pela seriedade com que selecionava ?todas as notícias que merecem ser publicadas?, como diz seu pretensioso slogan.

Esta, certamente, não era uma notícia que merecesse ser publicada pelo "Times". Se saísse num tablóide popular, não provocaria qualquer estrago na imagem pública do Brasil nem seria de surpreender. Mas, depois do caso Jason Blair, o mentiroso que inventou várias reportagens e acabou provocando um terremoto no até então mais respeitável jornal americano, era de se supor que o ?The New York Times? tivesse montado um esquema de filtragem que impedisse uma irresponsabilidade dessas de ser publicada.

Pelo jeito, o ombudsman, figura criada depois do escândalo para fazer a autocrítica do jornal e servir de alerta interno, vai ter muito trabalho. O mais grave é a edição, que demonstra que o corpo do jornal, e não apenas seu correspondente no Rio de Janeiro, tem culpa na divulgação de boatos e fofocas atingindo o presidente.

A foto publicada para ilustrar a reportagem mostra o presidente Lula com um chapéu de tirolês levantando um copo de chope na Ocktoberfest em Blumenau, Santa Catarina. Ora, se o presidente estivesse em outro lugar, seria inusitado o chapéu e a caneca de chope. Mas, na festa da cerveja?

Ilustrar uma reportagem sobre o suposto hábito de beber além da conta do presidente Lula com uma foto dessas, ou é desinformação completa ou é má-fé.

Eu já participei de vários jantares e almoços em que o presidente Lula esteve presente, e já o vi beber diversos tipos de bebida, inclusive "bebidas fortes" como cachaça. Mas nunca o vi bêbado, e nada indica nos seus atos que esse gosto pela bebida seja um empecilho à sua atuação na Presidência. Nunca também ouvi um relato de primeira mão de alguém que o tenha visto bêbado.

O hábito de fazer improvisos, criticado por muitos, inclusive por mim, nada tem a ver com a bebida, e não tenho notícia de que alguma vez Lula tenha errado num improviso por ter bebido demais. Pode ser inadequado para um presidente dizer a um grupo de políticos que acordou "invocado" e resolveu telefonar para o Bush. Mas isso nada tem a ver com a bebida, pois naquela noite, segundo os relatos, o presidente bebeu apenas uma dose de uísque.

Não me lembro de jornais sérios, como o "The New York Times", terem publicado algum tipo de boato envolvendo o presidente Bush e bebidas. Como se sabe, o atual presidente americano se tratou de alcoolismo, e ele mesmo se encarrega de fazer a apologia de sua vitória sobre o vício, declarando-a uma obra divina.

O ex-primeiro ministro português Mario Soares conta uma história que o impressionou negativamente, e o fazia temer a guerra com o Iraque, que acabou acontecendo. Segundo o relato de Mario Soares, ao receber um enviado do Papa com um apelo para que não invadisse o Iraque, Bush teria feito um resumo de sua vida, contando que fora alcoólatra e drogado. E encerrou a conversa com a seguinte argumentação: "O senhor acha que eu estaria aqui hoje se não fosse vontade de Deus?"

Relato semelhante está no livro de um ex-assessor de Bush, David Frum, chamado "O homem certo: a surpreendente Presidência de George W. Bush". Segundo ele, Bush, ao receber um grupo de reverendos protestantes, saiu-se com essa: "Vocês sabem, eu tive um problema com bebida. Eu deveria estar agora em um bar do Texas, e não no Salão Oval. Só existe uma razão para eu estar aqui no Salão Oval e não em um bar: eu encontrei a fé. Eu encontrei Deus. Eu estou aqui pelo poder das preces".

Não me consta que algum jornal sério como o "The New York Times" tenha levantado dúvidas sobre a sanidade do presidente Bush com base nesses e em outros relatos, muito mais confiáveis do que alguns em que se baseou Larry Rohter para escrever sua matéria.

Houve também uma ocasião em que o presidente Bush levou um tombo em sua fazenda no Texas, e boatos sobre uma recaída no vício da bebida circularam o mundo. Não me lembro de que um jornal sério como o "The New York Times" tenha feito alusões a essa suposta recaída.

O fato é que, como disse o porta-voz da Presidência, jornalista André Singer, a reportagem do "The New York Times" beira o jornalismo marrom, e só foi escrita e publicada devido a um preconceito social e político. O correspondente do "The New York Times" deveria ser punido não por ter caluniado o presidente Lula, pois tecnicamente não o fez. Mas por ser irresponsável e preguiçoso.

(O Globo, 11.5.2004)

22/04/2004

HORROR


A Cassia Schittini me mandou esta mensagem.
É um caso tão horrendo que nem dá para imaginar.


Cora,

Peço que você divulgue o caso para seus amigos. No dia 3 de abril o estudante Thiago B. de Lima, que faz o terceiro ano do curso de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense em Umuarama (PR), jogou álcool e ateou fogo no cachorro Fred, que fora atraído à sua casa porque a cachorra de Thiago não era castrada e estava no cio. Thiago B. de Lima não queria um vira-latas rondando a sua casa. O cachorro foi encontrado por uma protetora de animais dois dias depois do ocorrido e levado para uma clínica veterinária, onde faleceu no dia 20. Fred sofreu queimaduras de até quarto grau e teve tecido ósseo exposto.

O crime foi denunciado à polícia e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Thiago B. Lima foi autuado por maus tratos pela polícia e por crime ambiental pelo IAP. As penas previstas pela lei 9605/98 são de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e no caso de morte a pena pode aumentar em um sexto ou um terço, dependendo da gravidade do caso. O acadêmico prestará depoimento na polícia no próximo dia 7.

A Unipar decidiu ignorar o caso e declarou que só tomará providências quando for comprovada a participação do estudante no caso, embora existam testemunhas, fotos e laudos veterinários do caso. Com a morosidade do processo judiciário brasileiro, até lá, Thiago B. de Lima pode ter concluído o curso e estar exercendo a profissão de médico veterinário.

Estamos solicitando a expulsão do estudante Thiago B. de Lima do curso de Medicina Veterinária da Unipar.
Aqui, a lista corrida de emails para facilitar o envio.

Piau@unipar.br; prof@listas.unipar.br;sas1d-umu @ unipar.br; rohino @ bol.com.br; crmv-pr@crmv-pr.org.br; del.umuarama@crmv-pr.org.br; umuarama@ilustrado.com.br.

E acessem:

www.atribunaonline.com.br

Na página inicial tem a opção fale com a gente

Os emails são destinados à Coordenação do curso de Medicina Veterinária: Lista de professores da Unipar:
Secretarias Acadêmicas Setoriais CRMV - Paraná, DELEGACIA REGIONAL DO CRMV-PR EM UMUARAMA

Matérias sobre o caso:

Jornal A Tribuna - Umuarama
21 DE ABRIL DE 2004 - COTIDIANO

Morre cão que foi incendiado vivo

Umuarama
Silvia Lira

O cão Fred, incendiado vivo no último dia 3, morreu na madrugada de ontem na clínica para animais, onde estava internado desde do dia 5. O laudo dos médicos veterinários, que cuidavam do cão, acusaram como causa da morte falência múltipla de órgãos.

Segundo o médico veterinário Alex Sander Dias Machado, o quadro clínico do cão piorou no final de semana, quando ele parou de se alimentar. Para que ele não ficasse desnutrido os alimentos eram injetados no organismo através da veia. Mais de 50% do corpo do cachorro sofreu queimaduras de 1º, 2º, 3º e 4º grau. Em algumas partes houve exposição óssea. Ele sofreu graves lesões musculares, não conseguiu repor tecido e estava desidratado. De acordo com Machado, no início do tratamento o estado de saúde do cão era complicado mas estava estável. Após alguns dias as lesões se definiram com a perda de tecido e foram constatadas lesões de 3º e 4º grau.

"O que mais nos marcou neste caso foi o sofrimento de um animal com personalidade tão dócil como era a do Fred. Apesar da dor ele nunca nos agrediu com mordidas, pelo contrário dava um olhar de agradecimento a cada cuidado dispensado a ele. Trabalho com animais há cinco anos e nunca atendi nenhum como ele. Sua saúde era perfeita antes do fato ocorrer. O castigo dado a ele não tem justificativa", afirmou.

O cão foi incendiado no último dia 3 à tarde, em frente uma residência na rua Amazonas. Segundo a presidente da Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama (Saau), Iracema Drumont, ele teria tentado entrar em um quintal onde havia uma cadela no cio, mas o dono da cachorro o acadêmico de Medicina Veterinária, Tiago Lima se irritou e resolveu castigá-lo. De acordo com Iracema, o rapaz jogou álcool no corpo do animal e depois ateou fogo. Vizinhos que presenciaram o crime teriam avisado a Polícia Militar e depois ela.

O crime foi denunciado pela Saau à polícia e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Ele foi autuado por maus tratos pela polícia e por crime ambiental pelo IAP. As penas previstas são de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e no caso de morte a pena pode aumentar em um sexto ou um terço, dependendo da gravidade do caso.

O acadêmico prestará depoimento na polícia no próximo dia 7.


Jornal Tribuna de Umuarama

Cão morre com 60% de queimaduras

Vitima de um ato ilícito, o cachorro Fred ficou conhecido em toda cidade por ter sofrido queimaduras em 60% do seu corpo, tendo como acusado de ser responsável pelo crime, um estudante do curso de Medicina Veterinária de uma universidade da cidade. Segundo testemunhas o acusado teria jogado álcool no cão e em seguida ateado fogo, causando queimaduras de terceiro grau em grande parte do corpo do animal. Revoltadas, as testemunhas acionaram a polícia e a Saau (Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama), que foram até o local.

Atendido inicialmente no dia 05 deste mês, foi constatado em exames que as queimaduras alcançavam níveis de lesões em primeiro, segundo e terceiro grau no tecido cutâneo. Além de muita dor e aparente estado de choque, foi medicado analgésicos para o alivio da dor, anti-inflamatórios para o combate as bactérias e inflamações e os melhores antibióticos que a clinica possui. "Quando ele chegou a clinica, o prognóstico inicial era reservado, no que diz respeito, nem bom, nem ruim, já que não havia uma noção exata das queimaduras", afirmou o médico veterinário, Alex Sander Dias Machado, sócio da clínica S.O.S. Animal.

O prognóstico reservado se alterou nos últimos quatro dias devido à franqueza intensa que o animal vinha sentindo, primeiramente verificado pelo esforço que seu organismo estava desprendendo, já que, "quando há queimaduras, as células lutam para não morrer, então o que houve foi uma falência do sistema renal que se esforçou intensificadamente para suprir as necessidades hepáticas, pois o tecido uma vez queimado, é exposto ao contato com bactérias e a morte celular libera toxinas que deprimem o organismo do animal, levando-o a morte, principalmente pelas defesas que são impostas e no caso desta vitima foram extremamente utilizadas", afirmaram Alex Sander e seu sócio, o médico veterinário Yusuhiro Furuushi.

Em exame laboratorial, foi detectada uma quantidade anormal de uma determinada enzima que caracteriza o nível de queimaduras dos tecidos. Costumeiramente esse número, medido pela Unidade Internacional dividido por litros, segue de 1,15 até no máximo dos casos de queimadura, 28 U.I./Litro. "Neste cachorro, o nível destas enzimas alcançou o número extremo de 231,5 U.I./Litro no animal, o que determina que este teve aumentado, em mais de 10 vezes o nível suportável de lesão nos tecidos cutâneos", afirmou Alex Sander.

"Sendo um termo pouco utilizado no linguajar popular, devido a pouca decorrência deste episódio, as queimaduras atingiram o quarto grau em lesões, algo completamente anormal e que consecutivamente causaria, mais cedo ou mais tarde o óbito do animal, que teve exposição dos ossos nos cotovelos, por possuir uma quantia menor de tecido muscular no local", completou o médico veterinário. O que houve foi uma falência múltipla de orgãos, sendo que nos últimos 4 dias ele não se alimentava mais, tendo sido modificada a sua dieta, balanceando e reforçando vitaminas e minerais; pela manhã de segunda-feira foi necessário uma transfusão de sangue e na terça-feira o prognóstico já era tido como sombrio, segundo informações da clínica veterinária. "Para ele sobreviver, de fato, suas queimaduras deveriam ser menores e posteriormente receber uma alimentação reforçada e, não foi este o caso", salientou o Dr. Alex Sander.

Crimes Ambientais

De acordo com o código de Leis para Crimes Ambientais, até 1998 este tipo de episódio era tido como contravenção e a partir deste ano tomou a proporção de crime pela Lei 9.605, de 12/02/1998. Segundo código é crime praticar atos de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais; com penalidades como detenção de três meses a um ano de reclusão ou multa. Em caso de óbito do animal, a pena pode ser aumentada em um terço a um sexto.

A Universidade Paranaense – Unipar, notificou a imprensa que, tanto quanto à sociedade umuaramense, está chocada com o ato de crueldade praticado contra o cão no sábado, dia 03. No entanto, reserva-se o direito de somente pronunciar-se a respeito quando, no desenrolar do inquérito policial e ficar comprovada a participação ativa de aluno da instituição no lamentável episódio.

24/09/2003

O chat do Comunique-se

"Vivência cultural te faz melhor jornalista"




Blogs, fotologs e o Caso Gugu foram alguns dos temas abordados durante o "Papo na Redação" desta quarta-feira (24/09) com Cora Rónai, editora do caderno de Informática e colunista do jornal O Globo. "Acho o blog uma caixa de ressonância genial pra gente ouvir os leitores. E os blogs modificam o jornalismo na medida em que os leitores que têm blogs passam a ser, de certa forma, 'colegas'. As pessoas começam a buscar as informações por nomes de outras pessoas, e não por griffes", disse ela, ao responder uma das perguntas dos usuários que participaram do chat.

"O papo foi muito bom. O pessoal é simpático e encontrei vários amigos", comentou Cora.

Leia o "Papo na Redação" com Cora Rónai:



[14:56:53] - Paulo R. Treib (Diretor - Produtos - Gazeta do Sul - RS - Santa Cruz do Sul) pergunta para Cora Rónai: Cora: é verdade a estória de que você era uma fã juramentada de PC/WINDOWS e quando conheceu o iMac foi amor à primeira vista. Este amor continua ou foi um namoro de verão ?

Cora Rónai responde: Nunca fui fã do Windows, muito menos juramentada. Mas me apaixonei pelo iMac sim. Paixão platônica, infeli$$mente...

[14:58:19] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde, Cora! Acompanho sempre sua coluna em O Globo e gosto muito dos temas focados, principalmente a sua especilidade - a Informática. Estou fazendo minha monografia em cima justamente dos blogs. Você foi uma das primeiras jornalistas brasileiras a utilizarem tal ferramenta. Como acha que ela modifica o Jornalismo?

Cora Rónai responde: Acho o blog uma caixa de ressonância genial pra gente ouvir os leitores. E os blogs modificam o jornalismo na medida em que os leitores que têm blogs passam a ser, de certa forma, "colegas". As pessoas começam a buscar as informações por nomes de outras pessoas, e não por griffes.

[14:59:37] - Fábio Santos (Assessor de Comunicação - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde, é uma prazer estar aqui. Qual é a sua formação? Como você avalia o papel do cumunicador no mundo dos negócios?

Cora Rónai responde: Não sou formada em nada. Não fiz universidade. Comecei a trabalhar aos 17 anos. Mas leio absolutamente tudo que cai na minha frente desde que me tenho por gente...

[15:00:31] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Querida Cora, fui testemunha há mais ou menos 8 anos, quando você e a Cristina De Luca criaram a primeira página em Hot Dog do Globo on Line. Você tinha um modem jurássico, instalou numa salinha do globo e mostrou a página para um Diretor do Globo que apostou na novidade. Agora com a fotografia digital e tudo o mais eu pergunto: em que você apostaria de novo? Um grande beijo e saudades.

Cora Rónai responde: Ritinha!!! Saudades!!! Neste momento estou apostando numa comunicação muito rápida, muito visual. Fotolog é um exemplo.

[15:03:18] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Boa Tarde, Cora. É um prazer dividir esta tarde com você, via Web. Você acredita na Internet como meio socializador e dissipador de diferenças sociais? Como você encara o desafio de se fazer um caderno de informática num jornal de grande circulação para um país ainda tem um inexpressivo entendimento desse tipo de tecnologia?

Cora Rónai responde: Acredito sim. Mesmo que a Internet não esteja sendo usada diretamente por quem se beneficia dela. Digamos, um agricultor no interior, que nunca vai chegar perto de um computador; mas o técnico em agricultura que ele conhece vai, e vai poder transmitir mais e melhores informações para ele. Quanto ao caderno, bem, ele é feito para uma parcela pequena da população, naturalmente. Mas até quem compra jornal hoje é uma parcela pequena da população, não?

[15:04:47] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Cora, o desafio da alfabetização digital é algo que o país terá que enfrentar de frente mais cedo ou mais tarde. E quanto mais rápido tomar decisões, mais preparado estará para o futuro. As políticas governamentais neste setor têm sido bem aplicadas?

Cora Rónai responde: De jeito nenhum. A importância da TI (tecnologia da informação) ainda não foi devidamente compreendida pelo governo. Nenhum governo.

[15:05:27] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Por falar em fotolog, aquela do saleiro iluminado em sua coluna foi genial.

Cora Rónai responde: Pra você ver, Aline! Aquela foto foi feita com um Palm Zire, quer dizer: menos do que uma xereta... ;-)

[15:07:24] - Felipe Vogel (Outros - SKAssociados) pergunta para Cora Rónai: Você adota algum critério para escolher as matérias de capa do caderno de informática?

Cora Rónai responde: Critério básico: o assunto tem que ser interessante. Depois, a matéria tem que estar bem escrita -- o que, modéstia à parte, no Info etc. é praticamente normal. A equipe é ÓTIMA... :-)

[15:07:59] - Aline Canejo (Estagiária - Bayer) pergunta para Cora Rónai: Você disse que não cursou nenhuma faculdade. Acredita que a boa formação é hereditária, visto que você é filha do Paulo Rónai? Literatura de pai passa para filho?

Cora Rónai responde: Literatura não passa, mas gosto por literatura sim. Gosto por estudo, no sentido mais amplo da palavra, também.

[15:09:12] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: Na sua opinião, por que os produtos da Apple não têm um grau maior de aceitação aqui no Brasil, além do fato de serem relativamente alto seus preços ?

Cora Rónai responde: O preço é o principal problema. Mas, além disso, a Apple não conseguiu criar uma "cultura Apple" quando ainda poderia ter feito isso, isto é, quando a informática estava começando a se desenvolver por aqui. E por lá, claro...

[15:10:10] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Você acha que o E-Learning pode ser uma onda nova na Internet?

Cora Rónai responde: Não sei se é onda; essas coisas às vezes começam com muito barulho, depois, claro, deixam de ser novidade. Mas isso não quer dizer que elas não continuem lá.

[15:10:49] - Silvia Caseiro (Redator - Editora Net Alpha) pergunta para Cora Rónai: Olá Cora, sou redatora e assessora de imprensa do site Guia Planeta, gostaria de saber quais os critérios são adotados para repercussão de uma notícia, cuja informação vem da assessoria de imprensa de uma empresa desconhecida?

Cora Rónai responde: Se o assunto for interessante, terá repercussão.

[15:11:02] - Felipe Vogel (Programador Analista - Comunique-se) pergunta para Cora Rónai: Você acredita no fim da pirataria de software?

Cora Rónai responde: Não. Graças a Deus.

[15:12:18] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Você acha que com o sucesso do Fotolog, os blogs podem ser deixados um pouco de lado?

Cora Rónai responde: Olá, Ronize! Acho que os flogs são uma evolução natural dos blogs. A comunicação é mais rápida, flui melhor. Mas isso só vale para gente que se comunica bem visualmente. Os blogs sempre terão o seu... uh, "espaço".

[15:13:41] - Marcelo Souza (Profissional Contratado - Ferreira de Souza) pergunta para Cora Rónai: Pelo que me lembro, o Millôr Fernandes foi um dos primeiros grandes jornalistas, escritores, pensadores, artistas consagrados, que não tiveram medo de se aliar à tecnologia para facilitar o seu trabalho. Qual foi sua influência para isso ?

Cora Rónai responde: Nós começamos juntos. Na verdade, ele se interessou antes de mim, mas eu acabei me empolgando antes. Compramos máquinas simultaneamente (em 86) e vivemos juntos essa experiência. A diferença é que eu ainda estou viajando nessa e ele já deu a volta por cima e já retornou ao bico de pena... ;-)

[15:15:11] - Fausto Rêgo (Jornalista - Rits - RJ) pergunta para Cora Rónai: Oi, Cora. Você começou o seu blog muito antes de O Globo ter a (ótima) idéia de criar blogs para seus colunistas. Queria saber como se deu esse processo interno de discussão do uso dos blogs pelo jornal e se vocês, do caderno de Informática, participaram dessa discussão.

Cora Rónai responde: Bom, na verdade, a idéia de se criar blogs lá foi minha. Mas eu apenas dei essa idéia, e o pessoal do Globo On levou em frente. O Info etc. não teve nada a ver com o desenvolvimento posterior da idéia, embora algumas pessoas que escrevem para nós, como a Cris, o Cat e Gravatá tenham se empenhado muito nos testes e nas sugestões. Beijo grande, Mosca!!!

[15:15:53] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Cora, muito se fala dos muitos benefícios trazidos ao jornalismo pela informática, entre eles a visível praticidade. Você conseguiria apontar alguns fatores negativos?

Cora Rónai responde: Negativos? Hmmm. Taí. Com a possível exceção do fato de que agora a casa da gente passa a ser uma extensão da redação, nenhum.

[15:17:37] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: o que você está lendo?

Cora Rónai responde: Vivir para contarla, de Garcia Marquez; Balzac and the little chinese seamstress, de um autor chinês cujo nome não me lembro nunca, teria que pegar o livro na mesinha de cabeceira; a National Geographic deste mês; mais uma pilha de revistas sobre foto digital e aparellhos wireless, meu xodó do momento. E o New Yorker.

[15:19:42] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: `ex-diretor de marketing da Apple fala sobre seus ex-colegas e diz que é culpa deles a Apple não ser uma empresa de sucesso. Em uma carta aberta ao blog Apple Computer History, Michael Mace acusa seus ex-colegas de estupidez grupal e diz que a companhia foi destruída por uma cultura doente e desfuncional. 'A Apple Computer como um todo é uma falha total'`, por Felipe Cichini. Comente por favor.

Cora Rónai responde: Eu não conheço a "cultura Apple" da porta pra dentro, mas acho que a empresa cometeu uma série de erros fenomenais ao longo da sua existência. Apostar no mercado estudantil quando quem dá as cartas é o mercado corporativo, arrogância, soluções extremamente verticalizadas, por aí vai... Aqui no Brasil, pode acrescentar péssimo suporte aos usuários.

[15:21:26] - Valmir Moratelli Cassaro (Repórter - Editora Globo - RJ) pergunta para Cora Rónai: Tratar com leveza um assunto que pode parecer técnico é uma boa saída para conquistar o leitor. Um ?Caderno de Informática? deve receber o mesmo tratamento que outros suplementos do jornal ou é visto como produto diferenciado?

Cora Rónai responde: Lá no Globo, pelo menos, a impressão que eu tenho é que somos umas espécies de ETs. Acho isso bom, porque, na maior parte das vezes, não podemos ser "iguais" ao resto do jornal. Por exemplo, se fossemos grifar todas as palavras estrangeiras, ia ser um transtorno...

[15:22:31] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Cora, você acha que uma pessoa pode iniciar na fotografia digital sem ter uma formação na fotografia tradicional?

Cora Rónai responde: Claro! Talvez seja até melhor. O que sempre é bom, naturalmente, é que a pessoa tenha uma idéia do que é a fotografia; veja o trabalho de outros fotógrafos; conheça os clássicos. Enfim, treine o olho, saiba o que veio antes...

[15:23:32] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Você diria que o leitor do Info etc. é o habituado à tecnologia e que quer estar atualizado ou o neófito que procura orientação?

Cora Rónai responde: Muito misturado, Ronize. Quando a gente dá uma matéria mais técnica, o pessoal light reclama; quando a gente dá matérias leves, os antigos ficam chateadíssimos com a gente e dizem que estamos traindo a causa.

[15:25:43] - Gabriel Damásio de Oliveira (Estudante - UFS - Aracaju) pergunta para Cora Rónai: Cora, gostaria que você falasse um pouco da sua época de jornalismo cultural. Essa bagagem te ajuda ao trabalhar na editoria de Informática?

Cora Rónai responde: Eu trabalhei sempre na área cultural. Comecei a escrever sobre informática em ... 86, ou 87, não lembro bem... você não era nascido... no JB. O fato de ter vindo da área cultural permitiu, acho, que, desde cedo, eu tratasse a TI como uma revolução de costumes, e não apenas como tecnologia pura e simples. Vivência cultural te faz melhor jornalista de qualquer coisa, não só informática.

[15:27:46] - Nivaldo Nocelli (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: Cora, tenho lido suas manifestações a respeito da polêmica atuação da indústria fonográfica (RIAA) na questão da troca de arquivos musicais no formato MP3. Qual o desfecho que você imagina para essa questão?

Cora Rónai responde: Não sei. Não estou otimista. O jogo está cada vez mais bruto, e as pessoas se intimidam com isso. De qualquer forma, acho que duas coisas são incontestáveis: 1) O gênio saiu da garrafa, isto é, sempre haverá troca online, ainda que, aos poucos, passe a ser uma atividade clandestina ou fora da lei; 2) O modelo de negócios das gravadoras já era. Ou elas mudam, ou morrem.

[15:28:25] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Quantos anos vão passar até que o Brasil alcance níveis aceitáveis de inclusão digital?

Cora Rónai responde: Rapaz! Quantos anos ainda vão se passar até que o Brasil alcance níveis aceitáveis de inclusão, pura e simplesmente?!

[15:29:08] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: De que maneira o meio acadêmico pode contribuir mais para o processo de democratização do acesso à informática, por parte de pessoas desfavorecidas?

Cora Rónai responde: Trabalhando voluntariamente em ONGs que se dedicam à difusão da informática, por exemplo, pode ser uma forma legal de contribuir.

[15:30:20] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Em relação à sua resposta para a Ronize, qual é a receita para o meio termo, e agradar a todos? Existe ou é papo furado?

Cora Rónai responde: Não dá para agradar a todos. Quando eu publico foto de gato, tem leitor que reclama; quando eu fico muito tempo sem publicar foto de gato, tem leitor que reclama. A gente se acostuma com isso. Desde que agrade a pelo menos 50% dos leitores, já tá bom, né?

[15:33:26] - Rita Braune (Web Designer - Rita Braune) pergunta para Cora Rónai: Qual foi a matéria que você mais gostou de fazer?

Cora Rónai responde: Recentemente, acho que a MacWorld em que foi apresentado o iMac, porque consegui roubar uma revista Time do bolo que desembarcou comigo em São Francisco, e que só ia para as bancas no dia seguinte (segunda); quando cheguei no hotel, postei as fotos da capa e da máquina, dei a descrição toda que ninguém tinha, fiz um carnaval. Claro que fotografei a revista ao lado do meu Thinkpad IBM... só pra chatear. Isso, no blog. Depois me encontrei com Steve Jobs "a nível de gente, enquanto pessoa" e isso foi muito bom; contar essa aventura toda foi uma grande experiência.

[15:33:42] - Fábio Santos (Profissional Contratado - Admédico) pergunta para Cora Rónai: Quantos Reais você acha saudável investir para ter um bom equipamento?

Cora Rónai responde: O máximo que você puder! Sempre.

[15:34:31] - Ronize Aline Abreu (Freelancer) pergunta para Cora Rónai: E a sua carreira de escritora, como foi influenciada pela informática?

Cora Rónai responde: A minha carreira de escritora praticamente acabou desde que passei a editar o Info etc. Esta é a única influência que consigo notar...

[15:36:34] - Raphael Perret (Assessor de Comunicação Social - Previ-Rio) pergunta para Cora Rónai: Oi, Cora, tudo bem? Você é fã inveterada de blogs e fotologs. Você acha que eles têm potencial para se tornarem ferramentas jornalísticas? Se sim, o que falta?

Cora Rónai responde: Aê, Raphael!!! É claro que eles têm. Os blogs, certamente, já se incorporaram à paisagem da "mídia" e, como provam alguns blogs americanos e aquele jornalista que foi sozinho pro Iraque, com patrocínio dos leitores, podem vir a ser auto-sustentáveis. Os fotologs não sei bem ainda como vão entrar nisso, mas é lógico que vão; são uma ferramenta de comunicação extremamente poderosa.

[15:38:12] - Gabriel Damásio de Oliveira (Estudante - UFS - Aracaju) pergunta para Cora Rónai: Você já acompanhou os programas de rádio sobre informatica que têm em algumas rádios de São Paulo? Que achou deles? Acha que o jeito de escrever que o Info.etc tem serve também para falar de informática no rádio?

Cora Rónai responde: Sem falsa modéstia, acho que o estilo do Info etc. criou escola, e passou a ser o jeito de se escrever e/ou falar de informática. Não sei se os programas de SP são os mesmos do Rio, mas aqui a influência é marcante. Até porque, volta e meia, são colaboradores do Info etc. que fazem ou dirigem os programas.

[15:40:01] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Falando um pouco de televisão: O que você achou do desfecho do caso Domingo Legal? Foi Punição ou Censura prévia?

Cora Rónai responde: Acho perigoso o precedente mas, por outro lado, acho que nada justifica o que o Gugu fez. A única coisa que não entendi foi a surpresa das pessoas em relação à falsificação da notícia do Gugu. Desde quando aquele programa apresenta alguma coisa que não seja falsa?! A começar pelo Gugu?!

[15:41:24] - Hudson Franco (Diagramador - S/A Estado de Minas) pergunta para Cora Rónai: Como `Maqueira`, você aconselharia alguém a usar uma outra plataforma que não o OS da Apple hoje em dia? Você considera OSX ainda é o melhor? Apesar de dizerem que o MAC ainda é o melhor para produção de artes, publicidades, não estaria na hora de eles começarem a abaixar o preço de seus produtos?

Cora Rónai responde: Eu não sou macintóxica! Eu acho o iMac a máquina mais linda que eu já vi, mas continuo usando PC. Não tive bala na agulha para passar para um iMac. Além disso, como escrevo sobre informática para o público em geral, tenho que usar a plataforma mais comum, ou seja, Windows.

[15:42:32] - Louise Santos (Estudante) pergunta para Cora Rónai: Boa tarde! Atualmente, os jornalistas precisam saber de tudo um pouco. Segundo tuas indicações, o que o estudante precisa saber da área de informática para ter mais chances de entrar no mercado de trabalho?

Cora Rónai responde: O estudante precisa se interessar por tudo. Tem que ter uma curiosidade malsã. Tem que ser uma antena em permanente alerta. Isso basta. Não adianta fazer cursinho disso ou daquilo sem ter real interesse pelo que acontece.

[15:44:00] - Mariana Ribeiro (Estudante) pergunta para Cora Rónai: Boa Tarde!!! Cora, na sua opinião como conciliar a forte concorrência no mercado de trabalho, sem perder a credibilidade, o respeito e a ética?

Cora Rónai responde: Eu ainda sou daquelas pessoas otimistas que acham que a gente vence no mercado de trabalho tendo ética e credibilidade. No dia em que eu deixar de acreditar nisso, vou procurar outra profissão.

[15:45:01] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Sobre a resposta sobre o blog ser ferramentas jornalísticas: Então quer dizer que o Blog não é um fenômeno momentâneo?

Cora Rónai responde: De jeito nenhum. A onda em tornos dos blogs é, mas eles não. É claro que a febre dos blogs é um fenômeno momentâneo, mas a ferramenta blog já é parte do arsenal de quem se comunica.

[15:45:16] - Leonardo Castro (Estudante - "Apple") pergunta para Cora Rónai: O que você tem a dizer para os usuários Windows, que estão cansados de rebootar o pc, conviver com a lerdeza, etc, sobre os MAcs e o sistema operacional Mac OS 10.2 (Jaguar) ?

Cora Rónai responde: Usem Linux.

[15:46:15] - Bruno Sabóia Pinto (Jornalista - Revista Neurônio) pergunta para Cora Rónai: Mais televisão: num tempo em que os programas de fofocas, pegadinhas e outras baboseiras dão a tônica na televisão, de que maneira o jornalismo cultural pode galgar o seu espaço na telinha?

Cora Rónai responde: Será que pode? Pelo que assisto por aí, não tenho muita esperança não. Por outro lado, acho que estão pintando coisas curiosas em televisão na Internet. Talvez a saída esteja por aí.

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16/07/2003

From The New York Times

In Los Angeles, Skid Row Resists an Upgrade


By CHARLIE LeDUFF

July 15, 2003


LOS ANGELES, July 13 — The eastern quarter of downtown Los Angeles is a cattle pen, an outdoor outhouse, a human calamity. It is the largest concentration of homelessness in the country.

Thousands of people in the 50 blocks known as Skid Row live on the sidewalks in tents and cardboard condominiums. Thousands more sleep on mission cots, in the back seats of automobiles and in flophouses. Those who can manage it take hotel rooms with creaking bedsprings that let for $107 a week, plus a $2 deposit for a pillow.

A welfare check will buy two weeks in a hotel, an unemployment check will buy three, a Social Security check four. For most, the cash stream dries up in the middle of the month, and then they are back on the street, riding the carousel of misery until a new check arrives.

Skid Row has been 100 years in the making, but things are changing in the "Nickel," the center of homelessness in a city with 41,000 homeless people, a number that is by all accounts rising. With housing scarce and rents high, there is an effort to revitalize the bleak district bound by Main, Alameda, Third and Seventh Streets into something livable and neighborly.

Downtown property is hot. Government agencies are moving in. The Roman Catholic Church recently consecrated a $189 million cathedral, and developers have plans to convert fleabag hotels like the El Dorado and the Frontier into lofts and condominiums. Five thousand housing units are in the works.

The holdup is Skid Row, whose outer edges are now an incongruous mix of women in rags and mudlike faces and women in sweet perfumes and tailored suits.

Once, long ago, this was the choicest part of the city. Silent-movie stars and presidents stayed in hotels like the Alexandria, with its opulent staircases and marble walls. Today, welfare families live there, and the surrounding streets are chockablock with cut-rate garment shacks, liquor stores, warehouses, flower and fish wholesalers and people felled by mental diseases, drugs and bad luck.

Police Chief William J. Bratton, borrowing a page from his days in New York, has instituted sweeps against the so-called quality-of-life criminals who, as the theory goes, will graduate to bigger crimes if left unchecked.

The American Civil Liberties Union is suing the city, arguing that it is rousting sidewalk sleepers without giving them beds. Recently, the city agreed to pay nearly $170,000 to dozens of homeless people who were caught up in the sweeps and then filed suit, charging improper arrest.

Chief Bratton defends the crackdown. "Many there don't want help," he said. "They'll take food and free clothes, but they want to live on the streets. While I have compassion, my job is to do something about it."

Skid Row reeks of a chicken yard. The portable toilets are often used as shooting galleries by addicts, or as makeshift bordellos. Dealers also peddle in front of churches and in view of the local police station.

The women without shelter sleep near the safety of the missions. The mentally ill are left to their demons. The hardcore stay on St. Julian Street — stickmen with glittering eyes and violent impulses. The hotels are occupied by Mr. Smith and Mrs. Jones. The rule of thumb says half the guests are drunk, one-third are crazy, a quarter are service veterans and nearly all have a police record.

Five in the morning is when the police start to roust people from their tents and boxes, the missions begin making breakfast and the smell of coffee permeates.

"I walk at night and sleep in the day," says Alonzso Regazzi, 37, a not-so-down-in-the-heels type who says he does not belong on these gum-stained boulevards. He recently had a job in a doctor's office, he says, and his turn in fortune can be blamed on a nagging wife called crack.

Mr. Regazzi is better off than most out here, with his polished shoes and college education. He is one of the few who, when they hit bottom, bounce. His unemployment checks come every other Thursday, totaling about $775.

"You can't go lower than Skid Row," he says, having found himself a room near the Harbor Freeway. He offered to show a visitor around.

The Midnight Mission on Los Angeles Street is considered the superior eatery on Skid Row. A person is not made to listen to a prayer lecture before being allowed to the table, and there are seconds and thirds.

A clean-looking man, Larry Hatcher, inquires about a friend who fell on hard times. One woman is crying, asking Jesus something. Another says she will not appear in court to answer a ticket for sleeping on the sidewalk.

"They give you a ticket for sleeping on the sidewalk?" Mr. Hatcher asks, arching an eyebrow. "Where are you supposed to go?"

"Jail," says Joy, the one with the ticket.

"Out of the state," says her friend Heidy Pandolfi.

"So my friend could be in jail?" asks the man.

"He probably is," snaps Joy.

Mr. Hatcher appears shocked. He wipes his eyes. "I didn't know it was like this," he says. "There's a lot of misery."

A sign above the women quotes what was, until recently, a rarely enforced law: "No person shall sit, lie, or sleep in or upon any street, sidewalk or other public way."

A man across the street disassembles his tent, arguing with an invisible roommate. The gates on the trinket shops that sell pink poodles and "I H L.A." T-shirts rattle open. When business opens, it's time to get up, and by 8 a.m., the homeless are moving again, headed nowhere.

Homelessness is on the rise across the county, experts say. Unemployment is up, housing is scarce, counties and cities are cutting budgets. In New York, the number of people seeking shelter is up 65 percent since the Sept. 11, 2001, attacks, officials there say. In Chicago, the number of homeless families is up 35 percent from 2001. But in Los Angeles, the problem is gargantuan. With half the population of New York, it has more people on the streets than New York has in its shelters. An additional 45,000 people are homeless in greater Los Angeles County. While New York will spend $640 million on homeless services this year, Los Angeles will spend just $50 million and provide fewer than 13,000 beds.

"The lack of concern for the homeless in Los Angeles is disgraceful," says Lee Baca, the Los Angeles County sheriff, who is fond of saying that his 20,000-bed jail is the largest homeless shelter and psychiatric hospital in the city. "The punitive approach solves absolutely nothing without services to get these people integrated back into society."

Officials who drive out the homeless are like children who push vegetables around a plate, claiming they are gone, said Clancy Imislund, the managing director of the Midnight Mission, himself a former Skid Row resident. "Homelessness is an unsolvable dilemma," Mr. Imislund says. "New York throws $640 million to enable people to keep doing what they're doing. In my 29 years here, I'm convinced not much can be done. All we can do is to help the few that want it and give comfort to those who need it."

The history of vagrancy in Los Angeles is a long one, beginning in the 1870's, when the railroads converged on downtown and the first tramps stepped off the trains. The Midnight Mission was founded in 1914, and now serves 55,000 meals a month. In 1936, during the the Depression, the police began their so-called Bum Blockade, keeping out-of-town migrants and tramps from entering the city. In the early 1980's, when the mental hospitals emptied out, the city concentrated services for the down-and-out on Skid Row.

A city within a city has developed, with citizens from everywhere. Some come from prison, some are runaways, some are former foster children who turned 18, some are refugees of the 9-to-5 world, some are mothers with children. More than half are alcoholics, studies show.

As the shadows grow longer and the afternoon cools, the flies dissipate and action on the street picks up. People leave their rooms, the overpasses, the shadows of the missions. Bills change hands, bundles of euphoria are exchanged, and the missions start preparing supper.

Alonzso Regazzi says he is caught in this world. He fell into the street life a few years ago, drew away, and came back. He sees Skid Row as a spectacular social failure.

"They really are right to clean this place out," Mr. Regazzi says, walking down Los Angeles Street, on the shady part of the boulevard, explaining his life to a stranger.

Sobering up was the easy part, Mr. Regazzi says. "The hard part is facing the world after you're sober."

"So people get addicted to the chaos," he offers. "It's easier than working."

There are, of course, programs. He tried them. But programs only work for those who want them to work. "Jesus helps those who help themselves, right?" Mr. Regazzi says.

There are many ways to earn a living here, he adds: drugs, prostitution or selling parking-meter time to commuters using the old slug-on-a-string method. Welfare is available to indigent single adults — $212 a month from the county — but recipients must prove they are seeking work, and so many do not bother.

People here commonly die by the knife, by the needle, by the front end of a bus, but rarely by suicide, Mr. Regazzi says. He recommends the Hotel Cecil, a common stop on the coroner's route.

"It's the best on Skid Row," Mr. Regazzi says. He stays there occasionally. The lobby is done up with a two-tone marble. There is a small diner and a security man at the elevator. A thumb print and cash are required. The halls are filled with laughter. The toilet on the 15th floor is overflowing.

Outside the hotel, a few men stand around selling drugs. One thin man tells Mr. Regazzi that it wouldn't hurt him to look, and Mr. Regazzi gets the feeling that this very man will someday be preaching on this very same corner. The police circle by, and the hustlers scatter.

A few duck into Crabby Joe's bar at Main and Seventh, and when a crowd like this enters, a little guy named Ike gives the twice-over before dispensing a drink.

Mr. Regazzi nurses a beer, considering the totality of his life. It is growing dark outside. "I'm not like the bums out here," he says. "I'm not born to it. I've never lived in a tent. I'm sure I'll look back on this when I crawl out and say I knew what the bottom was like." He finishes his beer. Ike watches him go out.

A woman is howling under the street lights. "I been in this neighborhood 30 years," Ike says, "and I don't see nothing changing. It's never going to change."

29/05/2003

Culpa da imprensa?

Zuenir Ventura


Não são poucos os leitores que crêem na hipótese de que a violência no Rio é, em grande parte, uma construção virtual da imprensa, uma espécie de reflexo amplificado de seus exageros. Quando se viaja, então, a pergunta é inevitável: “por que vocês só falam de violência?”. Numa cidade do interior, um jovem repórter insistiu para que eu, em nome do jornalismo, assumisse a responsabilidade pelo medo que nos cerca. Como se já não bastasse o casal Garotinho repassando a culpa de tudo para a mídia.

Anteontem, uma leitora indignada escreveu para O GLOBO perguntando até quando o Rio seria “massacrado pela propaganda da violência”. Ela citava o exemplo de sua empresa, e de outras que estavam sendo prejudicadas pelo que considera ser uma distorção da imprensa local, que ignora o que de ruim se passa em outras cidades para se concentrar nas baixarias daqui. Gaúcha morando no Rio há cinco anos, ela contava: “Ando num carro importado que não é blindado, com pulseira de ouro e tudo a que tenho direito, e afirmo que nunca fui assaltada.”

Um testemunho animador. Mas inúmeros outros podem se contrapor a ele. De qualquer maneira, dei uma olhada no jornal para ver se do que fora publicado havia o que não fosse notícia ou tivesse recebido destaque inadequado. É verdade que nos últimos dias — e não só — os fatos policiais predominaram no noticiário. Na nossa primeira página, Rosinha e Chiquinho confraternizam numa grande foto, enquanto o texto fala do escândalo em que o secretário é acusado de proteger o tráfico na Mangueira.

Nas páginas de dentro, mais notícias relacionadas com violência. De um lado, a matéria do juiz barbaramente espancado e torturado por jovens bandidos de classe média. Mais adiante, o enterro da estudante morta numa falsa blitz. Embaixo, o incidente dos quatro pitboys que agrediram freqüentadores de uma boate gay, espancaram dois guardadores de carros e desafiaram PMs. Ontem, a manchete era o crime brutal, hediondo, “infame”, como disse o ministro Gil, de Almir Chediak. Exagero? Onde está o excesso — nos relatos ou na própria realidade?

Cada um dos acontecimentos noticiados correspondia a um sentimento real — um susto, um choque, um grito de dor. Se a imprensa não pode alarmar, não deve, por outro lado, perder a capacidade de se espantar. Tem de evitar o pânico, mas também a anestesia, a resignação, a desistência de se indignar. Não pode, enfim, aceitar como natural o absurdo que é a violência.

(O Globo, 28.5.2003)

15/05/2003









Laranjinha

Fêmea castrada, vacinada e vermifugada. Porte pequeno/médio, 1 ano.

Extremamente dócil e meiga, com aquele olhar de "olhe pra mim; estou aqui!".

Foi encontrada correndo e atravessando as movimentadas ruas de Botafogo.

Medrosa, mas com certeza só até se sentir segura em novo lar; seu porto seguro.

Espera uma adoção consciente para poder dar muito carinho e amor incondicional à sua nova família.

Para saber de mais detalhes, favor contactar Márcia pelos telefones (21) 2543-3839 e 9963-9919.

14/05/2003





Dar nome aos bois

Alberto Dines


Não adianta, ilusão tem limites: em algum momento a econometria vai esbarrar na realidade. Economia não é abstração. Os C-Bonds, o risco país, a taxa de câmbio e as demais medições estão sendo aplicadas num processo artificial - como nos laboratórios onde as experiências ocorrem em condições ideais, sem as interferências do ambiente.

Era inevitável a contaminação do noticiário político pelo noticiário policial e a conjugação das estatísticas de crimes com as cotações das páginas econômicas. Os manuais e ritos corporativos não permitiram. Mas isso acaba de acontecer no âmbito da imprensa internacional, obrigada a enxergar o país como um fenômeno integrado, sem segmentações aleatórias. Não é coincidência que, nos últimos dias, o New York Times, a BBC-World, o Wall Street Journal e o Economist - os dois últimos com influência mundial na esfera da economia e dos negócios - tenham dedicado bom espaço e bom tempo para tratar da escalada de violência que grassa no país.

Incorremos em outro perigoso engano quando evitamos dar o nome aos bois e nos refugiamos em classificações minimalistas e fictícias. Estamos diante de uma insurreição generalizada, pré-guerra civil. Crime organizado é conversa fiada. Balela. O nome correto é narcoterrorismo.

Os horrores dos anos de chumbo excluíram do vocabulário jurídico os atentados à segurança nacional e agora estamos pagando um preço altíssimo pelos eufemismos e maneirismos lingüísticos que nos impedem de enxergar os problemas nas suas verdadeiras dimensões. A violência federalizou-se e o combate à violência, com ou sem intervenção formal, com ou sem as Forças Armadas nas ruas, deve federalizar-se. Aberta e ostensivamente. Em todas as esferas, inclusive das relações internacionais. As Farc já não podem ser tratadas com punhos de renda, o Complexo da Maré começa no fundo da Baía de Guanabara e termina nas selvas da Colômbia.

Cada vítima, cada violência, cada susto, cada insulto cívico e cada agressão ao Estado de Direito infligido pelo poder-bandido nos lembra que estamos diante de uma emergência federal. Na última terça-feira, o eixo rodoviário Norte-Sul foi seccionado pelas incursões na Linha Vermelha, Linha Amarela e o controle da Avenida Brasil, no Rio. Não são ocorrências paroquiais, metropolitanas ou estaduais; são situações de risco nacional. Esta é uma verdade que precisa ser encarada de frente, com a designação apropriada.

As reconciliações entre dona Rosinha e dona Benedita, as festinhas entre o coronel Bolinha e seus desafetos, além de ridículas, são um ultraje à memória dos caídos e dos humilhados pela Confederação da Violência. Os sorrisinhos cínicos e os tapinhas nas costas na véspera dos funerais de uma sociedade livre flagram a falta de compostura e escancaram a impostura.

O Morro do Turano não é distrito urbano, é agora distrito federal. O atentado (premeditado, conforme evidenciou-se) contra a Universidade Estácio de Sá não cabe num B.O., Boletim de Ocorrências. Merece uma C.R.I, Constatação de Ruptura Institucional.

Quando o governador de fato, Anthony Garotinho, reconhece que perdeu o controle da situação e o ministro da Justiça, no Observatório da Imprensa (terça ultima, pela TV E), diante de uma pergunta da jornalista Dora Kramer, admite constrangido que daria nota cinco ao desempenho das autoridades do Estado do Rio em matéria de segurança, já não há como disfarçar a etiquetagem e a dimensão do desastre.

Essa dimensão não é apenas factual, é conceitual. Quando alguns senadores decentes, como Pedro Simon e Jefferson Peres, propõem que se rasgue o Código de Ética e se dissolva a Comissão de Ética diante da decisão do presidente do Senado de arquivar o processo contra ACM, o Rei do Grampo, percebe-se a imantação moral entre a degradação da lei e da ordem no Rio de Janeiro e a degradação dos costumes políticos nas altas esferas da República.

Quando o PT majoritário - o partido da esperança e da mudança - capitula diante desse ultraje, preocupado com a maioria para aprovar reformas que sempre combateu, delineia-se um vale-tudo político-partidário que explica inclusive a complacência federal com o Casal Governador do Rio de Janeiro que tantas lágrimas e estragos tem custado.

Quando o pseudo-oposicionista PSDB permite que o senador Tasso Jereissati articule abertamente o apoio para proteger os amigos-parceiros ACM e Sarney, numa das manobras mais sórdidas da recente crônica parlamentar, evidencia-se que o partido precisa trocar de nome. Deve deixar de lado o SD (da Social-Democracia) e denominar-se apenas PB, Partido Banana - desfibrado, desossado e emasculado.

Esta é a hora de dar nome aos bois. Antes que os bois irmanados, saneados, risonhos e politicamente corretos, pisoteiem o que sobrou em matéria de decência e coragem.

(Jornal do Brasil, 10.5.2003)


26/03/2003

Um insulto à honra

José Paulo Cavalcanti Filho


"Começou a guerra. No ocidente arde, ao rubro, tudo que talvez seja o futuro". Verso de Fernando Pessoa. A arte imita mesmo a vida. E esse futuro ocidental de horror começou a se revelar, a partir de ontem, no sangue morno de pessoas simples que serão trucidadas no Iraque. Tão inocentes quanto os inocentes do World Trade Center. As TVs americanas já estão exibindo o formidável espetáculo da guerra, ao vivo e em cores, com intervalos destinados a seus patrocinadores de sempre. Crianças mortas e tenis-air da Nike, escolas destruídas e vaqueiros fumando Malboro, corpos mutilados entregues a seus destinos e modelos siliconados bebendo Budweiser. Com os mortos enterrando seus mortos em um como que videogame alucinado de edifícios indo aos ares, caças F16 dando piruetas e o brilho reluzente de tanques Abram, mísseis Tomahawk e B-52 armados com foguetes teleguiados. Dando forma à radiosa epifania da arte de matar.

Bush tem razões de sobra para fazer essa guerra. Nenhuma delas moralmente aceitável. Primeiro razões econômicas. Como evidente represália à transferência da moeda-padrão das reservas internacionais do Iraque (2001), de dólar para euro, convertendo o país em perigoso exemplo para vizinhos que o poderiam imitar. Ou a circunstância de se dar essa invasão, e não por acaso, no segundo maior produtor de petróleo do planeta. Garantindo o precioso abastecimento dos Estados Unidos. Com a exploração desses poços podendo acabar em mãos de empresas americanas ¿ o que seria uma versão neoliberal e deletéria da mais simples e desavergonhada pirataria. A sagração da rapinagem.

Também razões políticas, igualmente indefensáveis. Como redenção da fraude eleitoral que até hoje ilegitima seu mandato presidencial, o inimigo externo unindo o país. E razões psicóticas. Que, no fundo, esse ódio por Saddam é também vingança pela humilhação sofrida por Bush pai, anos atrás. Cito Sun-Tsé: "Quando um soberano está movido pela cólera e pela vingança, não deve declarar guerra, o general com esses sentimentos não tem condições de comandar uma batalha".

O filósofo alemão (apesar do sobrenome italiano) Theodor Adorno ensinava que a verdadeira liberdade não consiste em poder escolher entre o branco e o preto, mas em poder negar-se à imposição dessa escolha. O ensinamento vale agora. Não é decididamente razoável que sejamos obrigados a escolher entre o autoritarismo de Saddam e a arrogância de Bush. A consciência cívica não nos deveria levar a nenhuma dessas escolhas. Não queremos Saddam e não queremos Bush, simplesmente. A pergunta certa é ¿ queremos ou não queremos guerra? E a resposta certa é ¿ não.

Chegou a hora dos grandes gestos. Gostaria de ver, por exemplo, o Papa transferindo o Vaticano para Bagdá. Mesmo que apenas por algum tempo. Ou um rodízio de presidentes de países importantes, fazendo o mesmo. Inclusive o Brasil. Para comprovar, na prática, o tamanho do desvario de Bush. Para ver se ele continuaria atacando, com o risco de matar tanta gente ilustre. Gandhi, vivo fosse, certamente já estaria por ali. Que sua trajetória nos sirva de inspiração.

Depois de Saddam, quem virá? Arafat? Fidel? Kadafi? Ou a internacionalização da Amazônia? Haverá algum limite ético para a prepotência? Prepotência localizada. Que o generoso povo americano não pode ser confundido com esse político menor, que é Bush.

P.S: A definição de Bush para a matança de agora, como uma "Guerra Santa", é um vilipêndio à santidade e um insulto à honra.

(Jornal do Commércio, Recife, 21.3.2003)